Entrevistas

Claudio Edinger, um dos mais importantes fotógrafos do Brasil...

Claudio Edinger, um dos mais importantes fotógrafos do Brasil, nasceu em 1952 no Rio de Janeiro, filho de pai alemão e mãe russa. Reconhecimento internacional e incontáveis prêmios, do calibre do Prêmio Hasselblad, Prêmio Abril de Fotografia, One of The Year's Best Books (revista American Photo por Old Havana) e Prêmio Ernst Haas, acompanham esse fotógrafo pela grandiosidade e sensibilidade impressionantes em seu trabalho.

Bastante acostumado a expor em diferentes galerias ao redor do mundo, dentre elas no Maine Photographic Workshop, EUA; International Center of Photography, EUA; Galeria Arte 57, São Paulo; Casa 11 Foto, Rio de Janeiro e Photographer's Gallery, Londres; atualmente vive em São Paulo e, mesmo com a correria decorrente do trabalho e da abertura de sua mais recente exposição, Machina Mundi NYC, na Galeria Lume, que acaba de acontecer, Claudio Edinger reservou um tempinho para um bate papo rápido e delicioso com a DOMI que você precisa conferir..


Quem é Claudio Edinger? Tenho absoluta certeza que todos esses adjetivos maravilhosos recebidos ao longo dos anos, através inúmeros artigos e reportagens sobre você, dentro e fora do país, lhe fazem jus perfeitamente. Mas como você se definiria?
 
Sempre acreditei que todos temos extraordinárias possibilidades, somos o universo encapsulado em um indivíduo. Todos somos isso. Descobri que tinha temperamento de artista bem cedo. Com dez anos de idade fiquei de castigo no colegio Rio Branco em SP. Tive que escrever cem vezes no quadro negro que dali em diante iria me comportar bem. Comecei a escrever e de repente mudei a letra, mudei o tamanho, praticamente fiz uma instalação, cada repetição de um jeito. Na hora não me dei conta mas anos depois percebi que ali surgiu minha necessidade de criar, de descobrir até onde vão nossos limites, descobrir todas as possibilidades de um ato, de uma criação. Pratico meditação há mais de 45 anos, está tudo relacionado com o que faço. Sou isso, só mais um que não se conforma em ser apenas mais um. 


O que exatamente você faz ou no que consiste o seu trabalho hoje?
 
Meu trabalho é de pesquisa. Gosto de comparar a fotografia à medicina. Temos fotógrafos cirurgiões, clinicos gerais, oftalmologistas, etc. Eu adoro pesquisar estudar, procuro a cura para doenças incuráveis — que em filosofia é a tentativa de descobrir quem somos e que raios estamos fazendo aqui, nesta bola giratória, imensa mas que é uma partícula comparada com os outros planetas, flutuando no espaço.


Por que escolheu a fotografia como forma de se expressar? Fale um pouco sobre suas influências e inspirações
 
Desde menino li muito. Adoro ler, passei a adolescência lendo os clássico, criando fotogramas do que lia. A arte fotográfica é pura terapia, extraímos segredos de nosso interior que, confrontados por nós mesmos, nos curam. A fotografia tem esse poder. O tempo destrói todas as coisas. A fotografia é o antídoto.

Como foi seu caminho para chegar até aqui? Olhando para trás, além das suas conquistas e satisfações, quais foram seus grandes desafios?
 
Com 23 anos de idade mudei-me para Nova York. Tinha acabado de expor meu trabalho no MASP. Por que não levar o trabalho para expor lá? pensei. Não falava direito a lingua, não conhecia ninguém só sabia que queria fotografar. E fotografar o que eu quisesse, onde meu instinto me levasse, sempre tive dificuldades em obedecer os outros, sempre fui muito rebelde, pelo menos quando era jovem. Este geralmente é o tempramento arisco de um artista. Fiz trabalhos comerciais e estes foram muito úteis, serviram como laboratorio para colocar meus experimentos em pratica. O artista navega num mar de imprevisibilidades e isso sempre me motivou. Quanto maiores as dificuldades mais motivado eu fico. Claro diversas vezes fiquei desanimado. Tive momentos de grande aperto em Nova York. Morei no Hotel Chelsea dois anos sem pagar aluguel — dava fotos em troca para o dono do hotel.  Isso até publicar meu primeiro livro e conseguir trabalho para as revistas americanas.

Qual o conselho que você daria para alguém que está em início de carreira? Se você conseguisse resumir todo o aprendizado ao longo de sua carreira, em uma, duas ou três sugestões que gostaria de ter recebido quando era mais jovem, quais seriam essa(s) sugestão(ões)?
 
Estude muito. História da arte, da fotografia, poesia, literatura, música clássica. Pesquise muito, sempre. Produza muito. Entenda que a fotografia é muito ciumenta, não gosta de rivais. Exige total dedicação. Digo sempre que o fotógrafo é um gorila. Não adianta colocar uma fantasia numa girafa que ela não vira gorila. Ou se nasce ou não é. O jovem fotógrafo precisa resolver esta questão no início. Sou ou não fotógrafo? Se a respota for sim então esqueça o resto, saia para fotografar até encontrar seu rumo na fotografia. Vai aparecer. Converse muito com outros fotógrafos, mostre seu trabalho, esteja sempre aberto às críticas. Saiba quais críticas servem quais não. Quando fiz o livro sobre o Chelsea Hotel muitos fotógrafos me desencorajaram — "isso nunca vai virar um livro" diziam. Segui em frente porque acreditava nele. É preciso também entender que a fotografia é uma força da natureza, tem poder próprio. Se vc se alia a ela, ela cuida de vc, te dá ideias, te dá trabalho, a mágica entra em ação. Goethe diz que quando seguimos o coração, o universo conspira a nosso favor. Eu sou prova absoluta disso. 

Onde mais deseja chegar? Tirando todo esse legado que ficará no mundo para sempre, com esse trabalho incrível, sensível, generoso,... para onde mais seu coração de artista anseia te levar? Fale um pouco sobre algum grande sonho ou objetivo que deseja alcançar
 
Procuro o limite, a curva da Terra, onde nascem as nuvens, onde as estrelas se acendem. Quem faz meditação está à caça disso. Sabendo claramente que não há limites, que o mistério não tem solução. Quanto mais se descobre mais denso fica. Adoro isso. Adoro aprofundar a pesquisa. É só o que eu sei fazer. Não tenho um objetivo numérico. Meu objetivo é espiritual. Quando mais nos aprofundamos em qualquer coisa, mais descobrimos a essência do Universo. Não consigo imaginar qualquer outra forma de viver. Não trabalho, tudo o que faço, faço por imenso prazer. Quanto mais vc faz, como numa maratona em que fica facil correr, mais prazeirozo fica fazer, mais articulado vc fica. Tolstoy diz que sem saber quem somos é impossivel viver. Vivo em busca disso.
 
 
 
 
Para conhecer mais o trabalho do fotógrafo:  www.claudioedinger.com
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Antonio Costa: "O grande desafio é aprender, aprender, aprender, se reinventar."

A fotografia surgiu para Antonio Costa na década de 70 quando entrou no laboratório fotográfico dos jornais O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná, em Curitiba, ainda garoto. De lá para cá, a fotografia mudou e tem mudado muito, passando por diversos avanços, fazendo 'gigantes' desaparecerem do mercado com a chegada do digital e transformando a película em artigo raro e caro.

Conseguimos conversar com esse fotógrafo que vem atravessando décadas, acompanhando cada transformação da fotografia , bem como resistindo a cada uma delas com enorme dedicação e muita paixão através do tempo. Confira abaixo!

 

Quem é Antonio Costa? Para aqueles que ainda não te conhecem, como você se descreveria ?

Antonio Costa é um cidadão brasileiro, nascido em janeiro de 1964, na cidade de Maringá, noroeste do Paraná. Mas desde criança,radicado em Curitiba,capital do estado. Sou um entusiasta, um amante e curioso da fotografia, desde os doze anos de idade.

 

Como a Fotografia entrou em sua vida ou como você iniciou no caminho da Fotografia?

A fotografia entrou em minha vida pelas mãos de meu saudoso irmão mais velho Lucimar do Carmo, falecido em março de 2018. Ele era fotógrafo dos jornais O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná. O ano era 1976, novembro era o mês. O departamento fotográfico precisava de um auxiliar para ajudar os fotógrafos, varrendo e limpando o laboratório, além de receber as fotografias que vinham de fora do estado e do país, pelos sistemas conhecidos na época como telefoto, por linha telefônica e radiofoto, por ondas de rádio sintonizadas com as agências de notícias internacional UPI (United Press International) e AP (Associated Press) localizadas nos EUA. Fiquei dez anos na função até que em novembro de 1986, ganhei a oportunidade de sair para as ruas com uma câmera na mão. Fui promovido a repórter fotográfico.
 

Para você o que é Fotografia?

Fotografia para mim é paixão. Não sou mais repórter fotográfico ou fotojornalista, como a profissão é conhecida hoje na imprensa, mas a fotografia não saiu mais de mim. Até um simples movimento de nuvens é motivo para apontar a câmera.

 

Por que escolheu a Fotografia como forma de se expressar? Fale um pouco sobre suas influências e suas inspirações

Escolhi a fotografia como forma de expressão, por dominar a técnica, conhecer os equipamentos e nos últimos vinte e quatro anos, a revelação digital, os programas de edição. No início de carreira, época da película, minhas influências e inspirações vinham principalmente dos fotógrafos brasileiros que atuavam nos grandes jornais e revistas do Brasil. Ainda sou influenciado e inspirado pelo trabalho deles que já não atuam mais na grande imprensa nacional, mas a era digital trouxe novos talentos do Brasil e do exterior. Busco neles também a influência e inspiração.

 

Em que consiste seu trabalho hoje?

Não trabalho mais em veículos de comunicação e por este motivo, não me considero mais fotojornalista (claro que se eu estiver na rua com a câmera na mão, o fotojornalismo vai incorporar rsrsrsr). Meu trabalho hoje é mais sobre a luz que incide no local, na hora. Pode ser um final de tarde, pode ser um contraluz numa folha de alguma planta, pode ser um voo sincronizado dos pássaros, um minúsculo inseto, a textura de uma fruta ou flor...

 

Como a pandemia e a questão do isolamento social estão afetando o seu processo criativo?

O isolamento social é essencial, acredito que vamos superar isto. Enquanto a ciência não acha a cura, FIQUE EM CASA. É o que estou fazendo. Isso é novo, estranho para todos. Quem imaginaria viver um momento triste como este? Isso afeta o processo criativo, seja do fotógrafo, do escritor, do músico, do artista plástico. Eu uso como remédio para amenizar a ansiedade, além de cuidar da pequena horta que tenho na laje de casa. Queria viajar o país, outra grande paixão que eu trouxe dos jornais onde trabalhei. Mas fico em casa, busco a luz que bate nas folhas das plantas, busco o movimento das nuvens, o voo dos pássaros.
 

Quais você diria que foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Fotografia aqui no Brasil?

Hoje todo mundo fotografa. O grande desafio é aprender, aprender, aprender, se reinventar. Quando a fotografia digital veio para ficar na imprensa, vi colegas, mestres, se despedindo do ofício. Meu falecido irmão foi um deles, apesar das poucas vezes que tentei ajudá-lo, dizia que computador não era para ele. Fiquei triste, mas foi a opção que fez. Eu teimosamente ainda resisto rsrsrsr. Desejo me despedir deste mundo (espero que daqui a muito tempo ainda. Amo a vida, apesar dela ser cruel às vezes) bem velhinho e com uma câmera na mão, nem que seja um smartphone.
 

Considerando os seus anos de carreira, a sua trajetória profissional até o momento atual, quais você diria que são as características ou atributos fundamentais que um fotógrafo precisa desenvolver para atuar nessa área?

Paciência, paixão pelo que faz.

 

Que conselhos ou sugestões você daria para alguém que está apenas começando a dar os primeiros passos no mundo da Fotografia?

Estudar, ler, praticar, nunca parar de estudar, ler, praticar. Buscar em filmes, livros, exposições, quadros, a inspiração.

 

Onde mais você quer chegar? Nos conte mais sobre seus planos, sonhos ou projetos para o futuro

Aos 56 anos, quero mais é curtir o primeiro neto que está chegando agora em julho rsrsrsrsr. Mas tenho planos sim. Quero que a cura para este vírus que bagunçou 2020 chegue logo, para que eu possa percorrer meu país outra vez.

 

Para conhecer mais o trabalho do fotógrafo Antonio Costa visite aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Claudia Seber: "Mais do que mestres e influências específicas, as inspirações partem de uma alquimia pessoal e do mundo circundante. Tudo inspira quando ressoa em nosso ser."

Arteterapeuta, designer de jóias e Terapeuta Ocupacional de formação, Claudia Seber atua há mais de 20 anos no ramo da joelheira autoral, tendo se dedicado simultaneamente à criação e produção de jóias, adornos e ao ensino técnico das mesmas.

As esculturas surgiram com a ideia de mesclar a técnica da joalheria e o refugo da produção de joias, a diversos e inusitados tipos de metais recolhidos aleatoriamente pelas ruas e caçambas da cidade de São Paulo. Uniram-se a essa lista, vidro, mármore, madeira, enfim todo e qualquer material utilizado na composição artística das esculturas. A prioridade é sempre o material de descarte. A inspiração para as composições surge da fusão entre a Alma da Matéria e a Alma Singular dotada de conceitos e simbologias comuns a todo o Universo Humano. O cerne da produção não é a reciclagem, mas a ressignificação do mundo material compondo-o estética e simbolicamente, através da Arte.

Tivemos a chance de conversar com essa artista incrível que nos controu mais sobre sua arte, seu processo criativo e sobre como tem sido passar por essa fase de pandemia. Confira abaixo..

