Entrevistas

As muitas faces da artista Panmela Castro

Mestre em Processos Artísticos Contemporâneos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e formada em pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade do Rio de Janeiro, Panmela Castro ou, como também é conhecida, Anarkia Boladona, é uma artista brasileira internacionalmente conhecida como a rainha do graffiti brasileiro.

Essa carioca nascida na Penha, subúrbio do Rio é feminista, ativista de direitos humanos, colecionadora de arte, promotora de street art, curadora, produtora, palestrante, presta consultoria no campo das artes e estudos de gênero e sua veia empreendedora ainda lhe garantiu uma nomeação para o prêmio "Empreendedor de Negócios do Ano" em 2015 para o jornal Folha de São Paulo. É também Fundadora da Rede NAMI, uma organização feminista que reúne talentos artísticos e que busca promover treinamentos e oficinas com o objetivo de incentivar a proteção dos direitos das mulheres e, em essência, acabar com a violência cometida contra as mulheres.

Parece muito? Ainda tem mais! Panmela Castro produziu quadros exteriores em mais de dez países ao redor do mundo, tem obras que fazem parte da coleção de arte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Washington D.C. e da Câmara dos Deputados em Brasília. Também expôs em diversas galerias e museus de arte como o Museu da Cultura Brasileira (MUBE) e o Museu de Arte Contemporânea do Bispo Rosário.

Artista dedutiva que tem como suas principais áreas de interesse o corpo feminino em diálogo com a paisagem urbana e as questões de alteridade e de gênero binário, ela se dedica à produção de diversas formas de obras de arte, como arte performática, fotos, vídeos e seus murais de renome mundial.

Panmela não para! E, em meio a um furacão de coisas acontecendo, DOMI conseguiu um tempinho com ela para um bate-papo rápido e muito inspirador

 

Seu currículo é bastante extenso e de tirar o fôlego! Mas quem é exatamente Panmela Castro ou como vc se auto definiria?

Eu sou uma artista com pelo menos 20 anos de carreira que sofreu um processo de marginalização por reflexo da minha classe, gênero e etnia. Minha primeira exposição profissional fiz ainda nos anos 90 no SESC mas só agora, tenho entrado em instituições formais de arte, apesar de já ter meu trabalho internacionalmente reconhecido e apresentado na grande mídia como PBS, CNN e BBC.

 

Fale um pouco sobre seu trabalho hoje, enquanto mulher artista e feminista

Eu acredito que para descrever o tipo de trabalho que eu realizei e realizo hoje, usaria muitas palavras que em um futuro próximo, com a atual circunstância política do país, serão palavras perseguidas e estigmatizadas. Acho que esta circunstância já descreve bem o que eu faço.

 

Quais suas maiores influências ou quais foram suas grandes referências?

Eu recebi uma criação bastante conservadora pela minha família e isso me fez uma criança/adolescente bastante introvertida e de poucos amigos. Logo que comecei a pichar, vi ali uma oportunidade para me relacionar com as pessoas e o meu trabalho nunca mais deixou de ser sobre alteridade; a minha existência a partir das relações que eu estabeleço com os outros. E é justo dessas relações que vem minha inspiração.

 

Como foi seu caminho para chegar até aqui? Olhando para trás, além das suas conquistas e do seu sucesso hoje, quais foram seus maiores desafios ao longo do caminho?

Eu gosto de dizer que vivenciar experiências únicas na marginalidade da pichação, me fez aprender mais do que nas escolas de arte; que muitas das minhas percepções acerca dos direitos humanos, veio deste período quando eu experimentei em meu corpo e psique diversos tipos de violência.

Fui criada como uma "menina branca" por minha família conservadora de classe média. Com o seu primeiro marido, minha mãe enfrentou restrições financeiras e violência doméstica, até que fugiu com o vizinho que lhe proporcionou uma vida digna e me criou como sua filha legítima. Um homem de pouca instrução formal, meu novo pai, providenciou que pudesse me dedicar aos estudos até que aos 15 anos, minha família faliu e eu me vi obrigada a trabalhar iniciando desta forma, uma jornada empreendedora oferecendo cursos extracurriculares de artes em escolas do meu bairro.

Em 1999, quando fiz 17 anos, ingressei na Escola de Belas Artes da UFRJ ao tempo que comecei a pichar. Com a família desestabilizada, abandonou a casa dos pais e morou em uma das favelas mais perigosas da cidade. Para pagar suas contas e estudos, além das aulas, começou a desenhar pessoas nas ruas e vendê-las por 1 Real. Também foi nessa época que, com o codinome Anarkia Boladona, tornei-me a primeira garota de minha geração a escalar prédios para pichar meu vulgo.

Como parte da primeira geração de graffiti no Rio, fui uma das primeiras a pintar trens e intervir ilegalmente por toda a cidade. Em 2007 fui homenageada como grafiteiro do ano e em 2009 como grafiteiro da década; isso em um tempo quando nem tinha mulheres para competir com os homens. Comecei a me dedicar a pintura mural em 2005 depois de uma experiência negativa com violência doméstica.

Vivi por 3 anos com um parceiro que em 2004 me espancou e me manteve em cárcere privado. Naquela época, a violência doméstica era um crime de baixo potencial ofensivo e meu parceiro nunca foi punido. Essa experiência me trouxe ao feminismo e quando a lei de Maria da Penha foi aprovada em 2006, tornou-me um dos símbolos de promoção do fim da violência contra a mulher usando minhas pinturas murais para tratar sobre o tema.

Desenvolvi uma metodologia mundialmente premiada para usar o graffiti como ferramenta de comunicação e fundei a Rede NAMI (www.redenami.com), que enquanto organização de direitos humanos, apoiou desde 2010 mais de 9.000 mulheres. Recebi muitas nomeações, como o Vital Voices Leadership Awards na categoria Human Rights (D.C, 2010), que foi apresentado pela atriz Reese Witherspoon ao lado de Melinda Gates, da Fundação Bill e Melinda Gates; o DVF Awards (NY, 2012), apresentado pela atriz Jessica Alba ao lado de Oprah Winfrey; também fui indicada como Young Global Leader do Fórum Econômico Mundial (2013) e Rising Talents do Women's Forum (2011). Figurei em listas importantes como da revista americana W Magazine sobre a nova geração de ativistas que estão fazendo a diferença (2017) e as "150 mulheres corajosas que estão bombando no mundo" pela Newsweek (2012). Em 2017, a CNN me deu o título de Rainha do Graffiti. Nos dias atuais, meu ativismo está focado em apoiar as mulheres afro-brasileiras que são as maiores vítimas de feminicídio. Desde que iniciei o programa AfroGrafiteiras, dei apoio de longo prazo para 560 artistas negras no Rio de Janeiro.

 

Que conselho que vc daria para alguém que está começando agora e tb para artistas de um modo geral? Se vc conseguisse resumir todo o seu aprendizado ao longo da sua carreira, oq vc acha que seria interessante ou útil ter sabido antes?

Não dá pra ficar em casa esperando a oportunidade cair no nosso colo. Tem que colocar uma meta e pensar em tudo que precisa pra alcançá-la. Se vc não souber, vc tem q perguntar pra quem sabe, e ai ir atrás.

 

Onde mais vc quer chegar? Todos nós, de uma forma ou de outra, perseguimos nossos objetivos diariamente, temos nossos projetos, nossos desejos.. Mas alguns tem também um grande sonho, uma grande meta, qual seria a sua?

Eu quero montar um fundo para que depois da minha passagem, o trabalho da Rede NAMI possa continuar e virar um centro de artes e direitos para mulheres.

 

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Andrew Salgado e seu trabalho carregado de significados

Andrew Salgado é um artista canadense, vivendo e trabalhando em Londres, que já realizou exposições em diversas partes do mundo. Mundialmente reconhecido, seu trabalho é belíssimo e intenso. Algumas de suas pinturas são retratos em grande escala que incorporam elementos de abstração e simbologismos. Outras possuem cores vibrantes, costuras, aplicação de tinta em mosaico e até mesmo borboletas reais que adornam suas telas. Mas todas são, por trás da técnica e artifício, carregadas de significados.

Salgado defende a arte como uma poderosa ferramenta de comunicação e  Impulsionado por uma experiência como vítima de um crime de ódio gay, sua arte aborda as injustiças enfrentadas pela comunidade LGBT  e também busca provocar um “diálogo aberto sobre a tolerância”.

Por uma dessas conspirações incrí­veis do universo que as vezes acontecem, a DOMI conseguiu contato com o artista que gentilmente nos concedeu uma deliciosa entrevista imperdível, disponível abaixo nas versões português e inglês.

 

Quem é Andrew Salgado? Uma busca rápida na internet é mais que suficiente para descobrir uma personalidade bem conhecida no mundo da arte, que ganhou inúmeros prêmios, realizou exposições em vários países, tem excelentes referências sobre seu talento e inúmeros elogios sobre sua trabalho, mas como você se definiria?

Eu sou um cara muito descontraído; Adoro rir e sorrir - e adoro fazer as pessoas rirem e sorrirem. Eu sou frequentemente desiludido pelo arte-indústria e o tipo de atitudes que ela gera e encoraja, e eu tento romper com esse molde - que você pode ter sucesso através da gentileza e apoio de seus pares. Eu gosto de música, leitura, yoga ... basicamente eu gosto do tempo 'off' do mundo da arte.

