Palmer Bücker: "Arte é o que me move, o que me leva além da vida cotidiana, é ao mesmo tempo um momento introspectivo e de total abertura para o mundo, é onde me revelo."

O artista em seu studio

Nascido no Rio Grande do Sul e atualmente vivendo e trabalhando em São Paulo, o artista Palmer Bücker é um exemplo de como a força da arte é poderosa. Mesmo com carreira paralela em outra área, por ocasião de sua lua-de-mel em Paris, ele se depara com a obra “A Liberdade Guiando o Povo”, de Delacroix e também com os incríveis Jardins de Monet, em Giverny: isso absolutamente transformou a sua vida!

Vamos conhecer um pouco mais sobre o artista?

 

Quem é Palmer Bücker? Nos conte um pouco sobre você, sua personalidade.

Sou Palmer Bücker, nasci na região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, tenho 33 anos, e meu percurso tem Arte, um bom tanto de educação e uma pitada de gastronomia, uma construção com muitas fundações mas sempre em movimento. Há 20 anos moro em São Paulo e essa mudança de estado é um marco na minha jornada. Como vocês podem ver a gente vai fazendo e estudando tanta coisa e se transformando com o passar do tempo. Eu sou uma pessoa tranquila que procura enxergar beleza na vida e nas pessoas; acredito que a liberdade é uma das coisas mais importantes para mim.

 

Como e quando a Arte entrou em sua vida?

Desde a infância percebo a Arte presente na minha vida, na infância criei grandes histórias sozinho no quintal de casa e sempre soube que, de algum modo, meu caminho seria repleto de momentos extraordinários.

Um dos primeiros contatos que tive com a arte foi através da música, venho de uma família que toca : meu pai, meu irmão, minhas tias tocam algum instrumento musical e a música é das artes que me trazem muita emoção. Ah! Eu também me arrisco no piano! (risos)

Com a mudança para São Paulo pude ter mais acesso às artes plásticas e me lembro do exato momento em que me deparei com uma foto da obra “O impossível“ de Maria Martins, lembrar deste “encontro” me toca até hoje. A literatura chegou até mim de uma forma muito simples, uma querida amiga me emprestou uma revista onde havia uma matéria sobre Clarice Lispector e sua obra, naquele momento conheci mais uma de minhas musas.

Durante a adolescência tive a oportunidade de estudar francês e posso dizer que isso foi um divisor de águas na minha vida. As referências francesas surgiram, as escolas impressionista e expressionista, acompanhadas de Richard Serra, Djanira, Franz Kline se tornaram grandes influências e me levaram às artes plásticas.

Recentemente, durante minha viagem de lua-de-mel, tive a chance de ir a Paris e pude viver a arte francesa no Louvre, Museu D’Orsay, Fundação Claude Monet e os jardins em Giverny. Especialmente a obra “A Liberdade Guiando o Povo”, de Delacroix e os incríveis Jardins de Monet, em Giverny, exerceram uma grande influência sobre mim. Acredito que são esses os grandes momentos que me moldaram até aqui.

 

Sabemos que essa é uma pergunta nada fácil de responder, mas o quê é Arte para você?

Essa questão é tão particular. Para mim, a Arte é o que me move, o que me leva além da vida cotidiana, é ao mesmo tempo um momento introspectivo e de total abertura para o mundo, é onde me revelo. Um encontro com o mais secreto de mim.

 

Em que consiste o seu trabalho artístico hoje?

Minhas primeiras obras eram monocromáticas, o preto tomava conta de praticamente tudo. Meu amadurecimento como artista e todo repertório que venho construindo permite que hoje as cores apareçam e minha produção seja bastante diversificada. Olhando para trás tenho consciência que o Palmer do início, em alguma medida, ainda está em tudo que eu faço hoje. A magia está aí, a gente vai se reinventando sempre e admirando a trajetória. Amadurecido posso dizer que eu me deixo ser. Eu me permito.

 

Nos conte um pouco sobre o seu processo de criação

Quando comecei a criar o processo era frenético, minhas pinceladas eram mais rápidas que o meu pensamento, muito mais instintivo do que observador. Hoje percebo mais o tempo e passei a criar na varanda da minha casa, observando a tela, as tintas e pincéis, desenhando um esboço a partir de um rabisco e uma trilha sonora que acompanhe o ritmo do momento ora mais tranquila ora mais dançante e tudo acontece. Como todo trabalho, tenho períodos muito férteis em que eu produzo mais, outros momentos estou em maturação e o trabalho segue mais lento. Aprendi a respeitar meu processo, tempo e ritmos.

 

Por que escolheu a pintura como forma de se expressar? Fale um pouco sobre seus mestres, suas influências e inspirações

Não posso dizer que escolhi a pintura, ela que me escolheu. A vida tem destas coisas, não é mesmo?
Tento beber de várias fontes, conhecer o maior número de artistas e estar em contato com a maior variedade de estilos. Mas não posso deixar de citar meus grandes influenciadores: Matisse, Gauguin, Renoir, Monet, Van Gogh - como suas cores me influenciam! -,Tarsila do Amaral, Lygia Pape, Hélio Oiticica, finalmente, Djanira - tenho uma admiração quase de fã com seu trabalho.

 

Como foi seu caminho para chegar até aqui? Quais foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Arte?

Meu caminho foi um longo processo, uma estrada sinuosa e com grandes momentos. Como já citei, as artes paulatinamente foram tomando conta de mim. Mas sempre tive dentro de mim essa vontade e desejo. O tempo de espera, paciência e calma, geralmente, permite que as coisas aconteçam, o importante é se pôr em movimento.

Não costumo me cobrar resultado, busco um bom processo, acho que é aí que está o segredo pelo menos no meu ponto de vista.

Hoje em dia, já com alguma experiência de vida e experiência enquanto artista, quais você diria que são as características ou atributos mais importantes para se abraçar uma carreira em Artes?

A principal conexão tem que ser interna e isso não é simples ou fácil. Muitas vezes o percurso não é suave e brando, por vezes o árido é o protagonista mas tudo é tempo, experiência e estudo. Estar sempre com o canal “aberto“. Estar atento...dentro da Arte isso é fundamental.

 

Que conselho você daria para alguém que está apenas começando a dar os primeiros passos no mundo das Artes?

page3image184884896Estude, busque referências e aperfeiçoamento. Prática e perseverança. As coisas acontecem. Ser artista é um trabalho diário.

 

Onde mais você quer chegar? Nos conte um pouco mais sobre seus projetos, seus planos ou mesmo sonhos

Eu quero continuar minha formação e consolidar meu trabalho. Viajar, continuar buscando inspirações por aí. Um sonho? Poder me aperfeiçoar com os mestres brasileiros e estrangeiros.

 

Para conhecer um pouco mais o trabalho do artista visite aqui!!