 

Quem é CLAUDIA SEBER? Para aqueles que ainda não te conhecem, como você se descreveria, como é sua personalidade, seus gostos, etc?

 

Poderia começar dizendo o que não sou! Obediente, resignada, concreta, preguiçosa... Definir-me é algo custoso diante da multiplicidade de papéis que assumo como uma mulher de 52 anos. No entanto, em comum nos papéis de filha, de mãe, de amiga, de mulher, de cidadã e enfim, de artista, existe uma pessoa muito focada e arraigada nas próprias convicções. Convencer-me de algo é bastante custoso e diante da premissa de que tudo pode sempre ser melhor, sou muito exigente, antes de tudo, comigo mesma. Claro que isso vem também de minha
educação, mas acredito que nossos encontros mais profundos e nosso autoconhecimento gerem consequências e uma delas é sem dúvida a nossa solitude muitas vezes confundida com isolamento e solidão.

 

Gosto de preservar meu espaço, minha individualidade, minha forma de viver a vida, minha bicicleta, minhas viagens de aventura, meus amigos, meu atelier, meu trabalho, enfim tudo a que me dedico com um sentimento e uma intenção exponenciados.

 

Nos conte um pouco sobre como a escultura entrou na sua vida ou como você entrou para a escultura


Crises superadas são sempre a melhor forma de despertarmos para novos caminhos e realidades. Em última instância, para um auto despertar. Ao olharmos para trás é fácil compormos nossa história e compreendermos nosso momento presente. Juntar e trabalhar com o refugo da joalheria de uma forma diferente e em uma dimensão bem maior do que a joia, ocorreu em paralelo a um período muito desafiador da minha vida. Mais tarde e após minha pós graduação em arteterapia compreendi que minha insatisfação também profissional tinha sido reciclada e
ressignificada não só pelo uso que dei ao “resto” do material da joalheria, mas igualmente ao novo trabalho que surgia a minha frente. Incorporar novos materiais às esculturas foi apenas uma questão de tempo, conservando sempre a premissa do descarte e da ressignificação. Pessoal e profissionalmente ressignificar passou a ser
o cerne das minhas produções. A alquimia da transformação da arte surge quando adicionamos intenção e afeto ao
mundo material disponível ao nosso redor.

 

O que é escultura para você?


Em 1994 fiz uma viagem ao Nepal, mais especificamente ao Campo Base 1 do Everest. As pequenas vilas de moradores, encravadas nas inóspitas e deslumbrantes montanhas, eram um misto de cores, cheiros, movimentos e vida. As bandeiras de oração budistas estavam por todos os lados e inesperadamente cruzávamos por elas nos lugares mais distantes e inesperados. A imagem do vento as balançando e espalhando suas bênçãos aos quatro cantos do mundo responde a sua pergunta. 

O que é a escultura para mim? A brisa mais doce e suave que poderia passar pela minha vida. O meu combustível. A minha essência. A minha razão de estar hoje aqui. Percorri muitos caminhos e invariavelmente todos eles, tortuosos ou não, convergiriam para me tornar a pessoa e profissional que sou hoje.

 

Por que você escolheu a escultura como forma de se expressar? Fale um pouco sobre seus mestres, suas influencias e inspirações


A escultura exige conhecimento e rigor técnico na composição de materiais muito divergentes entre si. Poderia dizer que uso a técnica de assemblage, mas não me contento com as fixações simples, com as bases prontas, com o caminho fácil. Há nelas um misto da técnica da joalheria, da metalurgia, do trabalho com vidros, madeira, plástico, dentre outros. 

Em meados dos anos 90 trabalhei com um engenheiro em uma oficina de adaptações para portadores de deficiências físicas e diria que esses anos foram uma imersão no mundo do conhecimento técnico, de máquinas, ferramentas, materiais, enfim da concepção e concretização de produtos. Incorporei a todo conhecimento técnico adquirido, emoção, ideia, conceitos, cores, movimento, mas acima de tudo intenção. E assim surgiram as esculturas, muitos e muitos anos mais tarde, numa dimensão bem diferente da joia. 

Mais do que mestres e influências específicas, as inspirações partem de uma alquimia pessoal e do mundo circundante. Tudo inspira quando ressoa em nosso ser. 

Mas posso dizer que tenho duas paixões. Leonardo da Vinci e Salvador Dali, mais especificamente suas pequenas e menos conhecidas joias em forma de esculturas.

 

Em que consiste seu trabalho hoje? Nos conte um pouco mais sobre suas esculturas afetivas ou sobre a relação do seu trabalho com a joalheria


Vim da joalheria no que diz respeito à técnica e a relação com os metais. Ainda hoje executo joias, mas não crio e produzo na escala que o fazia anteriormente. Adoro desafios e um deles é conseguir concretizar exatamente o que o cliente deseja, seja com o trabalho na bancada, fundição ou impressão 3D.  Precisei ampliar e continuar estudando modos de produção. 

Hoje atendo clientes de joias em meu atelier e paralelamente trabalho nas esculturas, não apenas na elaboração, mas na divulgação, estudo, participação em workshops de arte, palestras, exposições, enfim, na consolidação desta vertente de meu trabalho. 

As esculturas afetivas surgiram com ideia de materializar e construir esculturas para terceiros. O cliente fornece os objetos e materiais importantes e significativos de sua vida, sua família e após uma longa conversa onde abordamos os gostos, história dos objetos, relação afetiva com eles, intenção com a escultura, dentre outros, eu apresento um projeto, uma ideia e uma vez aprovado, executo a escultura. Horas de conversa e histórias afetivas surgem durante esse processo. E o trabalho de mergulhar e compreender o desejo do cliente é um tanto desafiador.

 

Como a pandemia e a questão do isolamento social estão afetando seu processo criativo?


O processo criativo em si tem transcorrido na verdade sem alteração. Tudo pode nos inspirar e se partimos do princípio simples de que a vida, quaisquer que sejam seus desdobramentos, é a grande fonte de inspiração, com a pandemia em si não seria diferente. A inspiração está na RELAÇÃO e essa é a grande descoberta. Caso contrário perdemos muito tempo em coisas externas, em busca de modelos, de referências. Tudo pode nos bloquear. Mas tudo pode igualmente nos inspirar.
 

A pandemia foi um desafio na operacionalização das esculturas. Adaptei um pequeno atelier em minha lavanderia e me vi buscando formas diferentes de concretizar determinadas etapas. Furei materiais com ferro incandescido no fogão ao invés de broca, usei o varal para secar algumas pinturas, expus cimento ao sol... E esses sim foram os grandes desafios. Afinal, se minha premissa é de que A ARTE É FAZER DO NADA ALGUMA COISA, eu estava apenas fazendo a lição de casa!

 

Quais você diria que foram e ainda são os seus grandes desafios para trabalhar e viver da escultura?


Viver da escultura significa encará-la como um produto também comercializável. Estou mais focada nesse aspecto e com a pandemia houve uma parada nas exposições presenciais, circulação, etc. Mas abriram-se novas plataformas de marketplaces, galerias on-line, concursos de arte e tenho me dedicado a isso. Precisamos estar sempre circulando nosso trabalho e correndo atrás dos objetivos, qualquer que seja o ponto em que estejamos.  

Outro aspecto muito importante de meu trabalho é o processo criativo em si. Como arteterapeuta, meu sonho é abrir o atelier para aulas, workshops e isso talvez tenha que ser postergado mais para o final do ano. Concretizá-lo, juntamente com a circulação e expansão das esculturas são os meus objetivos atuais.

 

Considerando sua trajetória profissional até o momento atual, quais você diria que são os atributos ou as caracter'sticas fundamentais que um artista precisa desenvolver em sua carreira?

 

Tendemos a encarar a arte apenas como inspiração...Muitos a veem assim. Determinação, foco, persistência, estudo, mas acima de tudo metas a serem atingidas e por quais caminhos seguir são fundamentais na construção e
manutenção da nossa atuação profissional como artista. O processo de criação é estritamente pessoal, porém o produto em si, seja um quadro, uma escultura, um livro, um filme, se não divulgados e inseridos no mundo,
funcionam como auto expressão. Se desejamos viver da arte, precisamos construir as condições e persistir. Persistir sempre.

 

Que conselhos você daria para alguém que está começando a dar os primeiros passos na escultura?


Escultura é algo muito amplo e sua definição clássica pressupõe estudo de volume, ocupação de espaço, técnica de modelagem, remoção de material, dentre outros. Como trabalho com Assemblage, ou seja, com a composição de diversos materiais, o primeiro ponto é descobrir e familiarizar-se com os materiais que evocam emoção e despertam vontades. Vontade de conhece-lo, de tocá-lo, de percebe-lo, de senti-lo. Algumas pessoas se paralisam diante do metal, do vidro, do fogo. Outros não gostam da sensação da argila fria e mole e por aí vai.

Descobrir o nosso canal de expressão é o primeiro ponto. A partir disso vem o conhecimento da técnica relativa ao material, o estudo, a dedicação, mas acima de tudo a prática constante.

 

Onde mais você quer chegar? Nos fale um pouco sobre seus planos, sonhos e projetos para o futuro


A referência para sonhar e tecer planos para o futuro baseiam-se no que vislumbramos como possibilidades e no que vemos ao nosso redor. Gostaria de passar por algumas experiências, como por exemplo participar de uma
grande feira de Arte como a SP – ARTE, organizar uma exposição individual com minhas esculturas, ambientada de forma a expor os processos de produção, materiais utilizados e conceitos nelas envolvidos, ganhar um prêmio de Arte de alguma instituição de destaque e abrir um centro de Arte e Expressões Criativas. Por fim e o mais importante, persistir sempre.

 

“Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha.” (Confúcio)

 

Conheça mais os trabalho da artista Claudia Seber aqui

 

 

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Wilian Olivato: "Fotografia é uma expressão, uma linguagem..."

Wilian Olivato nasceu em Igaraçu do Tietê, interior de São Paulo, se graduou em jornalismo pela Unesp em Bauru e fez da fotografia sua principal linguagem de trabalho. De 2009 até agora já fotografou como freelancer para agências de fotografia, artistas, agências de publicidade e também em projetos documentais dentro e fora do país.

Com pouco mais de uma década fotografando profissionalmente, mas já com alguns prêmios e exposições importantes no currículo, como ‘Save The Children Latin America’ e ‘Paraty em Foco’, Olivato transborda energia, experiência, conhecimento e ainda consegue combinar tudo isso com uma sensibilidade no olhar nada comum de se ver por aí.

Confira abaixo o delicioso bate-papo que tivemos com o fotógrafo, que nos contou sobre sua carreira, desafios e projetos para o futuro.

 

Quem é Wilian Olivato? Para aqueles que ainda não te conhecem, como você se descreveria ?

Sou jornalista de formação, mas a fotografia está na minha vida antes do jornalismo. Já são mais de 10 anos fotografando profissionalmente. Antes disso, sou marido, pai de 3 meninos, apaixonado pela música, poesia e principalmente por gente.

 

Nos conte um pouco sobre como a Fotografia entrou em sua vida ou como vc entrou para a Fotografia?

Sabe aquela historia do tio fotógrafo da família? Pois é, eu tive um. Sempre com uma camera por perto. Mas fui me aproximar realmente dela qdo trabalhei na redação de um jornal em Igaraçu do Tietê, minha cidade natal. Na extinta Folha do Vale conheci 2 fotógrafos, vivenciei um pouco da rotina ainda com filmes e um pouco do início do digital.

 

O que é Fotografia para você?

Fotografia é uma expressão, uma linguagem. Pra quem é profissional é ferramenta também, mas jamais deixa de ser essa forma de se expressar.

 

Por que escolheu a Fotografia como forma de se expressar? Fale um pouco sobre seus mestres, suas influências e inspirações

Mesmo nesse tempo em que o video ganha protagonismo, eu vejo a fotografia como algo diferente. Essa ideia de recortar o tempo, um instante. Mesmo romantizada é algo que fala muito comigo pois permite uma interpretação de quem vê.

 

Em que consiste seu trabalho hoje?

Hoje tenho duas frentes de trabalho. Um com retratos, publicidade e editorial e uma outra empresa onde fotógrafo casamentos.

 

Como a pandemia e a questão do isolamento social estão afetando o seu processo criativo?

Afetou de forma bem significativa. As produções praticaram pararam, viagens e tudo mais.
Editei um material que estava sem edição, revisitei algumas coisas antigas e isso é sempre bom. Também aproveitei pra fotografar minha familia, testar luzes...

 

Quais vc diria que foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Fotografia?

Construir uma linguagem que atenda essas varias demandas dentro da fotografia é sempre o maior desafio. O mercado tem muita oferta de fotógrafos, e muito gente boa, fazendo trabalhos incríveis. Então se manter exposto, produzindo é importante.

 

Você ainda é  bastante jovem, mas considerando a sua trajetória profissional até o momento atual, quais vc diria que são as características ou atributos fundamentais que um artista precisa desenvolver?

Levando em conta que cada vez mais cedo temos profissionais no mercado, acho que não sou tão jovem assim (risos). Mas habilidades de realcionamento, network, atendimento, a meu ver são quase mais importantes que a técnica fotográfica em si. Hoje você entra no youtube e tem milhares de workshops e tutoriais pra aprender a fotografar. Mas os mais inexperientes muitas vezes não sabem fazer a leitura de um trabalho, em como atender ou apresentar o próprio trabalho por exemplo.

 

Que conselhos ou dicas vc daria para alguém que está apenas começando a dar os primeiros passos no mundo da Fotografia?

Alem de estudar, obviamente. Eu diria pra investir no repertorio, ver muita fotografia, ler, ver muitos filmes, pensar a luz das cenas. E claro, clicar, testar, errar, tentar de novo.