 

Quando você se descobriu como artista? Conte-nos um pouco sobre suas influências e inspirações

Eu acho que sempre fui um artista. Eu acho que foi o meu chamado, por mais que isso soe. Minhas influências artísticas são múltiplas: Gauguin, Matisse, Bacon ... mas incontáveis artistas contemporâneos, como Daniel Richter, Peter Doig, Euan Uglow, Sanya Kantarovsky, muitos mais. Eu sou frequentemente atraído por fontes simples de inspiração - uma linha de um livro, uma lembrança, um poema, uma canção, um pensamento, uma bugiganga de férias ... Costumo dizer que, para se manter inspirado, é importante "pensar pequeno e executar grande".

 

Como foi seu caminho até aqui? Olhando para trás, além de todas as suas conquistas e prêmios e sucesso, ou retirando a parte mais agradável, quais foram seus grandes desafios como artista? O que você acha que são os grandes desafios que os artistas em geral enfrentam nos dias de hoje?

Eu acho que todo dia oferece um novo desafio. Eu gosto do processo, porque os sucessos e elogios são poucos, distantes entre si e muitas vezes de curta duração. É importante manter-se fundamentado com uma boa base de apoio e reconhecer as pequenas vitórias ao longo do caminho. Hoje o artista precisa ser um expert em carreiras e em mídias sociais. Simplesmente não é suficiente apenas 'pintar coisas bonitas' - você também tem que jogar um jogo, e esse jogo pode se tornar desgastante se você não definir o tempo para si mesmo, seu bem estar e sua saúde emocional e física.

 

Que conselho você daria para alguém que está começando uma carreira?

Não espere muito cedo demais

 

Se você pudesse resumir todo o aprendizado da sua carreira até agora, em uma, duas ou três sugestões ou dicas que gostaria deque você recebeu quando era mais jovem, quais seriam essas sugestões?

Trabalhe duas vezes mais e preocupe-se com a metade. Seja gentil e solidário com seus colegas. O sucesso de outra pessoa não nega seu próprio sucesso. Assuma riscos. Faça acontecer por você mesmo - ninguém fará isso por você.

 

Onde mais você quer ir? Você é um artista ainda muito jovem, mas ao mesmo tempo você conseguiu tudo o que todos os artistas desejam alcançar: fama e sucesso.

Eu tenho um problema fundamental com essa pergunta / declaração - porque, em primeiro lugar, eu ainda estou crescendo, trabalhando e "tentando" como artista para já supor que consegui tudo o que quero alcançar. E que o que eu quero é "fama e sucesso" reflete um problema fundamental com o mundo da arte. Não existe o ‘já consegui’. Eu trabalho duro todos os dias. Eu sempre desafio a mim mesmo e a cada dia, mês, ano, novos desafios surgem que eu trabalho duro para superar. Esta questão é falha. Precisamos tirar a idéia de que nosso vizinho ‘já conseguiu’ e que 'fama' é o ápice do sucesso. Eles não são a mesma coisa.

 

Ao assistir algumas de suas entrevistas no Youtube, podemos ver como você é motivado e determinado, o que nos leva a acreditar que você está apenas começando a voar. Você poderia nos dizer para onde mais seus vôos podem ir?

Espero voar muito alto, mas não tão alto quanto Icaro. Algo assim.

 

Para conhecer mais sobre o artista  e seu trabalho, visite seu website: https://www.andrewsalgado.com

 

 

English version

 

Andrew Salgado is a Canadian artist living and working in London, who has held exhibitions in several parts of the world. World-renowned, his work is beautiful and intense at the same time. Some of his paintings are large-scale portraits that incorporate elements of abstraction and symbolism. Others have vibrant colors, stitching, mosaic-like application of paint and even real butterflies that adorn their canvases. But all, aside from technique and artifice, are loaded with messages.

Salgado defends art as a powerful communication tool and driven by his own experience as a victim of a hate crime, his art addresses the injustices faced by the LGBT community and also seeks to provoke an open dialogue about tolerance.

Due to one of those incredible conspiracies of the universe that might happen sometimes, DOMI got in touch with Andrew Salgado who kindly gifted us with a delightful interview, unmissable interview, available below in Portuguese and English.

Who is Andrew Salgado? A quick search on the internet is more than enough to find out an well-known personality in the art world, who has won numerous awards, held exhibitions in several countries, has excellent references about his talent and countless praises about his work, but how do you would you define yourself?

I am a pretty easygoing guy; I love to laugh and smile - and I love to make people laugh and smile. I am often disillusioned by the art-industry and the type of attitudes it breeds and encourages, and I try to break from that mold - that you can succeed through kindness and support of your peers. I like music, reading, yoga...basically I like time 'off' from the art world.

 

When did you discover yourself as an artist? Tell us a little about your influences and inspirations

I think I was always an artist. I think it was my calling, as naff as that sounds. My artistic influences are manifold: Gauguin, Matisse, Bacon...but countless contemporary artists like Daniel Richter, Peter Doig, Euan Uglow, Sanya Kantarovsky, many more. I am often drawn to simple sources of inspiration - a line from a book, a memory, a poem, a song, a thought, a trinket from holiday...I often say in order to stay inspired it is important to 'think small and execute big'.

 

How was your way to get here? Looking back, beyond all your achievements and awards and success, or the most enjoyable part, what were your big challenges as an artist? What do you think are the great challenges  that artists in general faces these days?

I think every day provides a new challenge. I enjoy the process, because the successes and accolades are few, far between, and often short lived. It is important to stay grounded with a good support base and acknowledge the little victories along the way. Today, artists need to be career-savvy and social-media whizzes. Its just not enough to 'paint nice things' - you have to play a game as well, and that game can become draining if you don't set time away for your self, your well being and your emotional and physical health.

 

What advice would you give to someone who is starting a career?

Don't expect too much too soon

 

If you were able to summarize all the learning throughout your career so far, in one, two or three suggestions or tips that you would like to have received when you were younger, what would these suggestions be?

Work twice as hard and worry half-as-much. Be kind and supportive to your peers. Someone else's success does not negate your own success. Take Risks. Make it happen for yourself - nobody is going to coddle you.

 

Where else do you want to go? You are an artist still very young but at the same time you have achieved everything that all artists wish to achieve: fame and success.

I have a fundamental problem with this question/statement - because, firstly, I am still growing, working, and 'trying' as an artist. To assume that I have achieved everything I want to achieve, and that what I want is 'fame and success' reflects a fundamental problem with the art world. There is no 'making it'. I work hard every day. I constantly challenge myself and each day, month, year provides new challenges that I work hard to overcome. This question is flawed. We need to get this idea out of our heads that your neighbor has 'made it' and that 'fame' is the pinnacle of success. They are not the same thing.

 

By watching some of your interviews on Youtube, we can see how motivated and determined you are, which leads us to believe that you are just starting to fly. Could you tell us where else your flights may go?

Hopefully I fly high but not as high as Icarus. Something like that.

 

To know more about the artist and his work please visit his website: https://www.andrewsalgado.com

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Ary Malik: "...a arte é a possibilidade de tornar a vida mais suave e mais densa."

Artista de poucas palavras, mas muito foco e dedicação, Ary Malik, nascido em 1954 no Rio de Janeiro, sempre teve o desenho como sua grande paixão. Designer gráfico por profissão, trabalhou por 9 anos no Jornal do Brasil e também na Editora Abril, ambos no Rio de Janeiro. Foi aluno aplicado e diligente da desenhista, gravurista e pintora Vera Motlis Roitman por dez anos e também do pintor Luiz Penna por três anos. Mais experiente e já com um estilo artístico bastante delineado, agora dedica-se a impulsionar um novo lado do seu trabalho no desenho artístico.

Confira abaixo nosso breve bate-papo com o artista!

 

Quem é Ary Malik? Para aquelas pessoas que ainda não te conhecem, como você se descreveria, como pessoa e como artista?

Nascido e criado às margens da Floresta da Tijuca, maior floresta urbana do mundo. Ali aprendi a diferença entre luz e sombra. Aprendi os matizes das cores.

 

Como a Arte entrou em sua vida ou como você iniciou no caminho das Artes?

Assim arte entrou na minha vida, através da observação da natureza.

 

Sabemos que essa não é uma definição muito fácil, mas para você o que é Arte?

Parafraseando o filósofo, a arte é a possibilidade de tornar a vida mais suave e mais densa.

 

Por que escolheu o desenho como forma de se expressar? Fale um pouco sobre suas influências, seus mestres, suas inspirações...

Porque é a primeira etapa de um processo. Começando a pintar. Influências: O ilustrador americano Norman Rockwell,o pintor brasileiro Glauco Rodrigues, a ilustradora botânica Malena Barreto, sem esquecer a mestre Vera Roitman.

 

Em que consiste seu trabalho hoje?

Meu trabalho hoje consiste basicamente na natureza percebida na infância, na essencialidade da vida rural.

 

Quais você diria que foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver de Arte aqui no Brasil?

Poderia dizer uma lista sem fim de coisas importantes, mas penso que o essencial é mesmo o foco. Para ser artista é preciso muito foco.

 

Olhando desde o início de sua carreira e seguindo sua trajetória profissional até o momento atual, quais você diria que são as características ou atributos fundamentais que um artista precisa ter?

Novamente aqui o foco como atributo essencial, mas também muita paciência.

 

Que conselhos ou dicas você daria para alguém que está apenas começando a dar os primeiros passos nesse mundo do desenho?

É importante que o artista esteja sempre atento às referências a sua volta. Ir muito ao cinema, teatro, museus, galerias de arte, cercar-se de pessoas afins. Isso faz toda a diferença.

 

Nos conte um pouco sobre seus planos, sonhos ou projetos para o futuro

Estudar mais, praticar mais e ter sempre muita paciência para esperar a hora de pintar.

