Luisa Libardi

 

Formada em Engenharia Civil em 1981, mas sempre procurando se expressar nas Artes, procurou por cursos de desenho, pintura e história da Arte. Alguns dos seus orientadores foram: Edith Derdyk, Norberto Stori, Rafael Campos Rocha, Paulo Klein, Heron Medeiros, De Lima, Ida Zami, Norma Grimberg, Sara Beltz, Magliani, entre outros. 

Realizou dezenas de exposições individuais, nas seguintes cidades: São José do Rio Preto, Rio Claro, Piracicaba, Ribeirão Preto e São Paulo. Participou de várias de exposições coletivas em muitas cidades do interior de São Paulo e na Capital. 

Desenvolveu a temática da cana-de-açúcar, inicialmente explorando cores e composições figurativas, passando depois ao abstrato. Trabalhou nessa temática por 21 anos em várias técnicas, tais como: aquarela, óleo, acrílica, pastel seco e pastel oleoso. 

Outra pesquisa em que se dedicou está focada nas comunidades. Observando e pesquisando "in loco" em algumas Favelas do Rio de Janeiro para desenvolver esse trabalho. 

Atualmente trabalha com a Fotografia. Pesquisa feita inicialmente com fios de samambaias, folhas e galhos secos, todos retirados do quintal de seu ateliê, depois a pesquisa se ampliou pelas ruas da cidade com os materiais achados no chão. Sua intenção foi buscar leveza, transparência e uma forma poética de olhar para essa matéria já morta e esquecida. Realiza sobreposições fotográficas com as fotos e outras vezes sobreposições com as fotos e suas aquarelas (pintadas dentro da temática natureza).

Desses estudos fotográficos saíram as séries:

. Desfios (com fios, galhos e folhas secas)

. Outonal (com aquarelas e folhas e galhos secos)

. Fragrâncias (com aquarelas e flores)

 

Críticas

 

. Crítica de Fábio San Juan, Fios- Desfios (2016): Nesta exposição, Luisa mergulha em águas mais profundas. Ela soma à sua experiência, sensibilidade temperamento o “processo”, hoje uma prática, mais ainda, um modo de pensar inseparável do agir da arte contemporânea. O “ processo” encara a mudança como um fato da vida, que a arte procura imitar. Luisa incorpora a si essa meditação-prática de forma definitiva.

Ela reinterpreta um elemento formal que lhe é intimo: a linha. Une a linha à sua função de “fio condutor”. Personagem principal da amostra, a linha nos guia por paraísos que se inventam à medida em que os contemplamos.

Outra palavra é “orgânico”, e aqui também literal, juntando a natureza das imagens, sua forma visual e sua descrição. São formas assimétricas, aparentemente caóticas, que revelam o viver não somente na descrição fotográfica de fios de samambaia, galhos, sementes, folhas, mas na palpitação da vida, seja botânica, visual ou espiritual.

O movimento da vida intracelular, da vida que se decompõe no chão para criar mais vida, do agitar da folhas com o vento, do ponto da semente, das linhas do galho e do tronco, do plano raiado da folha que se espraia e se divide, da troca entre partes, estimula a retina movimentando algo que não vemos, dentro de nós.

(Fábio San Juan, curador da exposição Fios-Desfios)

 

Crítica de Eraldo Di Vita (2003): Entre a arte da Libardi e a sua personalidade, há uma verdadeira simbiose, uma busca de algo sempre novo.

O lado sentimental do seu trabalho reporta-se ao figurativo, naqueles nus desalinhados, vermelhos e azuis, quase informais, sintéticos, enquanto o lado profissional dirige-se à descomposição das "canas-de-açúcar", um trabalho iniciado com a aquarela, encantado e fabuloso, passando em seguida à pintura que seria aprovada por Vieira da Silva e pelo nosso Corpora, naquela atmosfera mágica e pouco facilmente definível dos "nós-de-cana". 

O rigor formal desta artista e a constante procura de um equilíbrio, revelada pela dosagem sábia da cor e por um tipo de cumplicidade entre a obra e quem a admira, enfatizam o compromisso ao qual toda transcrição figurativa deve submeter-se para o prazer alegre e cativante do público. 

A Libardi parece mais uma artista europeia do que sul americana, formada culturalmente no âmbito da reflexão existencial italiana, em seguida na onda da rarefação abstrata. 

O slogan: cor-luz-movimento-expressão adapta-se às suas últimas, interessantes procuras".

(Eraldo Di Vita crítico de arte contemporânea, nascido em Montecarlo-Lucca-Itália, em 1932)

 

. Crítica de Arayr Ferrari, escultor (1998): Luisa Libardi tem primado por uma trajetória fecunda e coerente.

Motivada pela paisagem local, veio amadurecendo, no caminho do figurativo. Sua predileção levou-a a deter-se no universo dos canaviais. Foi enfocando exaustivamente o todo e destacando o detalhe, imprimindo sempre sua visão personalizada.

Tanto perseverou que, agora, num processo decorrente e natural, desvencilhou-se da rigidez da figura. Livre do rigorismo limitativo, mas fiel ainda ao seu devaneio temático, leva-nos a um passeio interativo pela sua trama criativa, enredando-nos na sutileza poética do azul dos céus límpidos, no clima feérico do vermelho das queimadas ao crepúsculo, no amarelo contundente dos sóis a pino, no quase-fetiche do verde corpóreo das canas e no emaranhado negro das palhas carbonizadas.

Isso tudo, com o mérito maior de quem atinge o limiar da magia: a linha divisória entre o inusitado e o palpável.

Em resumo, numa linguagem nova, Luisa aprendeu a retratar o seu quintal. E definitivamente, já pode pintar o mundo.

 

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