 

Onde mais vc quer chegar? Nos conte mais sobre seus planos, sonhos ou projetos para o futuro.

Eu estou abrindo um estudio no interior agora. Devo inaugurar logo após a pandemia. Em Sao Paulo, pretendo seguir com produções para agencias e retratos.
E uma coisa que caminha em paralelo é a produção de impressoes em fineart que devo começar a fazer em breve. Já fiz uns testes, mas quero apresentar isso de forma mais consistente.

 

Conheça mais o trabalho do fotógrafo aqui. 

 

 

 

 

 

 

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Maria Stefanon: "A arte nos torna mais humanos. Ela nos faz ver o invisível, sentir o que não é tangível."

Desenho, pintura e poesia estão entre as grandes paixões de Maria Stefanon. Aliás, o gosto pela Arte sempre acompanhou essa artista capixaba que nunca se viu fazendo outra coisa que não tivesse relação com ela. Combinando personalidade forte com um jeito meigo de ser, essa artista e professora de Artes ostenta uma produção intensa, dedicada, coleciona diversas exposições, alguns prêmios e também tem seu trabalho fazendo parte de acervos.

Tivemos a honra de conversar e conhecer um pouco mais essa artista cheia de energia criativa que nos contou um pouco sobre sua carreira, seus desafios, sobre como tem sido criar em tempos de pandemia, sobre o papel do artista na sociedade e muito mais. Confira abaixo!

 

Quem é Maria Stefanon? Para aqueles que ainda não te conhecem, como você se descreveria? Fale um pouco de sua personalidade, dos seus gostos

Eu diria que sou a somatória de todas as minhas vivencias e experiencias: minha família, meu trabalho, meus posicionamentos  perante os acontecimentos que me rodeiam  e que encontrou na arte uma forma de ler e reler o mundo q me cerca.  Divido-me entre meu trabalho de ateliê e meu trabalho como professora de artes. Durante muito tempo mantive alunos em meu ateliê mas ultimamente tenho optado por manter meu ateliê somente para meu processo de trabalho.. Gosto de socializar, mas diria que aprecio muito os momentos comigo mesma. Venho de uma família grande e como neta de italianos amo o convívio familiar, por isto, nas  horas vagas como moro em uma chácara, cuido das minhas plantas , aprecio a companhia de minha família e de meus cachorros ou tomo um bom vinho.

 

Nos conte um pouco sobre como a arte entrou em sua vida ou como você entrou para a Artes. 

Sou artista por formação, pela UFES fiz Artes Plásticas e anos depois me formei em Artes Visuais, mas antes de mais nada sou artista de alma e coração, nunca me vi fazendo outra coisa que não tivesse relação com a arte. Quando criança gostava de pintar, desenhar, fazer poesia... no secundário como não haviam cursos específicos de arte em minha cidade acabei fazendo desenho arquitetônico, o que rapidamente descobri não ser a minha praia.. Rsrrs Resolvi então fazer vestibular para Artes Plásticas e foi onde me encontrei.

 

O que é arte para você?

Eu sempre digo que a arte, e o artista consequentemente, são como uma antena que captam o mundo e muitas vezes adiantam o que está por vir. A arte nos torna mais humanos. Ela nos faz ver o invisível, sentir o que não é tangível.

Porque escolheu a pintura como forma de se expressar? Fale um pouco sobre seus mestres, suas influencias e inspirações.

Quando entrei na universidade tive contato com várias práticas artísticas: escultura, joalheria, cerâmica, fotografia, mosaico, desenho, e pintura. Em alguns desses, como fotografia e joalheria por exemplo, me identifiquei bastante e ao terminar meu curso cheguei a trabalhar um período com fotografia, que me fascinava bastante, mas foi a pintura que me tocou, pela expressividade da cor e da forma. Gosto da plasticidade das tintas, de senti-las correndo pelo pincel, da mistura e dos encontros.  Utilizo o desenho no meu trabalho sempre acompanhado da cor. Quanto aos meus mestres e influências, tenho admiração por grandes artistas ,não falarei de todos mas alguns me marcaram: Edelson Caetano (in memorian) grande artista e companheiro de uma jornada de quase 20 anos que deu exemplo de ética e persistência na arte, Rosindo Torres com sua dialética e trabalho impecável, Carlos Fajardo com sua técnica  com quem fiz curso no início de minha formação. Dentre as minhas inspirações estão Frida Kahlo , Van Gogh, Yayoi Kusama ,  Munch,  Max Ernest, Ismael Neri .

 

Em  que consiste seu trabalho hoje? 

Venho desenvolvendo uma pesquisa de trabalho com ninhos de pássaros,  recolhendo a algum tempo ninhos que caem das arvores e quero estabelecer uma relação de afeto e memória com o mundo em que vivemos: Nossas relações familiares e a similaridade com esses ninhos e suas histórias.  Continuo pintando minha série que chamo de paisagens imaginárias onde crio paisagens e ambientes in_existentes .

 

Como a pandemia e a questão do isolamento social estão afetando o seu processo criatividade?

Bom, eu moro em uma chácara então não me sinto presa de forma alguma, nunca fui de sair muito, a não ser por questões de trabalho ou viagem. Meu processo de trabalho não mudou, continuo produzindo, mas certamente tenho tido que lidar com a ansiedade e tristeza pelas vidas perdidas nesta pandemia e a incerteza em relação à quando isso tudo vai acabar,. Estou aprendendo a me comunicar por lives com amigos e artistas o que é sem dúvida uma novidade para mim.  

 

Quais vc diria que foram ou ainda são seus grandes desafios para  trabalhar e viver de arte?

Considero que é realmente um desafio viver exclusivamente de arte no Brasil, por isto produzir arte para  mim sempre passou primeiro pela questão do prazer e da necessidade interna. Acredito que a internet facilitou bastante a divulgação e comercialização para os artistas, e  é um mercado que estou aprendendo a utilizar. Sempre tive e desenvolvi atividades paralelas, mas hoje posso dizer que tenho começado a ter um retorno financeiro, o que ainda não me permite abandonar meus outros afazeres.

 

Considerando a sua trajetória profissional até o momento atual, quais vc diria são as características ou atributos fundamentais que um artista  precisa desenvolver para seguir uma carreira dentro das artes?

Acredito que é importante a seriedade e compromisso com seu trabalho, pesquisar sempre, buscar aprimorar não só a técnica como também o seu discurso, ou seja, entender as razoes pelas quais vc produz e para que.

 

Que conselhos ou dicas vc daria para alguém que está apenas começando a dar os primeiros passos no mundo da arte?

Trabalhe incessantemente, seja honesto consigo mesmo, busque entender as razões pelas quais você produz a sua arte, leia bastante  e não desista. E como diria Rainer Maria Rilke, "uma obra de arte só é boa quando nasce por necessidade". 

 

Onde mais você quer chegar? Nos conte mais sobre sus planos, sonhos ou projetos.

Quero expandir meu trabalho para outros lugares, outros países, expor mais, realizar parcerias com artistas e galerias aqui e fora do Brasil.

Enfim... quem sabe um dia, viver única e exclusivamente da minha arte... sonho bom, não é mesmo?

 

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Tom Miyasaka: "É através da arte que a gente enriquece nossa mente e aperfeiçoa nossa alma."

Filho de imigrantes japonêses, Tom Miyasaka, esse artista brasileiro de 62 anos, é formado em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado, e trabalhou a maior parte de sua vida adulta em projetos de Comunicação Visual e Design Gráfico.

Artista plástico tardio, suas primeiras obras começam a datar de 2006, uma vez que toda a experiência adquirida no período do Design, foi lhe encaminhando naturalmente para a pintura digital.

Com seus trabalhos  selecionados em duas oportunidades no 3º e 4º Salão de Outono da América Latina e ainda 3 participações com outros 6 trabalhos no Grande Salão de Arte Bunkyo, inclusive recebendo Medalha de Ouro na categoria Arte Contemporânea em 2015, Tom Miyasaka vem traçando com determinação seu caminho nas Artes.

Confira abaixo o delicioso bate-papo que tivemos com ele..

 

Quem é Tom Miyasaka? Para aqueles que ainda não te conhecem, como você descreveria sua personalidade, seu jeito de ser?

Sou o resultado do conhecimento que acumulei até o momento e dos sentimentos que compartilhei com as pessoas com quem me relacionei. Estou sempre aberto a conhecer ideias e opiniões que divergem das minhas ou que mostram o outro lado das questões porque conhecer as coisas em sua complexidade é muito mais enriquecedor, mais verdadeiro. Ao contrário de uma visão simplista e unilateral que é reducionista e geralmente incompleta.

 

Nos conte como a Arte entrou em sua vida ou como você entrou para as artes?

Na casa onde eu cresci, tinha uma pintura, um pequeno quadro que meu pai comprou quando ele ainda era jovem. Era uma paisagem com um lago, uma casinha na margem, araucárias e montanhas ao fundo. Ficava observando esse quadro, as pinceladas. Também ví muitas imagens de arte japonesa em nanquim. E tinha um livro da Divina Comédia do Dante com ilustrações do Gustave Doré. Admirava aquilo tudo e aquilo me motivou a desenhar. Tudo isso foi despertando em mim o interesse pela Arte, não só as artes plásticas, mas todas as formas de arte. Daí, fazer mais tarde escola de arte foi um caminho natural.

 

O que é arte para você?

Não saberia definir. Sinto que a arte amplifica a percepção que a gente tem do mundo. Isso acontece através da nossa apreciação das diferentes linguagens que os artistas se utilizam pra se manifestar e comunicar suas visões de mundo. Algumas dessas linguagens, como a música, por exemplo, são mais universais, outras dialogam com públicos menores. Tem arte de todo tipo e pra todo mundo. Pra mim, é através da arte que a gente enriquece nossa mente e aperfeiçoa nossa alma.

 

Por que escolheu a arte digital combinada com a pintura como forma de se expressar? Fale um pouco sobre seus mestres, suas influências e inspirações

Nem sempre trabalhei com arte. Depois da faculdade de artes, fui trabalhar com publicidade e comunicação visual onde utilizava ferramentas digitais pra produzir o meu trabalho. Anos mais tarde, quando comecei a criar meus primeiros trabalhos, utilizar as ferramentas digitais que eu já dominava foi uma escolha natural.

Tem muita gente que influenciou o meu trabalho. Diferentes artistas em diferentes fases da minha vida. Joán Miró, Jackson Pollock, Rauschemberg, Tomie Ohtake, Rothko, Andy Warhol, Henri Moore, Jean Arp, Mondrian, entre tantos outros. Gosto muito dos caras que fazem arte Wabi Sabi. E tem também uma 'pá' de artistas de outras áreas como da música e da literatura que influenciaram profundamente a minha formação.

 

Em que consiste seu trabalho hoje?

Apesar de trabalhar com arte digital, sinto-me como um pintor, só que as ferramentas que utilizo não são a tinta e o pincel. Vou pro computador e começo a "pintar". Escolho alguma forma que tenha uma plasticidade que me atraia, que seja instigante, rica nos detalhes ou nas texturas e tenho aí um tema para o quadro. O trabalho é quase sempre o resultado de um processo de acrescentar "pinceladas" (como na pintura convencional) e editar formas, cores, luzes e texturas buscando encontrar um equilíbrio ou um encontro entre a organicidade das formas e uma racionalidade mais cartesiana. Nunca sei de antemão qual será o resultado final e muitas vezes o mote original se dilui ou se transforma ao longo desse processo de criação. Gosto de pensar que é meio como no jazz.

 

Como a pandemia e a questão do isolamento social afetaram o seu processo criativo?

Não afetaram meu processo criativo. O isolamento subverteu de maneira radical o cotidiano de todo mundo e, se não bastasse a tragédia em sí, aqui no Brasil a gente ainda tem que lidar com questões políticas sérias. A pandemia me afeta como pessoa e como cidadão. Fico alarmado, paranóico, inseguro, revoltado, mas não afeta meu trabalho criativo. Talvez porque ele seja essencialmente abstrato. Imagino que artistas figurativos devem se sentir meio compelidos a contextualizar suas criações a esse momento que estamos vivendo.

 

Quais vc diria que foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Arte?

Preciso que mais pessoas conheçam meu trabalho. Acho que preciso estar mais presente nas redes sociais e divulgar meu trabalho.

 

Considerando o seu caminho ou sua carreira até aqui, quais você diria que são as características ou atributos fundamentais que um artista precisa desenvolver?

Acho que o artista tem que ter a mente aberta, ser ávido por conhecimento e se desenvolver tecnicamente.

 

Que dicas você daria para alguém que está apenas começando a dar os primeiros passos no mundo das Artes?

Acho que cada artista precisa descobrir seu próprio caminho. Ele não tem que saber de cara aonde pretende chegar, mas deve seguir seu instinto e escolher a direção que quer seguir. E por a mão na massa. A gente logo descobre que o fazer é um processo aberto que vai revelando conhecimentos que a intenção original não tinha como supor. Ao mesmo tempo, ver tudo o que puder, ler tudo o que puder, conhecer e abraçar o universo de conhecimento que pavimenta esse caminho. Ele então começa a entender porque se identifica e sente empatia por determinadas visões de arte, determinados artistas, determinadas obras, ou seja, vai descobrindo em que lugar se situa. Acho que é assim, o cara começa a pensar arte e a se tornar um artista. 

 

Onde mais você quer chegar? Nos fale mais sobre seus planos, sonhos ou projetos para o futuro

O que mais quero é continuar criando e evoluindo. Acho que isso já vem sendo realizado, então o que desejo agora e pro meu futuro é disseminar meu trabalho pra mais gente.

 

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Eulália Pessoa: "Entendi que o importante é apenas e exclusivamente o fazer artístico. Nada mais importa."