 

Confira os trabalhos do artista visitando aqui.

 

 

 

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Dionísio Jacob: "Penso que a atividade artística, além do seu lado profissional, é também uma busca interna de algo essencial, uma aventura da alma por assim dizer"

Artista multitalentos que desde criança se desenvolveu em uma atmosfera artística integral, Dionísio Jacob é exemplo vivo de que a criatividade é uma força que não pode ser contida.

Cresceu cercado dos livros que os pais liam e adaptavam para os teleteatros, por isso a literatura sempre foi presente em sua casa. Na adolescência apaixonou-se pela pintura e pelo desenho o levando a cursar Faculdade de Artes Plásticas. Fez diversas exposições e ilustrou vários livros. Hoje em dia também escreve, conseguindo combinar perfeitamente bem atividades em artes e literatura.

Se considera um autêntico contador de histórias, seja por palavras ou plasticamente, mas é na verdade o tipo de artista que consegue fazer de tudo e tudo muito bem, exatamente por que faz tudo com muito amor.

Esse mês tivemos o imenso prazer de conversar com esse artista maravilhoso que nos contou mais sobre sua carreira, seu início nas artes e seus planos para o futuro… confira abaixo:

 

Quem é Dionísio Jacob? Para aquelas pessoas que ainda não te conhecem, como você se descreveria, como pessoa e como artista?

 

Sou um paulistano, morador do bairro do Sumaré, zona oeste da cidade, nascido em 1951, casado com Tatiana, pai de Beatriz, artista visual, escritor, com uma formação multidisciplinar. Qualquer outra descrição que pudesse fazer da minha pessoa teria sempre que ver com a Arte em suas múltiplas formas e não consigo vislumbrar um momento sequer da minha vida em que as expressões artísticas não estivessem concorrendo fosse para minha formação como pessoa, fosse moldando e enriquecendo minha visão de tudo o que me cercava. Pintura, cinema, teatro, literatura, foram sempre minha paixão e os elementos formativos mais essenciais do que eu sou.

 

Como a Arte entrou em sua vida ou como você entrou para esse caminho das Artes?

 

Entrei desde cedo. Meus pais foram dois artistas da geração pioneira da televisão, assim como atores de teatro e cinema, com uma atuação marcante nesses segmentos. Para quem não sabe, antes da chegada do vídeo-tape, a televisão era ao vivo. E naquele pequeno período dos anos 1950, houve algo que não mais se repetiu: um teleteatro riquíssimo, com adaptações de clássicos da literatura, de Shakespeare, dos escritores russos, policiais norte-americanos. Era chamado TV de Vanguarda e passava todos os domingos à noite. Num desses houve uma adaptação pioneira de Guimarães Rosa, feita por meu pai, coisa rara mesmo hoje em dia. Mas os próprios artistas precisavam roteirizar esses textos, o que meus pais faziam, além de atuarem como atores e diretores. Digo isso, para enfatizar que cresci dentro de um ambiente fortemente literário, com muitos livros, além de adereços cênicos pelos cantos da casa, como coroas de personagens de Shakespeare e coisas do tipo. E havia também muitos livros de história da arte, ou de pintores como Goya, Rembrandt, Picasso, que me fascinavam bastante e despertaram meu amor pela pintura. Creio que esse background foi fundamental para minha formação posterior. Em 2010 escrevi um livro sobre os dois, publicado pela Imprensa Oficial, chamado DIONISIO E FLORA: UMA VIDA NA ARTE, para resguardar a memória deles e a importância que tiveram para a nossa teledramaturgia.

 

Sabemos que essa é uma definição muito difícil e complexa, mas para você, o que é Arte?

 

Realmente qualquer definição rígida de Arte pode cair num esquematismo e trair essa expressão multifacetada, tão rica, tão humana, que acompanha toda a nossa trajetória nesse planeta conturbado e deixa esse legado vivo da nossa sensibilidade para além de todas as misérias e guerras. Arte é isso ou aquilo, ou qual sua função, são questões prementes, mas que podem levar a becos sem saída, ou atitudes programáticas ou propagandísticas. O fato essencial é: ela tem existido desde sempre, como uma expressão inegável da alma e uma forte necessidade das pessoas e das sociedades para além de uma função prática específica e que permanece como um legado muito rico. Haverá sempre algo de mistério envolvido na necessidade criadora, não como um misticismo, mas como algo que supera a aridez da lógica. Aquele dois mais dois igual a cinco que cria um respiro na imaginação. Creio que sem a expressão artística a vida humana seria intoleravelmente rala e superficial. Como disse John Keats no poema Endymion: A thing of beauty is a joy forever.
 


Nos conte um pouco sobre suas influências, seus mestres, suas inspirações ou mesmo musas.

 

Um momento muito importante da minha formação foi a participação no Pod Minoga Studio, dirigido por Naum Alves de Souza, grande dramaturgo, além de artista plástico. Conheci Naum e os colegas deste grupo, que sempre me influenciaram muito, quando entrei para um curso de pintura para adolescentes no final dos anos 1960, uma época muito vibrante, com muito experimentalismo. Esse curso, ministrado na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), era bem moderno para a época e procurava explorar a criatividade dos alunos. Além das aulas de pintura, havia as de teatro e quando o curso se encerrou, nos juntamos em torno do Naum para a formação do Pod Minoga que, como disse, foi uma experiência marcante e muito singular. Durante mais ou menos uns quinze anos participei de uma imersão num universo estético que diluía barreiras entre linguagens: fazíamos teatro e exposições de arte. Éramos cenógrafos, figurinistas, escrevíamos os textos, atuávamos como atores. O Studio situava-se num galpão da Oscar Freire, uma antiga funilaria, onde construímos uma pequena arquibancada e criamos um público fiel, fosse para as peças ou para as exposições de arte. Esse universo feérico foi devidamente documentado num livro editado pelo SESC intitulado POD MINOGA: A ARTE DE BRINCAR NO PALCO. Paralelamente ao Studio eu fiz um curso de fotografia na Escola Panamericana de Artes e a Faculdade de Artes Plásticas da FAAP, onde tive excelentes professores. Fui monitor do artista Mario N. Ishikawa na matéria de Desenho Analítico. Também fui assistente do artista José Guyer Salles na sua Oficina de Gravura, duas pessoas com quem aprendi bastante. Enquanto isso também começava a escrever meus livros. Quando o Pod Minoga encerrou suas atividades no início dos anos 1980, todos os integrantes passaram a desenvolver seus trabalhos pessoais fosse no teatro ou nas artes. Participei de algumas exposições importantes como a Trama do Gosto, na Fundação Bienal, com curadoria de Sonia Fontanezzi e Perdidos no Espaço, no MAC (Museu de Arte Contemporânea), além de diversas outras no SESC e galerias diversas, além de começar a publicar meus livros por diversas editoras. Todas essas pessoas, amigos, professores, foram fundamentais na minha formação.

 

Em que consiste seu trabalho hoje?

 

De toda aquela diversidade experimentada no Studio, as áreas que se revelaram mais consistentes para mim foram sem dúvida tanto o meu trabalho literário, como o de artista visual e tenho me dedicado bastante a ambos. Durante muitos anos trabalhei como professor de artes em diversas escolas, como a Fundação das Artes de São Caetano. Tive também uma pequena escola de artes para crianças e adolescentes em Perdizes, chamada Casa do Sol durante os anos 1980. Esse contato direto com o público infanto-juvenil me marcou demais, até mesmo no cromatismo dos meus trabalhos visuais. Tenho publicado muitos livros dedicados à essa faixa por várias editoras, assim como roteirizado programas da TV Cultura, como Castelo Rátimbum e outros. No campo das artes visuais venho trabalhando atualmente em duas vertentes: uma física e outra digital. Na primeira são pinturas em acrílico. E na segunda são desenhos feitos em programas digitais diversos, procurando explorar as possibilidades desse novo bidimensional que são as telas dos computadores, celulares, laptops, com sua luminosidade própria. Embora salve os trabalhos com 300 dpi, o que permite boa impressão, creio que eles estão inteiros nessas telas que permitem o modo de cor RGB. Tenho chamado esses trabalhos de Gravados Digitais e exposto em sites como Instagram (https://www.instagram.com/dionisio.jacob/) e Flickr. Neste último organizei meus trabalhos em álbuns que vão desde obras recentes até trabalhos mais antigos (https://www.flickr.com/photos/96485464@N07/sets/). Já meus trabalhos literários estão no site (https://www.diojacob.com/).

 

Como a questão do isolamento social, decorrente dessa pandemia que está afetando o mundo todo, afetaram o seu processo criativo?

 

Claro que essa pandemia nos afetou a todos de diferentes modos, causando muitas perdas. Em relação ao meu trabalho artístico, do ponto de vista de produção, não foi um impacto tão profundo, pois tanto o trabalho visual, como o literário sempre foram feitos com certo “isolamento”. Mas quando esse isolamento nos torna fechados em casa, alguma coisa da nossa dinâmica social se perde e isso com certeza afeta a nossa sensibilidade. Durante o primeiro semestre de 2020, produzi uma série de Gravados Digitais num álbum que chamei de Anima, ( https://www.instagram.com/p/CLAaDW_nPgB/) sem uma intenção proposital de refletir o que acontecia. Mas uma amiga minha ao ver os trabalhos disse que tinham alguma coisa diferente, uma certa tom dos personagens que, segundo ela refletia o período. Essa conexão com o tempo é inevitável, mesmo que não seja intencional. Espero que com a chegada das vacinas possamos superar essa fase, mas temos uma caminhada pela frente.