Num primeiro momento, uma explosão intensa de formas e cores vibrantes, quase um convite para uma eterna festa é o que capta o olhar do expectador que se depara com a obra da artista Eulália Pessoa. Mas as cores fortes, os traços precisos, as texturas em recortes, em um olhar mais atento, não deixam a menor dúvida: cada trabalho da artista é, na verdade, um intrincado mosaico de imaginação, memórias e sentimentos que a artista “costura” cuidadosamente para resgatar sua história e sua essência, revelado em seu estilo.

Nascida no interior do sertão cearense, Eulália passou a morar com os tios em Teresina após o falecimento de sua mãe, com apenas 3 anos de idade. Desde muito cedo se interessou pelas Artes. Se formou em Nutrição e em Artes Visuais. Já teve suas obras expostas em Teresina, São Paulo, assim como nos países Áustria, Tailândia, China, Itália, República Dominicana.

Conseguimos encontrar a artista para uma deliciosa conversa, que nos contou mais sobre sua personalidade, sua arte, seus dilemas e seu planos para o futuro. 

 

Quem é Eulália Pessoa? Nos conte um pouco sobre sua personalidade, seu jeito de ser enquanto artista e profissional das artes

Penso que em qualquer área criativa, a bagagem pessoal de cada um, é força motriz para sua obra. Seus sentimentos, emoções e experiências. E aí vão as alegrias, tristezas, conquistas, decepções, tudo. Coisas boas e coisas ruins. Eu transformei algo que a princípio é motivo de tristeza para a maioria das pessoas, que é o fato de ser órfã de mãe, em algo vibrante, colorido, imaginativo. Claro que para mim é uma experiência triste, mas o amor maternal que não tive me fez querer buscar algo mais positivo, mais feliz. Esse é meu compromisso com a arte, ser honesta e verdadeira com minhas emoções e transpô-las para as telas, de uma forma muito serena, tranquila e com uma boa dose de felicidade.

 

Como e quando a Arte entrou em sua vida?

Desde criança já mergulhava num mundo imaginativo com lápis e papel, como praticamente toda criança. Só que isso nunca me abandonou. Ou eu que nunca deixei isso escapar de minha vida. A leitura e admiração por livros e enciclopédias de artes também foram fundamentais nesse processo de descoberta que eu encontrava na biblioteca de casa. Sempre tive habilidades manuais um pouco acima das minhas irmãs. Sempre fiz tudo: costurava de roupas a bolsas, fazia minhas próprias bijuterias, na cozinha fazia de pratos salgados a bolos, mexia com madeira, argila e sempre desenhei. Mas me graduei na área de saúde e segui carreira como nutricionista. Após anos na profissão senti necessidade de lidar com meu lado criativo e fiz uma nova graduação em Artes Visuais e abandonei a profissão anterior e sigo pintando até hoje.

 

Em que consiste o seu trabalho artístico hoje?

Praticamente a pintura em tela é 95% do que faço e nelas expresso a tentativa de encontrar a figura de minha mãe, já que a perdi ainda criança e não tenho nenhum fragmento de memória da imagem dela. Ela está presente em 100% de minha série “Mulheres”. Sempre é ela. E ao mesmo tempo, são todas as mulheres desse mundo. As mulheres belas, cultas, trabalhadoras, corajosas. O que muda são as situações e motivos da pintura, como roupas, locais, etc. Essa será, talvez, uma busca sem previsão de algum encontro definitivo.

 

Por que escolheu a pintura como forma de se expressar? Fale um pouco sobre seus mestres, suas influências e inspirações

O deslizar do pincel e da tinta numa tela me provocou uma atração muito forte. Apesar de ter experimentado diversas técnicas, como escultura em cerâmica, talha em madeira, xilogravura e grafite, o que realmente me conquistou foi a tinta sobre tela. Minha concentração ao pintar a grande quantidade de detalhes me transporta para outro lugar. Quanto mais detalhe, mais tempo pintando, mais eu gosto. Viajo e me encontro dentro dos meus traços e cores. É um lado romântico do ofício, em certa medida como era a vida de Modigliani, totalmente devotado à sua arte, repleta de amor, poesia e sofrimento. Sua reprodução constante da figura humana é uma característica também no meu trabalho. Assim como a exacerbação do detalhe e padrões era uma característica de Gustav Klimt, que admiro bastante e me aproprio e reproduzo também em minha obra.

 

Como foi seu caminho para chegar até aqui? Quais foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Arte?

A arte tem sido muito generosa comigo. Tenho tido respostas e motivações bastante amigáveis do universo artístico e até mesmo inesperadas. Antes de todas as questões que envolvem “viver de arte”, o que mais me completa é a felicidade de ser artista e poder pintar o que pinto. A liberdade real e absoluta de fazer o que mais me realiza, que atende minhas necessidades vitais. Não busco reconhecimento nem sucesso financeiro com o que faço. Pintar me move para um caminho que gosto bastante, um caminho que não identifico com muita clareza, mas que me provoca as melhores sensações que já experimentei até hoje.

 

Nos conte um pouco sobre como está sendo seu período de isolamento social durante essa pandemia

Como moro já há algum tempo numa fazenda isolada com acesso totalmente limitado, minha rotina já era de distanciamento e de dedicação quase integral à pintura, que divido apenas com pequenas tarefas domésticas, como cozinhar e cuidar das minhas plantas. Tenho mantido o mesmo ritmo de pintar que é como uma necessidade diária, como beber água, me alimentar, dormir.

 

Com uma certa experiência de vida e experiência enquanto artista, quais vc diria que são as características ou atributos necessários para abraçar uma carreira em Artes?

Entendi que o importante é apenas e exclusivamente o fazer artístico. Nada mais importa.  É manter-se em estado de fidelidade e honestidade com sua obra. As realizações financeiras, prestígio ou reconhecimento poderão surgir ou não, mas não são essas coisas que deveriam mover um artista. Eu vivo um pequeno dilema: se pudesse, não venderia nenhuma obra minha, ficaria com todas. Mas como iria guardá-las? Como pagaria minhas contas?

 

Que conselho que vc daria para alguém que está apenas começando no mundo das Artes?

Faça, faça e faça. Não deixe de fazer. Não pare. Não desista. Faça pra você e apenas você. Admire e critique seu próprio trabalho. Carregue paixão e honestidade na mesma medida.

 

Onde mais vc quer chegar? Me fale mais sobre seus projetos, seus planos ou mesmo sonhos

Quero pintar mais. Ter ainda muito tempo pela frente para pintar mais. Materializar toda minha imaginação em telas, tentar representar a memória de minha mãe das formas mais lindas que eu achar.

 

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Bruno Neves: "ser um artista é mergulhar profundamente dentro de si mesmo..."

Esse mês a DOMI teve o imenso prazer de conversar e conhecer um pouco mais com o paulistano e autodidata Bruno Neves, que tem uma relação apaixonada e visceral com a Arte. Com estilo notoriamente essencialista e minimalista, permeando entre conceitos polarizados de técnicas e estéticas, o jovem artista mergulha nas profundezas de si mesmo em busca da simplificação e purificação das formas e das cores para expressar tudo aquilo que necessita. Confira abaixo como foi nossa conversa…

 

Quem é Bruno Neves? Como vc próprio se definiria para as pessoas que ainda não o conhecem?

Diria que é alguém que observa mais do que fala. Diria também que se trata de uma pessoa que aprecia um bom whiskey, a companhia de grandes amigos e mestres, uma paisagem qualquer que lhe dê inspiração. Aprecia o tempo e a vida, e vive como uma pessoa comum. 

Uma curiosidade boba ao meu respeito é que eu tento viver como o Affonso Reidy (arquiteto modernista) tinha imaginado que poderia ser a vida do povo do Rio de Janeiro: Vida, arte e trabalho conectados em um ambiente onde a natureza floresce junto com o ser humano. 

 

O que é ser artista para vc? 

Olhando pelo lado romântico, creio que ser um artista é como ser uma espécie de "santo", só que sem a santidade. É como carregar uma cruz, um fardo que pode ser pesado, porém, é bom.

De maneira mais objetiva, ser um artista consiste em se responsabilizar pela captura das minúcias da vida e do pensamento presente e passado, através da recodificação de imagens, movimentos e sons. 

Acima de tudo, ser um artista é mergulhar profundamente dentro de si mesmo, de sua vida, e exteriorizar isso mesmo que dentro dos seus limites. 

 

Como e quando a Arte entrou em sua vida? 

Já tinha um certo fascínio pelo mundo das artes desde criança, fazia desenhos e gostava demais das aulinhas de educação artística. Lembro que fui numa excursão da escola ao MASP, acho que tinha uns 11 anos, foi um passeio marcante.

Essa visão apareceu de maneira mais clara quando conheci a artista Mônica Nador, e tive então a oportunidade de conviver com ela no JAMAC – Jardim Miriam Arte Clube, além de ser o lar dela é o Centro Cultural onde desenvolve o seu trabalho e realiza suas oficinas.


Nos conte um pouco sobre o seu trabalho artístico neste momento de sua vida?

Meu trabalho está caminhando com naturalidade para a escultura, mas também na mescla de distintos materiais ainda na pintura. Por hora, sigo na pintura mesmo onde venho buscando decantar algumas pesquisas já em curso. Na prática, venho usando muito a expressão da pincelada para explorar as possibilidades dentro das delimitações que emprego com antecedência através das linhas.

Cada trabalho é como um capítulo de vida, é um projeto que no decorrer da produção, vou percebendo novas possibilidades, ora possíveis dentro daquele e ora guardados para uma próxima. Às vezes, o resultado de um trabalho pode ser tão surpreendente para os outros quanto pra mim.

 

Como foi sua jornada para chegar até aqui? Quais foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Arte? 

Minha vida é uma corda bamba entre compromissos do cotidiano e o fazer arte, a produção, às vezes e por acaso, fica misturado como deve ser. Por isso, procuro ter um pouco de disciplina, estudos e muito compromisso com a missão. 

O maior desafio neste momento é dar conta de tudo e custear todo o processo. 

 

Nos fale sobre seus mestres, suas influências e inspirações

São muitos! Procuro me manter como um aprendiz eterno de todos aqueles que podem me tornar melhor como pessoa e artista. Pretendo continuar assim até a minha morte. 

No campo da arte visual do Brasil cito prontamente: Volpi, Ianelli, Amilcar, Ranchinho, Pancetti, Tomie, Abraham Palatnik, Waldemar Cordeiro, Sacilotto, Peticov, Ligia Clark, a própria Mônica Nador, Paulo Pasta, Portinari, Bonadei, Mira Schendel... Fora do país cito: Turner, Munch, Ellsworth Kelly, Newman, Donald Judd, Richard Serra, Robert Motherwell, Mathias Goeritz...

Em outras áreas: Paulo Mendes da Rocha, Affonso Reidy, Aristóteles, John Coltrane, Bill Evans, Dave Brubeck, João Gilberto, Tom Jobim, Renato Russo, Oswald de Andrade, Murilo Mendes, Adler, meus avôs... Provavelmente eu esqueci de alguém. 

No mundo de hoje, com tantas possibilidades que a Internet e as redes oferecem, você pode – E deve – absorver informações relevantes e usufruir daquilo que as grandes pessoas deixaram e continuam deixando como legado. 

 

Que sugestões vc daria para alguém que está apenas começando no mundo das Artes? Ou o que vc gostaria que alguém com mais experiência tivesse lhe dito quando era mais jovem?

Para quem está no início da jornada, eu diria: – Continue trabalhando e se aprofundando naquilo que está fazendo, mantenha sempre ativa a sua curiosidade, viva a sua arte e seja capaz de assumir a responsabilidade desse ofício, dessa missão. Não espere nada por isso, apenas seja você mesmo e faça o que tem que fazer e o que quer fazer.

Recomendo que seja menos teórico e se suje mais! Isso é muito Turner... Mas não deixe nunca de lado a teoria, saiba o que você está fazendo.

Quanto aos mais experientes, sobre o que deles poderiam vir até mim, eu não sei o que gostaria de ouvir. Eu ainda continuo ouvindo e procurando me manter atento, à espreita de ter a oportunidade de absorver mais e mais, o que puderem compartilhar comigo, sempre estarei pronto para receber e refletir, de peito aberto, de forma séria e profunda. 
 


O ano ainda está começando e com ele sempre os novos projetos.. Nos conte um pouco mais sobre seus projetos, seus planos ou mesmo sonhos, para este ano e para o futuro

Programo para esse ano a continuidade da série ad aeternum de pinturas e consequentemente continuar explorando os temas que venho pesquisando. Também incluo neste a produção de pequenas "esculturas-pinturas", mesclando os dois meios e explorando, através de outros aspectos visuais, aquilo que já venho desenvolvendo, mas não quero falar muito sobre essa série agora... Provavelmente vamos apresentar aqui na Domi. 

Surgiram alguns convites para expor fora do Brasil, estou analisando a situação e as oportunidades, pode ser que se realize algum projeto neste sentido. O tempo e as condições dirão. 

Fora do trabalho, sigo na organização da montagem do meu ateliê, que futuramente desejo transformá-lo num espaço de cultura, algo que seja útil a sociedade, ao bairro onde vivo e trabalho. Vejo que o local carece demais de ações dessa natureza, carece de um local onde a arte floresça sem compromissos e mais próximo daquilo que existe fora. Um dos meus sonhos é justamente esse, tornar a minha casa um ponto de cultura e galeria, parecido com o que a Mônica Nador fez no Jardim Miriam, um bairro próximo ao meu e que precisava desse respiro. 