 

Quais você diria que foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver de Arte aqui no Brasil?

 

Os de sempre. Arte é sempre elogiada de modo geral, mas para uma pessoa particular trilhar esse caminho, nem sempre é tranquilo. É necessário ter paixão e resiliência. Muitas vezes foi necessário fazer trabalhos paralelos para sustentar a vida de todos os dias. Mesmo em fases mais complicadas a necessidade de expressão pessoal foi forte o suficiente para manter sua energia e seguir em frente.
 


Olhando para trás em sua carreira e seguindo sua trajetória profissional até o momento atual, quais você diria que são as características ou atributos fundamentais que um artista precisa ter?

 

Como disse acima: paixão e resiliência. Não é possível pensar num envolvimento pessoal com a arte sem entusiasmo. Creio que um artista sente sempre a necessidade de expressar um sentimento profundo, algo que precisa tomar forma e que tem certa urgência. A busca dessa expressão é que cria um trabalho coerente, uma visão de mundo singular.

 

Que conselhos ou sugestões você daria para um jovem artista ou alguém que esteja apenas começando a dar seus primeiros passos no mundo da Arte?

 

Conselhos são sempre difíceis, pois as circunstâncias mudam com o tempo. Como disse anteriormente minha formação se deu numa era de muito experimentalismo, que foram os anos 1960 e 70, com ênfase numa abordagem multidisciplinar. Hoje em dia a palavra da vez parece ser “foco”, o que é bom, claro. De qualquer forma, um artista precisa sempre estar refinando seus meios expressivos, estudando, olhando em volta, atento para o que se produz de melhor. Com a Internet surge essa possibilidade de uma rapidez de informação que pode ser um coisa boa, se bem utilizada. Enfim, trabalho, trabalho, trabalho...

 

Onde mais quer chegar? Nos conte mais sobre seus planos, sonhos ou projetos para o futuro.

 

Acredito que um projeto artístico pessoal é capaz de se manter vivo e com energia criativa sempre. Não há aposentadoria em arte. E mais: o aprofundamento de uma linguagem não cessa. Não imaginava, tempos atrás, que pudesse vir a trabalhar com arte digital. O tempo lança desafios que nos impactam, exige respostas e nos torna sempre atentos.

Penso que a atividade artística, além do seu lado profissional, é também uma busca interna de algo essencial, uma aventura da alma por assim dizer. Quero seguir criando sempre. E procurando chegar o mais longe que eu puder, dentro da minha arte.

 

Para conhecer mais trabalhos do artista visite aqui.

 

 

 

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Patricia Melro: "A arte para mim é um ato de amor, é a busca pela transcendência, é onde encontro meu equilíbrio.”

Nascida em Maceió, Alagoas, no ano de 1961, a artista Patrícia Melro se interessou pelo universo das artes ainda na infância, admirando sua avó paterna sempre em frente ao seu cavalete. Em 1985, formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Alagoas e durante mais de 30 anos dedica-se também à profissão de arquiteta. Autodidata em suas criações, sua arte não se prende à regras e nem técnicas pré-estabelecidas. A artista faz aquilo que sua intuição manda e essa liberdade pode ser sentida em suas obras.   

Esse mês conseguimos conversar com a artista e compreender melhor sua forma de enxergar a vida, em um aprendizado constante, no qual sua arte se transforma em uma verdadeira ferramenta de prática espiritual, um portal sagrado de encontro com o Divino.

 

Quem é Patrícia? Para aqueles que ainda não te conhecem, como você se descreveria, como pessoa e como artista?

Quem sou EU? De onde vim? Para onde vou? Qual a minha missão de alma? Esta sou EU, alguém que sempre está em busca do sentido da vida, dos valores espirituais e aperfeiçoamento constantes.

Sou arquiteta de formação há 35 anos e artista plástica, autodidata, de coração. A arte para mim é um ato de amor, é a busca pela transcendência, é onde encontro meu equilíbrio.

 

Como a Arte entrou em sua vida ou como vc iniciou no caminho da Arte?

A arte sempre fez parte da minha vida, nasci em uma família de artistas que não fizeram da arte profissão, mas se completavam nela. Cresci admirando minha avó e meu pai que tinham na arte seus momentos de paz. Logo cedo comecei a seguir seus passos e movida pela curiosidade fui buscando minha forma de expressão artística.

 

Para você o que é Arte?

A arte para mim é um tesouro que sempre esteve guardado no meu coração, esperando o momento certo de ser revelado.

 

Por que escolheu a Arte como forma de se expressar? Fale um pouco sobre suas influências e suas inspirações

A arte faz parte do meu SER, ela me escolheu, através dela expresso como vejo a vida. Quando estou criando sinto uma conexão com o Divino, algo mágico. As imagens chegam e me deixo ser levada, não planejo nada, simplesmente flui.

 

Em que consiste seu trabalho hoje?

Minhas obras são abstratas, pois acredito que elas agem no inconsciente de cada observador, as imagens fluem diferentes para cada um e é aí que vejo sua riqueza.

 

Como a pandemia e a questão do isolamento social que está acontecendo neste ano de 2020  estão afetando o seu processo criativo?

A pandemia só tem fortalecido a minha fé. O confronto com o sofrimento nos leva a refletir que nada vem ao acaso, a humanidade precisa despertar, estender a mão ao próximo, entender que somos todos UM.  Hoje sentimos na pele nossa fragilidade e a natureza grita por cuidados. Senti necessidade de expor estes sentimentos na minha arte e o isolamento me deu a oportunidade de desenvolver novas formas de expressão.

 

Quais vc diria que foram ou ainda são seus grandes desafios para  trabalhar e viver de Arte aqui no Brasil?

Acho que a principal dificuldade que existe no Brasil é a cultura de que o artista não consegue viver de arte, que precisa ter um emprego paralelo para se manter, cresci ouvindo e acreditando nisto.

 

Olhando para trás em sua carreira e seguindo sua trajetória profissional até o momento atual, quais vc diria que são as características ou atributos fundamentais que um artista precisa ter?

Não ter medo, saber ouvir o coração e seguir a intuição. Ousar, não se limitar ao que aprendeu.

 

Que conselhos ou dicas vc daria para alguém que está apenas começando a dar os primeiros passos no mundo da Arte?

Tenha coragem para correr atrás do seu sonho. Viva criativamente e se lance nessa busca. Tenha sua própria linguagem artística, sua forma de expressão. Coloque sentimento em tudo que faz!

 

Onde mais vc quer chegar? Nos conte mais sobre seus planos, sonhos ou projetos para o futuro

A única coisa que sei é que não quero parar! Estou chegando aos 60 anos e nesta altura a vida passa a ter um outro sentido.  Me sinto completamente livre, não me cobro mais como antes, pois agora tenho maturidade e tempo para criar.  Enquanto a vida me permitir, quero ampliar ainda mais minha linguagem artística e ser feliz me dedicando ao que me fascina.

 

Para conhecer mais trabalhos da artista visite aqui

 

 

 

 

 

 

 

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Claudio Edinger, um dos mais importantes fotógrafos do Brasil...

Claudio Edinger, um dos mais importantes fotógrafos do Brasil, nasceu em 1952 no Rio de Janeiro, filho de pai alemão e mãe russa. Reconhecimento internacional e incontáveis prêmios, do calibre do Prêmio Hasselblad, Prêmio Abril de Fotografia, One of The Year's Best Books (revista American Photo por Old Havana) e Prêmio Ernst Haas, acompanham esse fotógrafo pela grandiosidade e sensibilidade impressionantes em seu trabalho.

Bastante acostumado a expor em diferentes galerias ao redor do mundo, dentre elas no Maine Photographic Workshop, EUA; International Center of Photography, EUA; Galeria Arte 57, São Paulo; Casa 11 Foto, Rio de Janeiro e Photographer's Gallery, Londres; atualmente vive em São Paulo e, mesmo com a correria decorrente do trabalho e da abertura de sua mais recente exposição, Machina Mundi NYC, na Galeria Lume, que acaba de acontecer, Claudio Edinger reservou um tempinho para um bate papo rápido e delicioso com a DOMI que você precisa conferir..


Quem é Claudio Edinger? Tenho absoluta certeza que todos esses adjetivos maravilhosos recebidos ao longo dos anos, através inúmeros artigos e reportagens sobre você, dentro e fora do país, lhe fazem jus perfeitamente. Mas como você se definiria?
 
Sempre acreditei que todos temos extraordinárias possibilidades, somos o universo encapsulado em um indivíduo. Todos somos isso. Descobri que tinha temperamento de artista bem cedo. Com dez anos de idade fiquei de castigo no colegio Rio Branco em SP. Tive que escrever cem vezes no quadro negro que dali em diante iria me comportar bem. Comecei a escrever e de repente mudei a letra, mudei o tamanho, praticamente fiz uma instalação, cada repetição de um jeito. Na hora não me dei conta mas anos depois percebi que ali surgiu minha necessidade de criar, de descobrir até onde vão nossos limites, descobrir todas as possibilidades de um ato, de uma criação. Pratico meditação há mais de 45 anos, está tudo relacionado com o que faço. Sou isso, só mais um que não se conforma em ser apenas mais um. 


O que exatamente você faz ou no que consiste o seu trabalho hoje?
 
Meu trabalho é de pesquisa. Gosto de comparar a fotografia à medicina. Temos fotógrafos cirurgiões, clinicos gerais, oftalmologistas, etc. Eu adoro pesquisar estudar, procuro a cura para doenças incuráveis — que em filosofia é a tentativa de descobrir quem somos e que raios estamos fazendo aqui, nesta bola giratória, imensa mas que é uma partícula comparada com os outros planetas, flutuando no espaço.


Por que escolheu a fotografia como forma de se expressar? Fale um pouco sobre suas influências e inspirações
 
Desde menino li muito. Adoro ler, passei a adolescência lendo os clássico, criando fotogramas do que lia. A arte fotográfica é pura terapia, extraímos segredos de nosso interior que, confrontados por nós mesmos, nos curam. A fotografia tem esse poder. O tempo destrói todas as coisas. A fotografia é o antídoto.

Como foi seu caminho para chegar até aqui? Olhando para trás, além das suas conquistas e satisfações, quais foram seus grandes desafios?
 
Com 23 anos de idade mudei-me para Nova York. Tinha acabado de expor meu trabalho no MASP. Por que não levar o trabalho para expor lá? pensei. Não falava direito a lingua, não conhecia ninguém só sabia que queria fotografar. E fotografar o que eu quisesse, onde meu instinto me levasse, sempre tive dificuldades em obedecer os outros, sempre fui muito rebelde, pelo menos quando era jovem. Este geralmente é o tempramento arisco de um artista. Fiz trabalhos comerciais e estes foram muito úteis, serviram como laboratorio para colocar meus experimentos em pratica. O artista navega num mar de imprevisibilidades e isso sempre me motivou. Quanto maiores as dificuldades mais motivado eu fico. Claro diversas vezes fiquei desanimado. Tive momentos de grande aperto em Nova York. Morei no Hotel Chelsea dois anos sem pagar aluguel — dava fotos em troca para o dono do hotel.  Isso até publicar meu primeiro livro e conseguir trabalho para as revistas americanas.

Qual o conselho que você daria para alguém que está em início de carreira? Se você conseguisse resumir todo o aprendizado ao longo de sua carreira, em uma, duas ou três sugestões que gostaria de ter recebido quando era mais jovem, quais seriam essa(s) sugestão(ões)?
 
Estude muito. História da arte, da fotografia, poesia, literatura, música clássica. Pesquise muito, sempre. Produza muito. Entenda que a fotografia é muito ciumenta, não gosta de rivais. Exige total dedicação. Digo sempre que o fotógrafo é um gorila. Não adianta colocar uma fantasia numa girafa que ela não vira gorila. Ou se nasce ou não é. O jovem fotógrafo precisa resolver esta questão no início. Sou ou não fotógrafo? Se a respota for sim então esqueça o resto, saia para fotografar até encontrar seu rumo na fotografia. Vai aparecer. Converse muito com outros fotógrafos, mostre seu trabalho, esteja sempre aberto às críticas. Saiba quais críticas servem quais não. Quando fiz o livro sobre o Chelsea Hotel muitos fotógrafos me desencorajaram — "isso nunca vai virar um livro" diziam. Segui em frente porque acreditava nele. É preciso também entender que a fotografia é uma força da natureza, tem poder próprio. Se vc se alia a ela, ela cuida de vc, te dá ideias, te dá trabalho, a mágica entra em ação. Goethe diz que quando seguimos o coração, o universo conspira a nosso favor. Eu sou prova absoluta disso. 

Onde mais deseja chegar? Tirando todo esse legado que ficará no mundo para sempre, com esse trabalho incrível, sensível, generoso,... para onde mais seu coração de artista anseia te levar? Fale um pouco sobre algum grande sonho ou objetivo que deseja alcançar
 
Procuro o limite, a curva da Terra, onde nascem as nuvens, onde as estrelas se acendem. Quem faz meditação está à caça disso. Sabendo claramente que não há limites, que o mistério não tem solução. Quanto mais se descobre mais denso fica. Adoro isso. Adoro aprofundar a pesquisa. É só o que eu sei fazer. Não tenho um objetivo numérico. Meu objetivo é espiritual. Quando mais nos aprofundamos em qualquer coisa, mais descobrimos a essência do Universo. Não consigo imaginar qualquer outra forma de viver. Não trabalho, tudo o que faço, faço por imenso prazer. Quanto mais vc faz, como numa maratona em que fica facil correr, mais prazeirozo fica fazer, mais articulado vc fica. Tolstoy diz que sem saber quem somos é impossivel viver. Vivo em busca disso.
 
 
 
 
Para conhecer mais o trabalho do fotógrafo:  www.claudioedinger.com
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Antonio Costa: "O grande desafio é aprender, aprender, aprender, se reinventar."

A fotografia surgiu para Antonio Costa na década de 70 quando entrou no laboratório fotográfico dos jornais O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná, em Curitiba, ainda garoto. De lá para cá, a fotografia mudou e tem mudado muito, passando por diversos avanços, fazendo 'gigantes' desaparecerem do mercado com a chegada do digital e transformando a película em artigo raro e caro.

Conseguimos conversar com esse fotógrafo que vem atravessando décadas, acompanhando cada transformação da fotografia , bem como resistindo a cada uma delas com enorme dedicação e muita paixão através do tempo. Confira abaixo!

 

Quem é Antonio Costa? Para aqueles que ainda não te conhecem, como você se descreveria ?

Antonio Costa é um cidadão brasileiro, nascido em janeiro de 1964, na cidade de Maringá, noroeste do Paraná. Mas desde criança,radicado em Curitiba,capital do estado. Sou um entusiasta, um amante e curioso da fotografia, desde os doze anos de idade.

 

Como a Fotografia entrou em sua vida ou como você iniciou no caminho da Fotografia?

A fotografia entrou em minha vida pelas mãos de meu saudoso irmão mais velho Lucimar do Carmo, falecido em março de 2018. Ele era fotógrafo dos jornais O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná. O ano era 1976, novembro era o mês. O departamento fotográfico precisava de um auxiliar para ajudar os fotógrafos, varrendo e limpando o laboratório, além de receber as fotografias que vinham de fora do estado e do país, pelos sistemas conhecidos na época como telefoto, por linha telefônica e radiofoto, por ondas de rádio sintonizadas com as agências de notícias internacional UPI (United Press International) e AP (Associated Press) localizadas nos EUA. Fiquei dez anos na função até que em novembro de 1986, ganhei a oportunidade de sair para as ruas com uma câmera na mão. Fui promovido a repórter fotográfico.
 

Para você o que é Fotografia?

Fotografia para mim é paixão. Não sou mais repórter fotográfico ou fotojornalista, como a profissão é conhecida hoje na imprensa, mas a fotografia não saiu mais de mim. Até um simples movimento de nuvens é motivo para apontar a câmera.

 

Por que escolheu a Fotografia como forma de se expressar? Fale um pouco sobre suas influências e suas inspirações

Escolhi a fotografia como forma de expressão, por dominar a técnica, conhecer os equipamentos e nos últimos vinte e quatro anos, a revelação digital, os programas de edição. No início de carreira, época da película, minhas influências e inspirações vinham principalmente dos fotógrafos brasileiros que atuavam nos grandes jornais e revistas do Brasil. Ainda sou influenciado e inspirado pelo trabalho deles que já não atuam mais na grande imprensa nacional, mas a era digital trouxe novos talentos do Brasil e do exterior. Busco neles também a influência e inspiração.

 

Em que consiste seu trabalho hoje?

Não trabalho mais em veículos de comunicação e por este motivo, não me considero mais fotojornalista (claro que se eu estiver na rua com a câmera na mão, o fotojornalismo vai incorporar rsrsrsr). Meu trabalho hoje é mais sobre a luz que incide no local, na hora. Pode ser um final de tarde, pode ser um contraluz numa folha de alguma planta, pode ser um voo sincronizado dos pássaros, um minúsculo inseto, a textura de uma fruta ou flor...

 

Como a pandemia e a questão do isolamento social estão afetando o seu processo criativo?

O isolamento social é essencial, acredito que vamos superar isto. Enquanto a ciência não acha a cura, FIQUE EM CASA. É o que estou fazendo. Isso é novo, estranho para todos. Quem imaginaria viver um momento triste como este? Isso afeta o processo criativo, seja do fotógrafo, do escritor, do músico, do artista plástico. Eu uso como remédio para amenizar a ansiedade, além de cuidar da pequena horta que tenho na laje de casa. Queria viajar o país, outra grande paixão que eu trouxe dos jornais onde trabalhei. Mas fico em casa, busco a luz que bate nas folhas das plantas, busco o movimento das nuvens, o voo dos pássaros.
 

Quais você diria que foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Fotografia aqui no Brasil?

Hoje todo mundo fotografa. O grande desafio é aprender, aprender, aprender, se reinventar. Quando a fotografia digital veio para ficar na imprensa, vi colegas, mestres, se despedindo do ofício. Meu falecido irmão foi um deles, apesar das poucas vezes que tentei ajudá-lo, dizia que computador não era para ele. Fiquei triste, mas foi a opção que fez. Eu teimosamente ainda resisto rsrsrsr. Desejo me despedir deste mundo (espero que daqui a muito tempo ainda. Amo a vida, apesar dela ser cruel às vezes) bem velhinho e com uma câmera na mão, nem que seja um smartphone.
 

Considerando os seus anos de carreira, a sua trajetória profissional até o momento atual, quais você diria que são as características ou atributos fundamentais que um fotógrafo precisa desenvolver para atuar nessa área?

Paciência, paixão pelo que faz.

 

Que conselhos ou sugestões você daria para alguém que está apenas começando a dar os primeiros passos no mundo da Fotografia?

Estudar, ler, praticar, nunca parar de estudar, ler, praticar. Buscar em filmes, livros, exposições, quadros, a inspiração.