Sinto que no Brasil a presença e o consumo das Artes ainda é muito pouco ramificada, percebo isso na cidade onde moro, São Paulo, uma megalópole; quanto mais distante do centro mais longe de museus, galerias, pontos de cultura e produção, intercâmbios internacionais e livrarias, mais distante até mesmo da valorização de tudo isso que é tão vital para a saúde humana. Diante dessa realidade, poderia incluir essa mudança de cenário também como um sonho, ou será uma Quimera? Quem sabem?!

 

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Ricardo Baroni: "meu trabalho consiste em compartilhar a minha percepção, ressignificar, buscar beleza e valores intrínsecos em objetos e lugares, na paisagem comum."

Artesanato, dança, desenho de arquitetura, design de ambientes, artes gráficas, gastronomia, poesia e folclore são algumas de suas vivências.

Com este repertório variado, não é sem razão que o artista Ricardo Baroni Squárcio, ou apenas Ricardo Baroni, como é mais conhecido, consegue um resultado tão rico em cada uma de suas obras.

Natural de Belo Horizonte onde vive e trabalha, seu trabalho autoral mescla fotografia e arte digital. Seus registros fotográficos fornecem a imagem como matéria prima para seu processo artístico, suas pesquisas, experimentos e criações através da edição digital, resultando em obras únicas, carregadas de sensibilidade e harmonia visual.

Com caráter poético, e que denota a inquietude do artista diante da profusão de possibilidades de expressão das imagens, flui a sintonia e percepção quanto a beleza intrínseca na paisagem comum, acessível e singular.

Conseguimos conversar com o artista de tendência multiartística que nos deu diversos detalhes sobre sua personalidade, seu processo de criação, carreira e seus planos para o futuro. Confira abaixo..

 

Quem é Ricardo Baroni? Me fale um pouco sobre vc, sua personalidade, coisas que gosta..

Vivo hoje um contentamento e gratidão de vivenciar a arte mais efetivamente. Em um desalinho com os padrões, trâmites e sistemas deste mundo, onde vivo entre uma busca e superação intensa, sempre tive a arte como necessidade e forma de acalento. De forma bem sucinta, digo que sou um ser discreto, inquieto, observador, perseverante e reservado. Sempre fui atraído bela beleza, e a percepção desta, se torna cada vez mais mutante, subjetiva e abrangente. Gosto de música, de cozinhar, caminhar, colecionar e folhear livros, garimpar objetos de rua, visitar exposições, espaços culturais e independentes de artes, praças, espetáculos, de ambientes acolhedores, das coisas sutis, da sensibilidade, de apreciar...

 

No que exatamente consiste seu trabalho hoje e como ele amadureceu para chegar até aqui?

Para o momento, digo que o meu trabalho consiste em compartilhar a minha percepção, ressignificar, buscar beleza e valores intrínsecos em objetos e lugares, na paisagem comum. Ele evolui a partir de uma arte totalmente digital, onde em contato massivo com as imagens, começo a identificar ali o caminho mais preciso para minha arte, em um processo de trabalho com criação, apropriação e experimento. O amadurecimento, surge de maneira espontânea, gradativa e essencial, onde a busca e a necessidade cresce e passo a utilizar o meu olhar e os meus registros como matéria-prima, desta maneira denominando meu trabalho de linguagem fotográfica.

 

Quando foi exatamente que você encontrou a Arte ou a Arte te encontrou? Fale um pouco sobre suas influências, suas fontes de inspiração, seus mentores, suas musas,..

Desde sempre fui inclinado à arte. Ela sempre fez parte do meu trajeto, no entanto, a arte que faço hoje teve um início tardio, acredito que foi necessário esperar pela vivência de várias experiências e situações para alcançá-la, como que um processo de aprendizado, lapidação e amadurecimento. Ela também deriva de anos de trabalho e aquisições dentro das artes gráficas. Mas sempre criando, experimentando a diversidade com marcenaria, moldando, rabiscando, às vezes escrevendo, e por muitos anos atuei como bailarino em grupos de dança folclórica. Ainda passei por escolas de desenho de arquitetura, design de interiores, design gráfico e gastronomia. Acredito em uma mentoria espiritual, sinto meu trabalho fortemente autoral, onde não consigo criar uma relação exterior e também não percebo influências, mas sim, as inspirações, onde elas atuam de maneira sútil.

 

Artistas de um modo geral não gostam muito de falar sobre seus processos criativos por que podem ser realmente muito subjetivos. Mas se vc pudesse contar alguma particularidade do seu processo criativo ou de como ele funciona, o que seria?

Sinto tudo um processo longo de construção, sintonia, intuição e força, uma “Força Estranha”. No mais é muito imagético e afetivo! É enxergar algo na paisagem, ao redor, é perceber possibilidades, é experimentar, é harmonizar.

 

Como foi seu caminho para chegar até aqui? Imagino que além das conquistas e satisfações ao longo da carreira, os desafios também lhe acompanharam. Quais foram seus grandes desafios e quais vc diria que são os grandes desafios dos artistas de um modo geral aqui no Brasil?

Uma vez determinado a seguir como artista, fazer um caminho profissional e consistente, encontro um processo árduo e moroso, uma luta solitária e incompreendida, onde as oportunidades vão existir, mas oscilam, as dúvidas e incertezas sobre o caminho surgem, e a perseverança é sustento para a continuidade.

Continuando de maneira sucinta, e não muito a vontade para falar sobre o assunto da arte no Brasil, também evitando redundância sobre o tema, penso que existe uma questão de aptidão do país, que a frente da arte estão muitas outras predileções. Algo que percebo como grande fator dificultante, principalmente para o artista iniciante é o fato de grande parte do público consumidor de arte, ainda optar pelo consumo de “nomes”. Mas vejo com otimismo, novos tempos para a arte, embora pareça contraditório em relação ao momento, tempos de um despertar, uma renovação, onde se encontrará sensibilidade e busca em consumir beleza, harmonia, questionamento, alegria, aconchego e o que mais possa se encontrar contido na arte.

 

Qual o conselho que vc daria para alguém que está em início de carreira? Se vc conseguisse resumir todo o seu aprendizado ao longo da sua carreira, em uma, duas ou três sugestões que vc gostaria de ter recebido quando era mais jovem, quais seriam essas sugestões?

Seria pretensioso da minha parte oferecer um conselho.  As situações vão variar de um artista para outro, vão existir particularidades, necessidades diferenciadas, percebi que não existe uma receita certa, mas acho essencial sentirmos que o trabalho possua sinceridade e honestidade, e em primeiro lugar seja bom, agradável e satisfatório para nós mesmos enquanto artistas. Que o trabalho sempre permita nos encontrarmos e nos compreendermos dentro do próprio processo. E, finalmente, perseverar sempre.

 

Onde mais vc quer chegar? Nos fale mais sobre seus projetos ou seus planos para o futuro.

Eu quero que a minha obra cada vez mais, chegue e faça bem aos olhos, aos corações e consequentemente a alma das pessoas, e seja de alguma forma uma contribuição no complexo cenário da vida. Como projetos, sempre busco por trabalhar ideias de propostas e temáticas que sejam interessantes para os ambientes culturais e expositivos diversos e também estou em processo de realizar um espaço físico para visibilidade e vazão para minha arte, espaço este na cidade de Belo Horizonte.

 

Conheça mais trabalhos do artista aqui.

 

 

 

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Marcus Jacobina: "o trabalho do artista é um constante fazer"

Você já teve o prazer de se deparar com um artista que de tão criativo e multitalentoso, tudo o que faz, faz extremamente bem? Assim é Marcus Jacobina. Natural de Salvador, Bahia, mas vivendo e trabalhando em São
Paulo desde 2003. Típico de pessoas altamente criativas, ele tem formações acadêmicas variadas:   Publicidade e Propaganda, Psicologia e ainda Artes Plásticas.

Sua caminhada nas Artes começou bastante cedo, quando, ainda criança se apaixonou pelo desenho espontâneo. Atualmente sua pesquisa pictórica é rica e abrangente, mas seu interesse pelo Expressionismo Abstrato fica
bastante claro em suas obras. Suas influências são múltiplas assim como suas fontes de inspiração. Grande apaixonado pelas cores, define seu trabalho como gestual e intuitivo: um convite deliberado e intencional
para que o expectador perceba que a intensidade de suas emoções são a matéria prima de seu trabalho...

Mas vamos deixar que ele mesmo nos conte melhor tudo isso...


Quem é Marcus Jacobina? Como vc próprio se definiria para as pessoas que ainda não o conhecem?

Sou um artista apaixonado pelo que faz.

 

Como e quando a Arte entrou em sua vida?

Acho que sempre tive esse olho pro estético, sempre fui atraído pelo estético e pelo belo e outro dia, tentando rastrear na minha memória uma explicação, até porque acho que existem várias possibilidades de respostas para esse tema, pra essa minha preferência pelo retrato, lembrei de uma história muito antiga, engraçada até, quando eu acompanhava a minha mãe na casa de umas amigas que ela tinha. Era uma casa cheio de moças jovens, e aquele mundo feminino tão rico e ao mesmo tempo misterioso me encantava. Lembro que enquanto ela ficava conversando, eu muitas vezes ficava em um canto folheando revistas de moda, porque a mãe dessas moças era costureira e elas tinham em casa muitas revistas. Então quando criança quando eu comecei a desenhar retratos, rostos, figuras humanas, eram tentativas de repetir, de memória, no papel, a imagem daquelas mulheres bonitas que eu via. Eu desenhava o tempo todo e fui me tornando o menino que fazia os trabalhos de arte dos amigos, dos primos, do irmão... A empregada, a tia, a prima vinham pedir pra desenhar uma roupa... e embora depois minha vida tenha mudado muito, naquela época todo mundo já apostava que eu seria artista plástico.

Dando um salto no tempo, porque entre a minha primeira graduação e o meu engajamento nas artes plásticas muita coisa aconteceu, posso dizer que a psicanálise me ajudou a resgatar, a me reconectar com essa parte de mim mesmo. Tem um cara, um psicanalista inglês chamado Thomas Ogden que diz em um dos seus textos que um dos objetivos de um processo de análise é permitir que o indivíduo resgate partes perdidas do próprio self (self seria algo como a essência mais profunda do sujeito). Creio que meu processo de análise foi muito bem-sucedido, pois foi durante esse percurso de autoconhecimento que me senti capaz de apostar e bancar o meu próprio desejo. O desejo de ser e de me tornar aquilo que sempre quis ser: um artista.

Lembro que no primeiro dia de aula na escola de arte minha mão tremia durante a execução do primeiro trabalho de tanta ansiedade e emoção. Mas daquele momento em diante a minha vida mudou. No final daquele semestre o meu professor na ocasião me disse: “Voa!”


Em que consiste o seu trabalho artístico hoje?

O trabalho do artista é um constante fazer. Mas também é pesquisa, é estudo, observação. É preciso estar com os sentidos muito abertos para perceber, sentir, captar.

Atualmente meu trabalho se divide em duas linhas principais: os retratos e os abstratos. Nas duas linhas é possível perceber as influências do movimento expressionista abstrato, que foi muito forte em meados do século XX nos Estados Unidos e que teve como proeminentes representantes Jackson Pollock, Willem De Kooning, Helen Frankenthaler, Mark Rothko entre outros. Prezo muito a liberdade de expressão, o gestual, a mistura de materiais diversos, a constante experimentação que se abre para novas possibilidades de realizar um trabalho.

Comecei uma série de retratos masculinos, os Sad Boys, bem no início da minha carreira e que foram se transformando ao longo de minha trajetória. Os primeiros Sad Boys foram feitos em lápis de cor aquarelado, depois comecei a misturar monotipia e giz pastel... atualmente não há limite para a criatividade...

Fiz também uma série de retratos femininos, que chamei de Sonhadoras, e quase ia me esquecendo das minhas queridas Fridas (Young Fridas, Frida Cabocla) que são uma versão muito pessoal da figura icônica que foi a artista Frida Kahlo. Eu me interessei muito pela forma como a Frida Kahlo se vestia utilizando cores fortes.

Esses retratos são também como uma espécie de autorretratos, já que o artista sempre coloca algo que é muito seu na obra. Ao mesmo tempo, penso que, no momento em que o expectador depara com um retrato que lhe provoca um impacto positivo ou negativo está de alguma forma como a se olhar num espelho e a vislumbrar, descobrir ou reconhecer algum aspecto seu. Enfim, divagações....

Nos trabalhos abstratos atualmente comecei a usar óleo e óleo misturado a outros materiais. Acho que as telas “Encontro” e “Insensatez” são exemplos muito significativos desta fase atual.

 

Nos fale um pouco sobre seus mestres, suas influências e inspirações.

Faço Artes Plásticas na Escola de Artes Panamericana e desde o início tive muita sorte de encontrar em meu caminho excelentes profissionais: Blagojco Dimitrov, além de possuir um grande conhecimento e criatividade, é um ser humano que me inspira por sua história de vida, de muita força e superação, de alguém que apesar das grandes adversidades enfrentadas nunca perdeu a esperança, sempre disponível e generoso. Marcos Fajardo Marinheiro, sempre muito exigente com a composição, a técnica e o acabamento das obras. Georg Vine Bolt, o primeiro a me encorajar a pintar em telas cada vez maiores. Marcelo Maria de Castro, o lúdico, a fantasia e o devaneio, fundamentais para o desenvolvimento criativo do artista. Fora da escola tive o privilégio de aprender com os mestres Marcus Cláudio de Caldas, um verdadeiro titã na arte do retrato, e George Mend.

Pra falar das minhas influências eu teria que te contar a minha vida inteira... rsrs. Muita gente daqui e de fora me inspira, às vezes coisas corriqueiras, uma mistura de cores em alguma imagem que vejo de relance, uma viagem, uma memória, uma emoção que esteja vivendo no momento.