 

Onde mais você quer chegar? Nos conte mais sobre seus planos, sonhos ou projetos para o futuro

Aos 56 anos, quero mais é curtir o primeiro neto que está chegando agora em julho rsrsrsrsr. Mas tenho planos sim. Quero que a cura para este vírus que bagunçou 2020 chegue logo, para que eu possa percorrer meu país outra vez.

 

Para conhecer mais o trabalho do fotógrafo Antonio Costa visite aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Claudia Seber: "Mais do que mestres e influências específicas, as inspirações partem de uma alquimia pessoal e do mundo circundante. Tudo inspira quando ressoa em nosso ser."

Arteterapeuta, designer de jóias e Terapeuta Ocupacional de formação, Claudia Seber atua há mais de 20 anos no ramo da joelheira autoral, tendo se dedicado simultaneamente à criação e produção de jóias, adornos e ao ensino técnico das mesmas.

As esculturas surgiram com a ideia de mesclar a técnica da joalheria e o refugo da produção de joias, a diversos e inusitados tipos de metais recolhidos aleatoriamente pelas ruas e caçambas da cidade de São Paulo. Uniram-se a essa lista, vidro, mármore, madeira, enfim todo e qualquer material utilizado na composição artística das esculturas. A prioridade é sempre o material de descarte. A inspiração para as composições surge da fusão entre a Alma da Matéria e a Alma Singular dotada de conceitos e simbologias comuns a todo o Universo Humano. O cerne da produção não é a reciclagem, mas a ressignificação do mundo material compondo-o estética e simbolicamente, através da Arte.

Tivemos a chance de conversar com essa artista incrível que nos controu mais sobre sua arte, seu processo criativo e sobre como tem sido passar por essa fase de pandemia. Confira abaixo..

 

Quem é CLAUDIA SEBER? Para aqueles que ainda não te conhecem, como você se descreveria, como é sua personalidade, seus gostos, etc?

 

Poderia começar dizendo o que não sou! Obediente, resignada, concreta, preguiçosa... Definir-me é algo custoso diante da multiplicidade de papéis que assumo como uma mulher de 52 anos. No entanto, em comum nos papéis de filha, de mãe, de amiga, de mulher, de cidadã e enfim, de artista, existe uma pessoa muito focada e arraigada nas próprias convicções. Convencer-me de algo é bastante custoso e diante da premissa de que tudo pode sempre ser melhor, sou muito exigente, antes de tudo, comigo mesma. Claro que isso vem também de minha
educação, mas acredito que nossos encontros mais profundos e nosso autoconhecimento gerem consequências e uma delas é sem dúvida a nossa solitude muitas vezes confundida com isolamento e solidão.

 

Gosto de preservar meu espaço, minha individualidade, minha forma de viver a vida, minha bicicleta, minhas viagens de aventura, meus amigos, meu atelier, meu trabalho, enfim tudo a que me dedico com um sentimento e uma intenção exponenciados.

 

Nos conte um pouco sobre como a escultura entrou na sua vida ou como você entrou para a escultura


Crises superadas são sempre a melhor forma de despertarmos para novos caminhos e realidades. Em última instância, para um auto despertar. Ao olharmos para trás é fácil compormos nossa história e compreendermos nosso momento presente. Juntar e trabalhar com o refugo da joalheria de uma forma diferente e em uma dimensão bem maior do que a joia, ocorreu em paralelo a um período muito desafiador da minha vida. Mais tarde e após minha pós graduação em arteterapia compreendi que minha insatisfação também profissional tinha sido reciclada e
ressignificada não só pelo uso que dei ao “resto” do material da joalheria, mas igualmente ao novo trabalho que surgia a minha frente. Incorporar novos materiais às esculturas foi apenas uma questão de tempo, conservando sempre a premissa do descarte e da ressignificação. Pessoal e profissionalmente ressignificar passou a ser
o cerne das minhas produções. A alquimia da transformação da arte surge quando adicionamos intenção e afeto ao
mundo material disponível ao nosso redor.

 

O que é escultura para você?


Em 1994 fiz uma viagem ao Nepal, mais especificamente ao Campo Base 1 do Everest. As pequenas vilas de moradores, encravadas nas inóspitas e deslumbrantes montanhas, eram um misto de cores, cheiros, movimentos e vida. As bandeiras de oração budistas estavam por todos os lados e inesperadamente cruzávamos por elas nos lugares mais distantes e inesperados. A imagem do vento as balançando e espalhando suas bênçãos aos quatro cantos do mundo responde a sua pergunta. 

O que é a escultura para mim? A brisa mais doce e suave que poderia passar pela minha vida. O meu combustível. A minha essência. A minha razão de estar hoje aqui. Percorri muitos caminhos e invariavelmente todos eles, tortuosos ou não, convergiriam para me tornar a pessoa e profissional que sou hoje.

 

Por que você escolheu a escultura como forma de se expressar? Fale um pouco sobre seus mestres, suas influencias e inspirações


A escultura exige conhecimento e rigor técnico na composição de materiais muito divergentes entre si. Poderia dizer que uso a técnica de assemblage, mas não me contento com as fixações simples, com as bases prontas, com o caminho fácil. Há nelas um misto da técnica da joalheria, da metalurgia, do trabalho com vidros, madeira, plástico, dentre outros. 

Em meados dos anos 90 trabalhei com um engenheiro em uma oficina de adaptações para portadores de deficiências físicas e diria que esses anos foram uma imersão no mundo do conhecimento técnico, de máquinas, ferramentas, materiais, enfim da concepção e concretização de produtos. Incorporei a todo conhecimento técnico adquirido, emoção, ideia, conceitos, cores, movimento, mas acima de tudo intenção. E assim surgiram as esculturas, muitos e muitos anos mais tarde, numa dimensão bem diferente da joia. 

Mais do que mestres e influências específicas, as inspirações partem de uma alquimia pessoal e do mundo circundante. Tudo inspira quando ressoa em nosso ser. 

Mas posso dizer que tenho duas paixões. Leonardo da Vinci e Salvador Dali, mais especificamente suas pequenas e menos conhecidas joias em forma de esculturas.

 

Em que consiste seu trabalho hoje? Nos conte um pouco mais sobre suas esculturas afetivas ou sobre a relação do seu trabalho com a joalheria


Vim da joalheria no que diz respeito à técnica e a relação com os metais. Ainda hoje executo joias, mas não crio e produzo na escala que o fazia anteriormente. Adoro desafios e um deles é conseguir concretizar exatamente o que o cliente deseja, seja com o trabalho na bancada, fundição ou impressão 3D.  Precisei ampliar e continuar estudando modos de produção. 

Hoje atendo clientes de joias em meu atelier e paralelamente trabalho nas esculturas, não apenas na elaboração, mas na divulgação, estudo, participação em workshops de arte, palestras, exposições, enfim, na consolidação desta vertente de meu trabalho. 

As esculturas afetivas surgiram com ideia de materializar e construir esculturas para terceiros. O cliente fornece os objetos e materiais importantes e significativos de sua vida, sua família e após uma longa conversa onde abordamos os gostos, história dos objetos, relação afetiva com eles, intenção com a escultura, dentre outros, eu apresento um projeto, uma ideia e uma vez aprovado, executo a escultura. Horas de conversa e histórias afetivas surgem durante esse processo. E o trabalho de mergulhar e compreender o desejo do cliente é um tanto desafiador.

 

Como a pandemia e a questão do isolamento social estão afetando seu processo criativo?


O processo criativo em si tem transcorrido na verdade sem alteração. Tudo pode nos inspirar e se partimos do princípio simples de que a vida, quaisquer que sejam seus desdobramentos, é a grande fonte de inspiração, com a pandemia em si não seria diferente. A inspiração está na RELAÇÃO e essa é a grande descoberta. Caso contrário perdemos muito tempo em coisas externas, em busca de modelos, de referências. Tudo pode nos bloquear. Mas tudo pode igualmente nos inspirar.
 

A pandemia foi um desafio na operacionalização das esculturas. Adaptei um pequeno atelier em minha lavanderia e me vi buscando formas diferentes de concretizar determinadas etapas. Furei materiais com ferro incandescido no fogão ao invés de broca, usei o varal para secar algumas pinturas, expus cimento ao sol... E esses sim foram os grandes desafios. Afinal, se minha premissa é de que A ARTE É FAZER DO NADA ALGUMA COISA, eu estava apenas fazendo a lição de casa!

 

Quais você diria que foram e ainda são os seus grandes desafios para trabalhar e viver da escultura?


Viver da escultura significa encará-la como um produto também comercializável. Estou mais focada nesse aspecto e com a pandemia houve uma parada nas exposições presenciais, circulação, etc. Mas abriram-se novas plataformas de marketplaces, galerias on-line, concursos de arte e tenho me dedicado a isso. Precisamos estar sempre circulando nosso trabalho e correndo atrás dos objetivos, qualquer que seja o ponto em que estejamos.  

Outro aspecto muito importante de meu trabalho é o processo criativo em si. Como arteterapeuta, meu sonho é abrir o atelier para aulas, workshops e isso talvez tenha que ser postergado mais para o final do ano. Concretizá-lo, juntamente com a circulação e expansão das esculturas são os meus objetivos atuais.

 

Considerando sua trajetória profissional até o momento atual, quais você diria que são os atributos ou as caracter'sticas fundamentais que um artista precisa desenvolver em sua carreira?