Sou apaixonado por cor. Sempre gostei de arte figurativa, até que um belo dia acordei apaixonado pelo abstracionismo. Descobri Mabe! Depois vieram outros. Minhas influências são múltiplas... Picasso, sou apaixonado. Carybé, Mabe, Modigliani, De Kooning (estou pesquisando muito) e Gerard Richter, mas tem muito mais gente.

 

Como foi sua jornada para chegar até aqui? Quais foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Arte?

Desde que comecei, encaro o trabalho de artista plástico com muita seriedade. Pra mim nunca foi um hobby. Sempre olhei pra isso como um trabalho.

De verdade, eu só posso mesmo é agradecer por tudo que tem acontecido, pelas boas oportunidades que tem surgido, por ter meus trabalhos em exposições.

 

Que conselho que vc daria para alguém que está apenas começando no mundo das Artes? Ou o que vc gostaria que alguém com mais experiencia tivesse lhe dito quando era bem mais jovem?

É difícil generalizar. Acho que cada caso é único. Hoje temos um panorama muito diferente do que tínhamos há 20, 30, 50 anos no mercado de arte. Tem muito mais gente conseguindo mostrar o seu trabalho graças as redes sociais, e isso cria mais competitividade e uma dificuldade ainda maior que é a questão da originalidade.

Para o jovem que está começando eu diria: Seja você mesmo, estude e pratique o máximo de tempo que puder, porque arte também é trabalho! Com persistência conseguirá atingir seu objetivo.

 

O que é ser artista para você?

Ser artista para mim é o centro da minha vida, é estar vivo, é a minha identidade. É algo profundamente intenso e verdadeiro que busco compartilhar com as pessoas através do meu fazer artístico. É algo extremamente visceral, e isso tem a ver também com o impacto que eu posso causar na vida das pessoas, porque eu sempre penso que aquela obra que eu vendi para aquela pessoa vai ficar na casa dela, ou no escritório, ou em algum lugar significativo pra ela. E já que uma parte minha vai habitar a vida de outra pessoa, que seja então algo bom, algo inspirador, algo que promova transformação no sentido positivo da palavra.

 

Nos conte um pouco mais sobre seus projetos, seus planos ou mesmo sonhos.

Todo artista quer viver de sua arte e ser reconhecido, ter sucesso. Eu quero ir longe, quero muito e tudo que eu puder alcançar. Então essa é minha meta primordial. Quero crescer muito, expor fora do Brasil e já estou me articulando pra isso. A gente não pode ficar esperando as coisas acontecerem. Há coisas que a gente precisa criar a oportunidade, ir atrás, batalhar. Se depender de mim vai acontecer. Vontade e garra não me faltam.

 

Para conhecer mais trabalhos do artista entre aqui

 

 

 

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Claudia Seber e suas incríveis esculturas que ressignificam materiais

Esse mês a DOMI teve o imenso prazer de coversar um pouco com a multitalentosa Claudia Seber.

Arteterapeuta, designer de jóias e Terapeuta Ocupacional de formação, atuando há mais de 20 anos no ramo da joelheira autoral, tendo se dedicado simultaneamente à criação e produção de jóias, adornos e ao ensino técnico das mesmas.

Suas esculturas surgiram com a ideia de mesclar a técnica da joalheria e o refugo da produção de joias, a diversos e inusitados tipos de metais recolhidos aleatoriamente pelas ruas e caçambas da cidade de São Paulo, como o vidro, mármore, madeira, enfim todo e qualquer material...

Mesmo com diversas coisas acontecendo ao mesmo tempo, tirou um tempinho para conversar conosco!

 

Quem é Claudia Seber? me fale um pouco mais sobre vc, sua personalidade e seu encontro com a Arte?

Sou uma mulher madura e com alguns cabelos brancos que a cada manhã busca fazer da  vida a realização dos meus ideais pessoais e humanos. Filhas criadas, casa “arrumada” e trabalhando em meu atelier exerço minha personalidade inquieta, ávida por conhecimento e exigente em tudo que faço. Amante da natureza, de esportes, de viagens inusitadas, de biografias...encontro-me e recarrego-me em minha solitude mergulhando nesse mundo paralelo e complementar ao meu trabalho.

Quaisquer que sejam nossos Encontros, profissionais ou não, eles são os caminhos que nos alçam ao mundo e materializam nossa marca indelével. O Encontro com a Arte exigiu de mim amadurecimento, estudo, persistência e paciência após 20 anos atuando como designer de joia e outros tantos como Terapeuta Ocupacional.

Quando enfim vi-me projetada e realizada em meu trabalho como artista, minha vida  revelou-se bastante compreensível em meus caminhos e descaminhos...


Podemos perceber que vc é uma artista multi talentosa ou de várias faces, que trabalha em vários campos da arte ao mesmo tempo... O que exatamente vc faz ou no que consiste o seu trabalho hoje?

Minha pós-graduação em Arte-terapia com base na Psicologia Analítica foi algo que me acrescentou para minha compreensão acerca da Arte enquanto processo simbólico e subjetivo. Depois de anos atuando como designer de joias, trabalhando na bancada e ministrando aulas comecei a criar esculturas reciclando materiais da oficina e prioritariamente com toda sorte de metais encontrados pelas ruas.

Mantendo concomitantemente a produção de joias, embora de forma mais restrita, intensifiquei a criação das esculturas, únicas e conceituais, com bastante afinco. Participei de exposições, concursos e atualmente trabalho na elaboração de um Centro de Arte e Criatividade onde pretendo ministrar aulas e workshops. Sou amante de fotografias e arrisco-me na escrita com a elaboração de histórias infantis e textos em geral. Ambas as atividades exigem observação, introspecção e desprendimento. Um exercício diário no trabalho como artista.

 

Cada artista tem um processo criativo diferente ou bastante particular. Fale um pouco sobre seu processo de criação, suas fontes de inspiração e sua relação com cada obra.

Meu processo de criação e inspiração começa no questionamento e na observação dos mundos material e subjetivo. Dele fazem parte as pessoas, os sentimentos, a natureza e as relações humanas. Paralelo a isso me dedico a recolher pelas ruas e receber todo tipo de sucata prioritariamente metálica que normalmente se destinaria à reciclagem. Uso então a palavra “ressignificação” material ao destinar os metais para a produção das esculturas. Todo material da joalheria, tais como pedras, entremeios, correntes, etc, também são utilizados.

Traduzir a vida e nossa bagagem emocional, técnica e conceitual em Arte é imprimir nossa marca no mundo. Cada escultura advinda de um conceito ou mesmo de sua forma particular, encerram uma história e uma intensão. Emocionar e provocar a imaginação do observador é algo que sempre tenho em mente. Se não houver emoção e verdade naquilo que criamos, jamais atingiremos quem as contempla. Cada obra é a tradução desse meu pensamento.

 

Um artista é sempre um artista, independentemente de qualquer rótulo que possam vir a lhe colocar, correto? Mas gostaria de saber de vc sobre a mulher artista. Vc acha que a artista que vc é hj em dia e sua 
produção artística tem relação com o universo feminino ou, de alguma forma, é do jeito que é pelo fato de vc ser mulher ou isso não tem qualquer relação para vc?

Rótulos nos engessam em quaisquer circunstâncias mas ao mesmo tempo nos situam no mundo. O exercício constante de equaliza-los à nossa Alma, nossa individualidade e nosso trabalho é um desafio enorme. Isso se dá com a Arte, pois criar é lançar-se ao mundo. Diria uma auto expressão a serviço do outro.

Homens e mulheres, somos todos constituídos de energias masculina (ação/enfrentamento) e feminina (continência/acolhimento). Sou uma mulher bastante feminina na forma de expressar-me e criar, embora a execução das esculturas e o uso do próprio metal em si sejam mais da esfera masculina. Ser mulher, ter duas filhas, duas irmãs e uma mãe bastante assertiva, fizeram toda diferença na minha vida profissional. Compreendo a força do feminino porque a vivo a cada dia. E dela só posso dizer que traz em si um poder gerador e transformador inigualáveis.


Como foi seu caminho para chegar até este momento? Olhando para trás, além de suas conquistas e dos seus acertos, quais vc diria que foram ou ainda são seus grandes desafios enquanto artista? Quais vc diria que são as grandes dificuldades que um artista enfrenta nos dias de hoje?

Meu caminho foi sinuoso e cheio de atalhos.  Qualquer forma e qualquer um que eu tivesse escolhido teriam me conduzido exatamente para onde estou. Acertos e erros são apenas o quanto de tempo levamos para amadurecer e abraçar a vida com as próprias mãos e encontrar-se realmente no que fazemos e como fazemos. Demorei em chegar e minha intenção não é partir. É ficar e persistir.

Desafios? Ser cada vez melhor naquilo que faço e crio. Estudar, ler, conhecer, produzir e sentir o retorno do mundo ao meu redor.  Estruturar meu Centro de Arte e Criatividade. Colocar meu trabalho a serviço de um mundo melhor e mais humano.

A grande dificuldade de um artista, hoje e sempre, é antes de tudo reconhecer-se como tal e desvincular sua criação de um reconhecimento imediato e meramente financeiro. Como em qualquer profissão precisamos ter paciência, persistência e acima de tudo muita verdade e doação naquilo que fazemos. Decorrente disso talvez esteja o caminho do crescimento e do reconhecimento. Parcerias e bons encontros são fundamentais.

 

Qual conselho que vc daria para alguém que está em início de carreira? Se vc conseguisse resumir todo o aprendizado ao longo de sua carreira, em alguma(s) sugestão(ões) que vc gostaria de ter recebido 
quando era mais jovem, quais seria(m) essa(s) sugestão(ões)?

Li recentemente uma frase que resume minha resposta: ”Onde quer que você esteja, este é seu ponto de partida”.

Onde vc quer chegar ou qual seu grande sonho ou objetivo para sua carreira?

Não sei o que há depois da curva, mas descobrirei...

Quero ser reconhecida como uma escultora que traduz a vida em uma linguagem estética, mais digerível e apreciável. Que faz Arte de forma silenciosa, ecumênica, bela e apartidária.

Atualmente meu sonho é realmente estruturar um Centro de Arte e ensinar meu trabalho de criação das esculturas que alia metalurgia, joalheria, trabalho com vidro, fixações, etc. E propiciar que a Arte enquanto processo possa ser um meio de tornar-nos pessoas melhores, mais confiantes e com mais solitude.

Esse projeto exige tempo, dinheiro e parcerias. E hoje este é o meu ponto de partida.

 

Para conhecer mais o trabalho da artista entre aqui

 

 

 

 

 

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Andrew Salgado e seu trabalho carregado de significados

Andrew Salgado é um artista canadense, vivendo e trabalhando em Londres, que já realizou exposições em diversas partes do mundo. Seu trabalho é belíssimo e intenso. Algumas de suas pinturas são retratos em grande escala que incorporam elementos de abstração e simbologismos. Outras possuem cores vibrantes, costuras, aplicação de tinta em mosaico e até mesmo borboletas reais que adornam suas telas. Mas todas são, por trás da técnica e artifício, carregadas de significados.

Salgado defende a arte como uma poderosa ferramenta de comunicação e  Impulsionado por uma experiência como vítima de um crime de ódio gay, sua arte aborda as injustiças enfrentadas pela comunidade LGBT  e também busca provocar um “diálogo aberto sobre a tolerância”.

Por uma dessas conspirações incríveis do universo que às vezes acontecem, a DOMI conseguiu contato com o artista que gentilmente nos concedeu uma deliciosa entrevista, que vc não pode deixar de conferir abaixo, em Português e em Inglês

Quem é Andrew Salgado? Uma busca rápida na internet é mais que suficiente para descobrir uma personalidade bem conhecida no mundo da arte, que ganhou inúmeros prêmios, realizou exposições em vários países, tem excelentes referências sobre seu talento e inúmeros elogios sobre sua trabalho, mas como você se definiria?

Eu sou um cara muito descontraído; Adoro rir e sorrir - e adoro fazer as pessoas rirem e sorrirem. Eu sou frequentemente desiludido pelo arte-indústria e o tipo de atitudes que ela gera e encoraja, e eu tento romper com esse molde - que você pode ter sucesso através da gentileza e apoio de seus pares. Eu gosto de música, leitura, yoga ... basicamente eu gosto do tempo 'off' do mundo da arte.

Quando você se descobriu como artista? Conte-nos um pouco sobre suas influências e inspirações

Eu acho que sempre fui um artista. Eu acho que foi o meu chamado, por mais que isso soe. Minhas influências artísticas são múltiplas: Gauguin, Matisse, Bacon ... mas incontáveis ??artistas contemporâneos como Daniel Richter, Peter Doig, Euan Uglow, Sanya Kantarovsky, muitos mais. Eu sou frequentemente atraído por fontes simples de inspiração - uma linha de um livro, uma lembrança, um poema, uma canção, um pensamento, uma bugiganga de férias ... Costumo dizer que, para se manter inspirado, é importante "pensar pequeno e executar grande".

Como foi seu caminho até aqui? Olhando para trás, além de todas as suas conquistas e prêmios e sucesso, ou retirando a parte mais agradável, quais foram seus grandes desafios como artista? O que você acha que são os grandes desafios que os artistas em geral enfrentam nos dias de hoje?

Eu acho que todo dia oferece um novo desafio. Eu gosto do processo, porque os sucessos e elogios são poucos, distantes entre si e muitas vezes de curta duração. É importante manter-se fundamentado com uma boa base de apoio e reconhecer as pequenas vitórias ao longo do caminho. Hoje artistas precisa ser um expert em carreiras e em mídias sociais. Simplesmente não é suficiente para 'pintar coisas bonitas' - você também tem que jogar um jogo, e esse jogo pode se tornar desgastante se você não definir o tempo para si mesmo, seu bem estar e sua saúde emocional e física.

Que conselho você daria para alguém que está começando uma carreira?

Não espere muito cedo demais

Se você pudesse resumir todo o aprendizado da sua carreira até agora, em uma, duas ou três sugestões ou dicas que gostaria deque você recebeu quando era mais jovem, quais seriam essas sugestões?

Trabalhe duas vezes mais e se preocupe com a metade. Seja gentil e solidário com seus colegas. O sucesso de outra pessoa não nega seu próprio sucesso. Assumir riscos. Faça acontecer por si mesmo - ninguém vai te atrapalhar.

Onde mais você quer ir? Você é um artista ainda muito jovem, mas ao mesmo tempo você conseguiu tudo o que todos os artistas desejam alcançar: fama e sucesso.

Eu tenho um problema fundamental com essa pergunta / declaração - porque, em primeiro lugar, eu ainda estou crescendo, trabalhando e "tentando" como artista para já supor que consegui tudo o que quero alcançar. E que o que eu quero é "fama e sucesso" reflete um problema fundamental com o mundo da arte. Não existe o ‘já consegui’. Eu trabalho duro todos os dias. Eu sempre desafio a mim mesmo e a cada dia, mês, ano, novos desafios surgem que eu trabalho duro para superar. Esta questão é falha. Precisamos tirar a idéia de que nosso vizinho ‘já conseguiu’ e que 'fama' é o ápice do sucesso. Eles não são a mesma coisa.

Ao assistir algumas de suas entrevistas no Youtube, podemos ver como você é motivado e determinado, o que nos leva a acreditar que você está apenas começando a voar. Você poderia nos dizer para onde mais seus vôos podem ir?

Espero voar muito alto, mas não tão alto quanto Icaro. Algo assim.

 

Para conhecer mais sobre o artista  e seu trabalho, visite seu website: https://www.andrewsalgado.com

 

 

English version

Andrew Salgado is a Canadian artist living and working in London, who has held exhibitions in several parts of the world. His work is beautiful and intense at the same time. Some of his paintings are large-scale portraits that incorporate elements of abstraction and symbolism. Others have vibrant colors, stitching, mosaic-like application of paint and even real butterflies that adorn their canvases. But all, aside from technique and artifice, are loaded with messages.

Salgado defends art as a powerful communication tool and driven by his own experience as a victim of a hate crime, his art addresses the injustices faced by the LGBT community and also seeks to provoke an open dialogue about tolerance.

Due to one of those incredible conspiracies of the universe that might happen sometimes, DOMI got in touch with Andrew Salgado who kindly gifted us with a delightful interview, which you can check below, both in Portuguese and English

Who is Andrew Salgado? A quick search on the internet is more than enough to find out an well-known personality in the art world, who has won numerous awards, held exhibitions in several countries, has excellent references about his talent and countless praises about his work, but how do you would you define yourself?

I am a pretty easygoing guy; I love to laugh and smile - and I love to make people laugh and smile. I am often disillusioned by the art-industry and the type of attitudes it breeds and encourages, and I try to break from that mold - that you can succeed through kindness and support of your peers. I like music, reading, yoga...basically I like time 'off' from the art world.

When did you discover yourself as an artist? Tell us a little about your influences and inspirations

I think I was always an artist. I think it was my calling, as naff as that sounds. My artistic influences are manifold: Gauguin, Matisse, Bacon...but countless contemporary artists like Daniel Richter, Peter Doig, Euan Uglow, Sanya Kantarovsky, many more. I am often drawn to simple sources of inspiration - a line from a book, a memory, a poem, a song, a thought, a trinket from holiday...I often say in order to stay inspired it is important to 'think small and execute big'.

How was your way to get here? Looking back, beyond all your achievements and awards and success, or the most enjoyable part, what were your big challenges as an artist? What do you think are the great challenges  that artists in general faces these days?

I think every day provides a new challenge. I enjoy the process, because the successes and accolades are few, far between, and often short lived. It is important to stay grounded with a good support base and acknowledge the little victories along the way. Today, artists need to be career-savvy and social-media whizzes. Its just not enough to 'paint nice things' - you have to play a game as well, and that game can become draining if you don't set time away for your self, your well being and your emotional and physical health.

What advice would you give to someone who is starting a career?

Don't expect too much too soon

If you were able to summarize all the learning throughout your career so far, in one, two or three suggestions or tips that you would like to have received when you were younger, what would these suggestions be?

Work twice as hard and worry half-as-much. Be kind and supportive to your peers. Someone else's success does not negate your own success. Take Risks. Make it happen for yourself - nobody is going to coddle you.

Where else do you want to go? You are an artist still very young but at the same time you have achieved everything that all artists wish to achieve: fame and success.

I have a fundamental problem with this question/statement - because, firstly, I am still growing, working, and 'trying' as an artist. To assume that I have achieved everything I want to achieve, and that what I want is 'fame and success' reflects a fundamental problem with the art world. There is no 'making it'. I work hard every day. I constantly challenge myself and each day, month, year provides new challenges that I work hard to overcome. This question is flawed. We need to get this idea out of our heads that your neighbor has 'made it' and that 'fame' is the pinnacle of success. They are not the same thing.

By watching some of your interviews on Youtube, we can see how motivated and determined you are, which leads us to believe that you are just starting to fly. Could you tell us where else your flights may go?

Hopefully I fly high but not as high as Icarus. Something like that.

 

To know more about the artist and his work please visit his website: https://www.andrewsalgado.com

 

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As muitas faces da artista Panmela Castro

Mestre em Processos Artísticos Contemporâneos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e formada em pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade do Rio de Janeiro, Panmela Castro ou, como também é conhecida, Anarkia Boladona, é uma artista brasileira internacionalmente conhecida como a rainha do graffiti brasileiro.

Essa carioca nascida na Penha, subúrbio do Rio é feminista, ativista de direitos humanos, colecionadora de arte, promotora de street art, curadora, produtora, palestrante, presta consultoria no campo das artes e estudos de gênero e sua veia empreendedora ainda lhe garantiu uma nomeação para o prêmio "Empreendedor de Negócios do Ano" em 2015 para o jornal Folha de São Paulo. É também Fundadora da Rede NAMI, uma organização feminista que reúne talentos artísticos e que busca promover treinamentos e oficinas com o objetivo de incentivar a proteção dos direitos das mulheres e, em essência, acabar com a violência cometida contra as mulheres.

Parece muito? Ainda tem mais! Panmela Castro produziu quadros exteriores em mais de dez países ao redor do mundo, tem obras que fazem parte da coleção de arte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Washington D.C. e da Câmara dos Deputados em Brasília. Também expôs em diversas galerias e museus de arte como o Museu da Cultura Brasileira (MUBE) e o Museu de Arte Contemporânea do Bispo Rosário.

Artista dedutiva que tem como suas principais áreas de interesse o corpo feminino em diálogo com a paisagem urbana e as questões de alteridade e de gênero binário, ela se dedica à produção de diversas formas de obras de arte, como arte performática, fotos, vídeos e seus murais de renome mundial.

Panmela não para! E, em meio a um furacão de coisas acontecendo, DOMI conseguiu um tempinho com ela para um bate-papo rápido e muito inspirador

 

Seu currículo é bastante extenso e de tirar o fôlego! Mas quem é exatamente Panmela Castro ou como vc se auto definiria?

Eu sou uma artista com pelo menos 20 anos de carreira que sofreu um processo de marginalização por reflexo da minha classe, gênero e etnia. Minha primeira exposição profissional fiz ainda nos anos 90 no SESC mas só agora, tenho entrado em instituições formais de arte, apesar de já ter meu trabalho internacionalmente reconhecido e apresentado na grande mídia como PBS, CNN e BBC.

 

Fale um pouco sobre seu trabalho hoje, enquanto mulher artista e feminista

Eu acredito que para descrever o tipo de trabalho que eu realizei e realizo hoje, usaria muitas palavras que em um futuro próximo, com a atual circunstância política do país, serão palavras perseguidas e estigmatizadas. Acho que esta circunstância já descreve bem o que eu faço.

 

Quais suas maiores influências ou quais foram suas grandes referências?

Eu recebi uma criação bastante conservadora pela minha família e isso me fez uma criança/adolescente bastante introvertida e de poucos amigos. Logo que comecei a pichar, vi ali uma oportunidade para me relacionar com as pessoas e o meu trabalho nunca mais deixou de ser sobre alteridade; a minha existência a partir das relações que eu estabeleço com os outros. E é justo dessas relações que vem minha inspiração.

 

Como foi seu caminho para chegar até aqui? Olhando para trás, além das suas conquistas e do seu sucesso hoje, quais foram seus maiores desafios ao longo do caminho?

Eu gosto de dizer que vivenciar experiências únicas na marginalidade da pichação, me fez aprender mais do que nas escolas de arte; que muitas das minhas percepções acerca dos direitos humanos, veio deste período quando eu experimentei em meu corpo e psique diversos tipos de violência.

Fui criada como uma "menina branca" por minha família conservadora de classe média. Com o seu primeiro marido, minha mãe enfrentou restrições financeiras e violência doméstica, até que fugiu com o vizinho que lhe proporcionou uma vida digna e me criou como sua filha legítima. Um homem de pouca instrução formal, meu novo pai, providenciou que pudesse me dedicar aos estudos até que aos 15 anos, minha família faliu e eu me vi obrigada a trabalhar iniciando desta forma, uma jornada empreendedora oferecendo cursos extracurriculares de artes em escolas do meu bairro.

Em 1999, quando fiz 17 anos, ingressei na Escola de Belas Artes da UFRJ ao tempo que comecei a pichar. Com a família desestabilizada, abandonou a casa dos pais e morou em uma das favelas mais perigosas da cidade. Para pagar suas contas e estudos, além das aulas, começou a desenhar pessoas nas ruas e vendê-las por 1 Real. Também foi nessa época que, com o codinome Anarkia Boladona, tornei-me a primeira garota de minha geração a escalar prédios para pichar meu vulgo.

Como parte da primeira geração de graffiti no Rio, fui uma das primeiras a pintar trens e intervir ilegalmente por toda a cidade. Em 2007 fui homenageada como grafiteiro do ano e em 2009 como grafiteiro da década; isso em um tempo quando nem tinha mulheres para competir com os homens. Comecei a me dedicar a pintura mural em 2005 depois de uma experiência negativa com violência doméstica.

Vivi por 3 anos com um parceiro que em 2004 me espancou e me manteve em cárcere privado. Naquela época, a violência doméstica era um crime de baixo potencial ofensivo e meu parceiro nunca foi punido. Essa experiência me trouxe ao feminismo e quando a lei de Maria da Penha foi aprovada em 2006, tornou-me um dos símbolos de promoção do fim da violência contra a mulher usando minhas pinturas murais para tratar sobre o tema.

Desenvolvi uma metodologia mundialmente premiada para usar o graffiti como ferramenta de comunicação e fundei a Rede NAMI (www.redenami.com), que enquanto organização de direitos humanos, apoiou desde 2010 mais de 9.000 mulheres. Recebi muitas nomeações, como o Vital Voices Leadership Awards na categoria Human Rights (D.C, 2010), que foi apresentado pela atriz Reese Witherspoon ao lado de Melinda Gates, da Fundação Bill e Melinda Gates; o DVF Awards (NY, 2012), apresentado pela atriz Jessica Alba ao lado de Oprah Winfrey; também fui indicada como Young Global Leader do Fórum Econômico Mundial (2013) e Rising Talents do Women's Forum (2011). Figurei em listas importantes como da revista americana W Magazine sobre a nova geração de ativistas que estão fazendo a diferença (2017) e as "150 mulheres corajosas que estão bombando no mundo" pela Newsweek (2012). Em 2017, a CNN me deu o título de Rainha do Graffiti. Nos dias atuais, meu ativismo está focado em apoiar as mulheres afro-brasileiras que são as maiores vítimas de feminicídio. Desde que iniciei o programa AfroGrafiteiras, dei apoio de longo prazo para 560 artistas negras no Rio de Janeiro.

 

Que conselho que vc daria para alguém que está começando agora e tb para artistas de um modo geral? Se vc conseguisse resumir todo o seu aprendizado ao longo da sua carreira, oq vc acha que seria interessante ou útil ter sabido antes?

Não dá pra ficar em casa esperando a oportunidade cair no nosso colo. Tem que colocar uma meta e pensar em tudo que precisa pra alcançá-la. Se vc não souber, vc tem q perguntar pra quem sabe, e ai ir atrás.

 

Onde mais vc quer chegar? Todos nós, de uma forma ou de outra, perseguimos nossos objetivos diariamente, temos nossos projetos, nossos desejos.. Mas alguns tem também um grande sonho, uma grande meta, qual seria a sua?

Eu quero montar um fundo para que depois da minha passagem, o trabalho da Rede NAMI possa continuar e virar um centro de artes e direitos para mulheres.

 

 

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Vivi Villanova do canal no Youtube VIVIEUVI conversa com a DOMI

Toda essa popularidade e destaque não vieram da noite para o dia. Já faz um bom tempo que ela trabalha com cultura e está envolvida em projetos relacionados às Artes: música, teatro, exposições, etc. É formada em Comunicação Social e já passou por diversas agências de publicidade, revistas, TV, cinema publicitário.

Mas o que tem encantado os seguidores de seu canal no YouTube VIVIEUVI, com mais de 77 mil inscritos e com vídeos batendo records de visualizações, é o seu jeitinho todo especial e bem humorado de abordar, explicar e refletir, de forma tão gostosa e descontraída, esse assunto que amamos tanto: Arte.

A DOMI quis conhecer um pouco melhor essa mulher tão cativante que está fazendo sucesso no mundo dos apaixonados por Arte, que além de estudar muito, vem aumentando freneticamente seus números nas redes sociais, e fez essa deliciosa MINI ENTREVISTA. Confiram..