 

Tendemos a encarar a arte apenas como inspiração...Muitos a veem assim. Determinação, foco, persistência, estudo, mas acima de tudo metas a serem atingidas e por quais caminhos seguir são fundamentais na construção e
manutenção da nossa atuação profissional como artista. O processo de criação é estritamente pessoal, porém o produto em si, seja um quadro, uma escultura, um livro, um filme, se não divulgados e inseridos no mundo,
funcionam como auto expressão. Se desejamos viver da arte, precisamos construir as condições e persistir. Persistir sempre.

 

Que conselhos você daria para alguém que está começando a dar os primeiros passos na escultura?


Escultura é algo muito amplo e sua definição clássica pressupõe estudo de volume, ocupação de espaço, técnica de modelagem, remoção de material, dentre outros. Como trabalho com Assemblage, ou seja, com a composição de diversos materiais, o primeiro ponto é descobrir e familiarizar-se com os materiais que evocam emoção e despertam vontades. Vontade de conhece-lo, de tocá-lo, de percebe-lo, de senti-lo. Algumas pessoas se paralisam diante do metal, do vidro, do fogo. Outros não gostam da sensação da argila fria e mole e por aí vai.

Descobrir o nosso canal de expressão é o primeiro ponto. A partir disso vem o conhecimento da técnica relativa ao material, o estudo, a dedicação, mas acima de tudo a prática constante.

 

Onde mais você quer chegar? Nos fale um pouco sobre seus planos, sonhos e projetos para o futuro


A referência para sonhar e tecer planos para o futuro baseiam-se no que vislumbramos como possibilidades e no que vemos ao nosso redor. Gostaria de passar por algumas experiências, como por exemplo participar de uma
grande feira de Arte como a SP – ARTE, organizar uma exposição individual com minhas esculturas, ambientada de forma a expor os processos de produção, materiais utilizados e conceitos nelas envolvidos, ganhar um prêmio de Arte de alguma instituição de destaque e abrir um centro de Arte e Expressões Criativas. Por fim e o mais importante, persistir sempre.

 

“Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha.” (Confúcio)

 

Conheça mais os trabalho da artista Claudia Seber aqui

 

 

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Wilian Olivato: "Fotografia é uma expressão, uma linguagem..."

Wilian Olivato nasceu em Igaraçu do Tietê, interior de São Paulo, se graduou em jornalismo pela Unesp em Bauru e fez da fotografia sua principal linguagem de trabalho. De 2009 até agora já fotografou como freelancer para agências de fotografia, artistas, agências de publicidade e também em projetos documentais dentro e fora do país.

Com pouco mais de uma década fotografando profissionalmente, mas já com alguns prêmios e exposições importantes no currículo, como ‘Save The Children Latin America’ e ‘Paraty em Foco’, Olivato transborda energia, experiência, conhecimento e ainda consegue combinar tudo isso com uma sensibilidade no olhar nada comum de se ver por aí.

Confira abaixo o delicioso bate-papo que tivemos com o fotógrafo, que nos contou sobre sua carreira, desafios e projetos para o futuro.

 

Quem é Wilian Olivato? Para aqueles que ainda não te conhecem, como você se descreveria ?

Sou jornalista de formação, mas a fotografia está na minha vida antes do jornalismo. Já são mais de 10 anos fotografando profissionalmente. Antes disso, sou marido, pai de 3 meninos, apaixonado pela música, poesia e principalmente por gente.

 

Nos conte um pouco sobre como a Fotografia entrou em sua vida ou como vc entrou para a Fotografia?

Sabe aquela historia do tio fotógrafo da família? Pois é, eu tive um. Sempre com uma camera por perto. Mas fui me aproximar realmente dela qdo trabalhei na redação de um jornal em Igaraçu do Tietê, minha cidade natal. Na extinta Folha do Vale conheci 2 fotógrafos, vivenciei um pouco da rotina ainda com filmes e um pouco do início do digital.

 

O que é Fotografia para você?

Fotografia é uma expressão, uma linguagem. Pra quem é profissional é ferramenta também, mas jamais deixa de ser essa forma de se expressar.

 

Por que escolheu a Fotografia como forma de se expressar? Fale um pouco sobre seus mestres, suas influências e inspirações

Mesmo nesse tempo em que o video ganha protagonismo, eu vejo a fotografia como algo diferente. Essa ideia de recortar o tempo, um instante. Mesmo romantizada é algo que fala muito comigo pois permite uma interpretação de quem vê.

 

Em que consiste seu trabalho hoje?

Hoje tenho duas frentes de trabalho. Um com retratos, publicidade e editorial e uma outra empresa onde fotógrafo casamentos.

 

Como a pandemia e a questão do isolamento social estão afetando o seu processo criativo?

Afetou de forma bem significativa. As produções praticaram pararam, viagens e tudo mais.
Editei um material que estava sem edição, revisitei algumas coisas antigas e isso é sempre bom. Também aproveitei pra fotografar minha familia, testar luzes...

 

Quais vc diria que foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Fotografia?

Construir uma linguagem que atenda essas varias demandas dentro da fotografia é sempre o maior desafio. O mercado tem muita oferta de fotógrafos, e muito gente boa, fazendo trabalhos incríveis. Então se manter exposto, produzindo é importante.

 

Você ainda é  bastante jovem, mas considerando a sua trajetória profissional até o momento atual, quais vc diria que são as características ou atributos fundamentais que um artista precisa desenvolver?

Levando em conta que cada vez mais cedo temos profissionais no mercado, acho que não sou tão jovem assim (risos). Mas habilidades de realcionamento, network, atendimento, a meu ver são quase mais importantes que a técnica fotográfica em si. Hoje você entra no youtube e tem milhares de workshops e tutoriais pra aprender a fotografar. Mas os mais inexperientes muitas vezes não sabem fazer a leitura de um trabalho, em como atender ou apresentar o próprio trabalho por exemplo.

 

Que conselhos ou dicas vc daria para alguém que está apenas começando a dar os primeiros passos no mundo da Fotografia?

Alem de estudar, obviamente. Eu diria pra investir no repertorio, ver muita fotografia, ler, ver muitos filmes, pensar a luz das cenas. E claro, clicar, testar, errar, tentar de novo.

 

Onde mais vc quer chegar? Nos conte mais sobre seus planos, sonhos ou projetos para o futuro.

Eu estou abrindo um estudio no interior agora. Devo inaugurar logo após a pandemia. Em Sao Paulo, pretendo seguir com produções para agencias e retratos.
E uma coisa que caminha em paralelo é a produção de impressoes em fineart que devo começar a fazer em breve. Já fiz uns testes, mas quero apresentar isso de forma mais consistente.

 

Conheça mais o trabalho do fotógrafo aqui. 

 

 

 

 

 

 

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Tom Miyasaka: "É através da arte que a gente enriquece nossa mente e aperfeiçoa nossa alma."

Filho de imigrantes japonêses, Tom Miyasaka, esse artista brasileiro de 62 anos, é formado em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado, e trabalhou a maior parte de sua vida adulta em projetos de Comunicação Visual e Design Gráfico.

Artista plástico tardio, suas primeiras obras começam a datar de 2006, uma vez que toda a experiência adquirida no período do Design, foi lhe encaminhando naturalmente para a pintura digital.

Com seus trabalhos  selecionados em duas oportunidades no 3º e 4º Salão de Outono da América Latina e ainda 3 participações com outros 6 trabalhos no Grande Salão de Arte Bunkyo, inclusive recebendo Medalha de Ouro na categoria Arte Contemporânea em 2015, Tom Miyasaka vem traçando com determinação seu caminho nas Artes.

Confira abaixo o delicioso bate-papo que tivemos com ele..

 

Quem é Tom Miyasaka? Para aqueles que ainda não te conhecem, como você descreveria sua personalidade, seu jeito de ser?

Sou o resultado do conhecimento que acumulei até o momento e dos sentimentos que compartilhei com as pessoas com quem me relacionei. Estou sempre aberto a conhecer ideias e opiniões que divergem das minhas ou que mostram o outro lado das questões porque conhecer as coisas em sua complexidade é muito mais enriquecedor, mais verdadeiro. Ao contrário de uma visão simplista e unilateral que é reducionista e geralmente incompleta.

 

Nos conte como a Arte entrou em sua vida ou como você entrou para as artes?

Na casa onde eu cresci, tinha uma pintura, um pequeno quadro que meu pai comprou quando ele ainda era jovem. Era uma paisagem com um lago, uma casinha na margem, araucárias e montanhas ao fundo. Ficava observando esse quadro, as pinceladas. Também ví muitas imagens de arte japonesa em nanquim. E tinha um livro da Divina Comédia do Dante com ilustrações do Gustave Doré. Admirava aquilo tudo e aquilo me motivou a desenhar. Tudo isso foi despertando em mim o interesse pela Arte, não só as artes plásticas, mas todas as formas de arte. Daí, fazer mais tarde escola de arte foi um caminho natural.

 

O que é arte para você?

Não saberia definir. Sinto que a arte amplifica a percepção que a gente tem do mundo. Isso acontece através da nossa apreciação das diferentes linguagens que os artistas se utilizam pra se manifestar e comunicar suas visões de mundo. Algumas dessas linguagens, como a música, por exemplo, são mais universais, outras dialogam com públicos menores. Tem arte de todo tipo e pra todo mundo. Pra mim, é através da arte que a gente enriquece nossa mente e aperfeiçoa nossa alma.

 

Por que escolheu a arte digital combinada com a pintura como forma de se expressar? Fale um pouco sobre seus mestres, suas influências e inspirações

Nem sempre trabalhei com arte. Depois da faculdade de artes, fui trabalhar com publicidade e comunicação visual onde utilizava ferramentas digitais pra produzir o meu trabalho. Anos mais tarde, quando comecei a criar meus primeiros trabalhos, utilizar as ferramentas digitais que eu já dominava foi uma escolha natural.