 

Quem é Vivi?

Pergunta filosófica, estou na jornada de descobrir esse “quem”. Mas na prática, sou uma mulher de 29 anos, meio cética, meio mística. Tenho um canal no youtube onde eu falo sobre arte chamado VIVIEUVI, aliás se inscreve que é divertido :)

O que você faz?

Há mais de dois anos eu posto vídeos no youtube sobre temas que rondam o universo da arte. Biografias de artistas, movimentos artísticos, exposições, pensamentos. No Facebook tenho um grupo que eu amo de paixão onde a galera compartilha notícias, vídeos, memes e muitos trabalhos pessoais. O Instagram é uma continuação disso tudo.

Por que?

Eu amo arte. Arte ressignifica minha vida. E eu fico muito feliz dedividir essa paixão com pessoas que vibram tanto quanto eu com esse tipo de expressão.

Como?

Eu parto da minha experiência com a arte que é de leiga-amante. Nessa jornada dos vídeos eu aprendi muito, mas o que me guia é o encanto. Acho que as pessoas se conectam comigo nesse lugar, no lugar da paixão. E quanto mais a gente vê arte, mais a gente quer arte.

Qual seu objetivo?

Acho que meu objetivo é reunir amigos que queiram dividir essa arte toda comigo e construir. Até agora o caminho tem sido muito rico.

Onde quer chegar?

Eu quero continuar fazendo os vídeos e trazer essa convivência da internet cada vez mais pra vida real também. Estou atenta aos sinais.. kkk

 

DOMI Galeria de Arte Online

 

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Conheça o escultor de uma das peças em destaque na exposição “Histórias afro-atlânticas”, no Masp

 

Autor de uma das obras mais comentadas na mostra “Histórias afro-atlânticas”, que estreou no fim de junho no Museu de Arte de São Paulo e no Instituto Tomie Ohtake, Flávio Cerqueira (1983) flerta com a escultura desde os 16 anos, mas foi ao ver uma exposição do francês Auguste Rodin, na Pinacoteca de São Paulo, que o artista paulistano se apaixonou pelo bronze. Desse material é feita “Amnésia”, obra que traz à exposição o tema do embranquecimento da população negra: “O personagem simboliza a última pessoa a sofrer esse processo, a lata de tinta que o garoto despeja em seu próprio corpo não tem material suficiente para cobri-lo por inteiro”.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, Lilia Schwarcz, Hélio Menezes, Ayrson Heráclito e Tomás Toledo, a mostra reúne representações das culturas afro-atlânticas, assim como trabalhos de importantes artistas negros de todo o mundo. São cerca de 450 obras de diferentes períodos, materiais e estilos em cartaz nas duas instituições de São Paulo, até 21 de outubro.

 

Confira a seguir uma entrevista com o escultor Flávio Cerqueira:

 

SP-Arte: Como você começou a trabalhar com escultura? Em especial, como foi a decisão de eleger o bronze como matéria-prima elementar?

FC: Eu comecei a modelar aos 16 anos. Eu trabalhava com massa epóxi, fazia bruxas, doendes, aqueles artesanatos hippies. Mas foi depois de ver uma exposição do Rodin, na Pinacoteca de São Paulo, que decidi que iria trabalhar com escultura e que o bronze seria minha matéria-prima.

SP-Arte: Como é o processo de desenvolvimento de uma peça? E a fundição, é algo que você acompanha?

FC: O processo de desenvolvimento de uma escultura em bronze é muito demorado e bastante trabalhoso. Consiste em modelar uma figura em argila, fazer um molde de silicone e gesso, tirar uma cópia em cera, cobrir essa peça com uma casca cerâmica, derreter a cera (por isso se chama fundição: pela cera perdida), derramar o bronze em estado líquido, soldar as partes fundidas e, por fim, fazer a pátina (processo de aceleração da oxidação do bronze que dá cor a ele, geralmente marrom, preto ou verde). No meu processo, eu não desenho ou faço esboço. Começo a modelar a figura e deixo que ela vá me mostrando o caminho. E acompanho o momento inteiro na fundição, isso é fundamental para o trabalho sair com o acabamento que eu desejo.

SP-Arte: Seu trabalho é composto a partir de cenas cotidianas e familiares, mas que muitas vezes passam despercebidas. Você se considera um observador atento? Como você escolhe as narrativas a serem trabalhadas?

FC: As cenas e narrativas compostas pelos meus trabalhos podem ser experiências pessoais, histórias ouvidas ou mesmo histórias inventadas. Eu me considero mais um contador de “causos” do que um observador atento.

SP-Arte: O que te chamou atenção na exposição “Histórias afro-atlânticas”? Teria alguma obra ou artista que você gostaria de destacar?

FC: Me chamou atenção o fato da mostra “Histórias afro-atlânticas” ser muito mais do que uma exposição de arte, dela ser um registro histórico em que os negros são os produtores e os protagonistas de suas próprias histórias. Gostaria de destacar o trabalho minucioso de pesquisa feito pelos curadores. Eu acho que cada obra tem sua importância na construção do todo – são peças fundamentais para que o conjunto seja harmonioso. Sem dúvida, essa exposição será uma daquelas que ficará para sempre em nossas memórias.

SP-Arte: A escultura “Amnésia” integra a mostra no Masp. Você poderia nos contar um pouco sobre a história da peça? Como ela foi concebida e como chegou a exposição?

FC: A escultura “Amnésia” fazia parte da minha exposição individual “Se precisar, conto outra vez” (2016). Essa mostra buscava narrar novas versões para a história oficial do Brasil e o trabalho “Amnésia” se relaciona com isso ao tratar do embranquecimento da população negra, um lado perverso da “mestiçagem”. O personagem da escultura simboliza a última pessoa a sofrer esse processo, a lata de tinta que o garoto despeja em seu próprio corpo não tem material suficiente para cobri-lo por inteiro. Como o bronze sempre serviu para registrar um momento histórico, não seria diferente com esse garoto.

O Hélio Menezes, um dos curadores da exposição “Histórias afro-atlânticas”, acompanhou de perto a minha individual. Além disso, escrevi para Lilia Schwarcz para apresentar minha recente produção e para convidá-la à mostra . Ela avisou o Adriano Pedrosa, que também foi conferir meu trabalho. Logo, o grupo curatorial estava bem familiarizado com essa série e o convite para participar da exposição no Masp surgiu no início deste ano, quando as coisas já estavam bem encaminhadas.

SP-Arte: Essa mesma escultura também esteve na exposição “Queermuseu”. Como você enxerga a liberdade de expressão na produção de artistas?

FC: Estamos vivendo um momento muito sombrio na sociedade brasileira em todas as áreas, não apenas nas artes. Como artista, acredito que posso continuar falando sobre os assuntos que me são urgentes sem perder a sutileza e a beleza. Há milhares de formas de se falar de amor, você só precisa encontrar a maneira adequada para cada situação.

SP-Arte: Seu trabalho tem um tom político e social bem forte. Você acredita na arte como vetor de mudança?

FC: Eu não vejo meu trabalho como político, social. Busco ter uma produção que se comunique com todos, sem criar um barreira hierárquica de conhecimento, esse é o barato pra mim! Eu vejo mudanças na minha própria vida. Arte é muito mais do que um objeto de contemplação!

SP-Arte: Quais projetos você tem pela frente?

FC: Participo de algumas exposições nas quais se destacam “Resignifications – Black Mediterranean”, em Palermo, na Itália, organizada pelo nigeriano Awam Amkpa. Em julho, reabre a exposição “Queermuseu”, no Parque Lage (RJ), e, em agosto, “Open Spaces”, no Kansas City, Missouri (EUA), com curadoria do Dan Cameron.

 

Fonte: SP-Arte

 

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Entrevista com o artista brasileiro Hal Wildson

por Eneo Lage

 

Não é novidade para ninguém que viver da arte no Brasil não é fácil. Nosso país está repleto de artistas talentosos que estão sempre correndo atrás de ganhar a vida por meio do seu trabalho. O artista brasileiro Hal Wildson, residente de Goiânia, é um bom exemplo disso. Vindo de uma família humilde e com uma história de vida simples, Hal procurou enxergar além, por meio da arte e já soma milhares de seguidores nas redes sociais, além de exposições pelo Brasil e pelo mundo.

Nessa entrevista exclusiva ao INSPI, Hal nos leva a conhecer um pouco mais sobre o seu trabalho, suas referências e sua inspiradora história de vida. Confira:

 

INSPI: Suas criações carregam uma identidade bastante marcante. Como você trabalhou seu estilo de arte ao longo de sua carreira?

Hal Wildson: Tudo começou de forma muito natural. Em 2007 perdi minha vó, pessoa muito importante em minha vida, foi ela quem me criou sozinha. O sonho dela era reformar a casinha que morávamos, mas, naquele tempo a situação financeira não era das melhores. No ano que ela faleceu eu decidi de alguma forma realizar o sonho dela . Pensei: ” vou reformar a nossa casa, mas como fazer isso sem dinheiro?”. Foi aí que iniciei a minha primeira grande colagem, utilizando grude (um tipo de cola caseira feita com polvilho e água) e todos os livros e apostilas que eu tinha em casa, colei pedaços de papel por grande parte da casa. No final, gostei muito do resultado e decidi desenhar por cima das tipografias. E assim nasceu esse estilo tão característico da minha estética. Nos últimos 10 anos muita coisa mudou no meu estilo, mas a essência do processo híbrido de colagem, poesia e desenho permanece.

INSPI: Quais são as técnicas que você utiliza em seu trabalho?

Hal Wildson: Nesses 10 anos de estudos já transitei por muitos materiais, acho importante que o artista tenha uma bagagem diversa de estudos e processos.

Atualmente o meu trabalho é o resultado da mistura de colagem manual, digital, desenho manual, literatura e fotografia, o que chamo de “Poesia Visual”.

Além desses estudos, também trabalho com colagens orgânicas (feitas com materiais orgânicos: galhos de arvore, folhas e etc.) e também intervenções urbanas interativas.

INSPI: Atualmente você vive da sua arte? Quais os desafios?

Hal Wildson: Sim. Há 3 anos vivo exclusivamente da minha arte. Os desafios são diários, por isso busco sempre me reinventar , a busca constante por novos experimentos é o combustível que me faz entender minha arte como trabalho, mas principalmente como missão. Gostou de criar, sem a criação minha vida não teria sentido, gosto de inspirar as pessoas e de trazer mensagens, esse é o meu papel como artista. Lidar com a auto crítica e com o mercado de arte são meus principais desafios.

Como vender minha arte sem perder minha essência? Me pergunto isso diariamente. Uma das formas de me adequar e sobreviver a isso é separando a minha agenda, em alguns dias faço as encomendas dos meus clientes, e em outros faço arte simplesmente pelo puro prazer e propósito de fazer arte.

INSPI: Qual é o requisito para escolher os personagens que você retrata em suas obras?

Hal Wildson: A cultura da América Latina é a minha grande inspiração. Gosto de investigar questões do cotidiano, a simplicidade das pessoas, suas histórias e motivações. Muitos desses personagens são fotografias que faço por onde ando, outros são resultados do trabalhos de outros fotógrafos e artistas.

INSPI: Que artistas te inspiraram a ser um artista também? Quais são as suas referências?

Hal Wildson: Atualmente me inspiro muito em Frida Kahlo e em Vik Muniz. Admiro a história de Frida e a forma como ela transformou toda dor em sentimento, em luta, em arte… vejo isso em minha trajetória. Já o Vik Muniz é o tipo de artista que me espelho, gosto das inovações e da sua forma de fazer arte.

INSPI: Das suas obras, qual você mais gosta?

Hal Wildson: Sou um artista muito auto crítico. Tem dias que não gosto de quase nada do que faço. Não tenho uma obra preferida, mas tenho um carinho especial pela série de intervenções urbanas : “DECIFRA_ME”. Esse foi um projeto que criei esse ano com o objetivo de gerar interação entre as pessoas e a arte. Crio colagens urbanas em relevo pelos muros da cidade, cada obra possui um enigma a ser decifrado, as pessoas que descobrem o segredo através das pistas são presenteados de alguma forma com a minha arte. Em 2018 pretendo dar mais força a esse projeto.

INSPI: Como você trabalha a divulgação da sua arte?

Hal Wildson:A internet é minha principal ferramenta. Atualmente o Instagram é a minha maior fonte de divulgação. Através das redes sociais consigo fazer amigos e clientes. Trocando ideias e conhecendo pessoas divulgo meu trabalho, conheço marchants influentes que acabam impulsionando minha arte. Dessa forma já consegui exposições fora do Brasil (Nova Iorque e Los Angeles, EUA) além de clientes em mais de sete países além do Brasil.

Movimentar as redes diariamente é primordial para que mais pessoas possam conhecer nosso trampo.

INSPI: Gostaria de trabalhar em colaboração com alguém?

Hal Wildson: Sim, com Vik Muniz.

INSPI: Que importância você dá para a arte na formação do individuo?

Hal Wildson: Total. A arte possui um papel transformador. Faz as pessoas olharem diferente para o próximo, faz a gente percorrer caminhos por onde nunca passamos. Posso dizer que a arte me salvou. Venho de uma família com histórico conturbado de violência, drogas e alcoolismo, não tive uma criação de “pai e mãe” e iniciei a minha vida adulta com 14 anos,. Nesse período eu já era independente: morava, trabalhava, pagava as contas de casa e corria atrás dos meus objetivos. Ser artista me ajudou a entender minha história com outros olhos, a continuar sonhando e criando a minha forma de vencer.

 

 

Fonte: INSPI  (por Eneo Lage)

 

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