Tem muita gente que influenciou o meu trabalho. Diferentes artistas em diferentes fases da minha vida. Joán Miró, Jackson Pollock, Rauschemberg, Tomie Ohtake, Rothko, Andy Warhol, Henri Moore, Jean Arp, Mondrian, entre tantos outros. Gosto muito dos caras que fazem arte Wabi Sabi. E tem também uma 'pá' de artistas de outras áreas como da música e da literatura que influenciaram profundamente a minha formação.

 

Em que consiste seu trabalho hoje?

Apesar de trabalhar com arte digital, sinto-me como um pintor, só que as ferramentas que utilizo não são a tinta e o pincel. Vou pro computador e começo a "pintar". Escolho alguma forma que tenha uma plasticidade que me atraia, que seja instigante, rica nos detalhes ou nas texturas e tenho aí um tema para o quadro. O trabalho é quase sempre o resultado de um processo de acrescentar "pinceladas" (como na pintura convencional) e editar formas, cores, luzes e texturas buscando encontrar um equilíbrio ou um encontro entre a organicidade das formas e uma racionalidade mais cartesiana. Nunca sei de antemão qual será o resultado final e muitas vezes o mote original se dilui ou se transforma ao longo desse processo de criação. Gosto de pensar que é meio como no jazz.

 

Como a pandemia e a questão do isolamento social afetaram o seu processo criativo?

Não afetaram meu processo criativo. O isolamento subverteu de maneira radical o cotidiano de todo mundo e, se não bastasse a tragédia em sí, aqui no Brasil a gente ainda tem que lidar com questões políticas sérias. A pandemia me afeta como pessoa e como cidadão. Fico alarmado, paranóico, inseguro, revoltado, mas não afeta meu trabalho criativo. Talvez porque ele seja essencialmente abstrato. Imagino que artistas figurativos devem se sentir meio compelidos a contextualizar suas criações a esse momento que estamos vivendo.

 

Quais vc diria que foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Arte?

Preciso que mais pessoas conheçam meu trabalho. Acho que preciso estar mais presente nas redes sociais e divulgar meu trabalho.

 

Considerando o seu caminho ou sua carreira até aqui, quais você diria que são as características ou atributos fundamentais que um artista precisa desenvolver?

Acho que o artista tem que ter a mente aberta, ser ávido por conhecimento e se desenvolver tecnicamente.

 

Que dicas você daria para alguém que está apenas começando a dar os primeiros passos no mundo das Artes?

Acho que cada artista precisa descobrir seu próprio caminho. Ele não tem que saber de cara aonde pretende chegar, mas deve seguir seu instinto e escolher a direção que quer seguir. E por a mão na massa. A gente logo descobre que o fazer é um processo aberto que vai revelando conhecimentos que a intenção original não tinha como supor. Ao mesmo tempo, ver tudo o que puder, ler tudo o que puder, conhecer e abraçar o universo de conhecimento que pavimenta esse caminho. Ele então começa a entender porque se identifica e sente empatia por determinadas visões de arte, determinados artistas, determinadas obras, ou seja, vai descobrindo em que lugar se situa. Acho que é assim, o cara começa a pensar arte e a se tornar um artista. 

 

Onde mais você quer chegar? Nos fale mais sobre seus planos, sonhos ou projetos para o futuro

O que mais quero é continuar criando e evoluindo. Acho que isso já vem sendo realizado, então o que desejo agora e pro meu futuro é disseminar meu trabalho pra mais gente.

 

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Eulália Pessoa: "Entendi que o importante é apenas e exclusivamente o fazer artístico. Nada mais importa."

Num primeiro momento, uma explosão intensa de formas e cores vibrantes, quase um convite para uma eterna festa é o que capta o olhar do expectador que se depara com a obra da artista Eulália Pessoa. Mas as cores fortes, os traços precisos, as texturas em recortes, em um olhar mais atento, não deixam a menor dúvida: cada trabalho da artista é, na verdade, um intrincado mosaico de imaginação, memórias e sentimentos que a artista “costura” cuidadosamente para resgatar sua história e sua essência, revelado em seu estilo.

Nascida no interior do sertão cearense, Eulália passou a morar com os tios em Teresina após o falecimento de sua mãe, com apenas 3 anos de idade. Desde muito cedo se interessou pelas Artes. Se formou em Nutrição e em Artes Visuais. Já teve suas obras expostas em Teresina, São Paulo, assim como nos países Áustria, Tailândia, China, Itália, República Dominicana.

Conseguimos encontrar a artista para uma deliciosa conversa, que nos contou mais sobre sua personalidade, sua arte, seus dilemas e seu planos para o futuro. 

 

Quem é Eulália Pessoa? Nos conte um pouco sobre sua personalidade, seu jeito de ser enquanto artista e profissional das artes

Penso que em qualquer área criativa, a bagagem pessoal de cada um, é força motriz para sua obra. Seus sentimentos, emoções e experiências. E aí vão as alegrias, tristezas, conquistas, decepções, tudo. Coisas boas e coisas ruins. Eu transformei algo que a princípio é motivo de tristeza para a maioria das pessoas, que é o fato de ser órfã de mãe, em algo vibrante, colorido, imaginativo. Claro que para mim é uma experiência triste, mas o amor maternal que não tive me fez querer buscar algo mais positivo, mais feliz. Esse é meu compromisso com a arte, ser honesta e verdadeira com minhas emoções e transpô-las para as telas, de uma forma muito serena, tranquila e com uma boa dose de felicidade.

 

Como e quando a Arte entrou em sua vida?

Desde criança já mergulhava num mundo imaginativo com lápis e papel, como praticamente toda criança. Só que isso nunca me abandonou. Ou eu que nunca deixei isso escapar de minha vida. A leitura e admiração por livros e enciclopédias de artes também foram fundamentais nesse processo de descoberta que eu encontrava na biblioteca de casa. Sempre tive habilidades manuais um pouco acima das minhas irmãs. Sempre fiz tudo: costurava de roupas a bolsas, fazia minhas próprias bijuterias, na cozinha fazia de pratos salgados a bolos, mexia com madeira, argila e sempre desenhei. Mas me graduei na área de saúde e segui carreira como nutricionista. Após anos na profissão senti necessidade de lidar com meu lado criativo e fiz uma nova graduação em Artes Visuais e abandonei a profissão anterior e sigo pintando até hoje.

 

Em que consiste o seu trabalho artístico hoje?

Praticamente a pintura em tela é 95% do que faço e nelas expresso a tentativa de encontrar a figura de minha mãe, já que a perdi ainda criança e não tenho nenhum fragmento de memória da imagem dela. Ela está presente em 100% de minha série “Mulheres”. Sempre é ela. E ao mesmo tempo, são todas as mulheres desse mundo. As mulheres belas, cultas, trabalhadoras, corajosas. O que muda são as situações e motivos da pintura, como roupas, locais, etc. Essa será, talvez, uma busca sem previsão de algum encontro definitivo.

 

Por que escolheu a pintura como forma de se expressar? Fale um pouco sobre seus mestres, suas influências e inspirações

O deslizar do pincel e da tinta numa tela me provocou uma atração muito forte. Apesar de ter experimentado diversas técnicas, como escultura em cerâmica, talha em madeira, xilogravura e grafite, o que realmente me conquistou foi a tinta sobre tela. Minha concentração ao pintar a grande quantidade de detalhes me transporta para outro lugar. Quanto mais detalhe, mais tempo pintando, mais eu gosto. Viajo e me encontro dentro dos meus traços e cores. É um lado romântico do ofício, em certa medida como era a vida de Modigliani, totalmente devotado à sua arte, repleta de amor, poesia e sofrimento. Sua reprodução constante da figura humana é uma característica também no meu trabalho. Assim como a exacerbação do detalhe e padrões era uma característica de Gustav Klimt, que admiro bastante e me aproprio e reproduzo também em minha obra.

 

Como foi seu caminho para chegar até aqui? Quais foram ou ainda são seus grandes desafios para trabalhar e viver da Arte?

A arte tem sido muito generosa comigo. Tenho tido respostas e motivações bastante amigáveis do universo artístico e até mesmo inesperadas. Antes de todas as questões que envolvem “viver de arte”, o que mais me completa é a felicidade de ser artista e poder pintar o que pinto. A liberdade real e absoluta de fazer o que mais me realiza, que atende minhas necessidades vitais. Não busco reconhecimento nem sucesso financeiro com o que faço. Pintar me move para um caminho que gosto bastante, um caminho que não identifico com muita clareza, mas que me provoca as melhores sensações que já experimentei até hoje.

 

Nos conte um pouco sobre como está sendo seu período de isolamento social durante essa pandemia

Como moro já há algum tempo numa fazenda isolada com acesso totalmente limitado, minha rotina já era de distanciamento e de dedicação quase integral à pintura, que divido apenas com pequenas tarefas domésticas, como cozinhar e cuidar das minhas plantas. Tenho mantido o mesmo ritmo de pintar que é como uma necessidade diária, como beber água, me alimentar, dormir.

 

Com uma certa experiência de vida e experiência enquanto artista, quais vc diria que são as características ou atributos necessários para abraçar uma carreira em Artes?

Entendi que o importante é apenas e exclusivamente o fazer artístico. Nada mais importa.  É manter-se em estado de fidelidade e honestidade com sua obra. As realizações financeiras, prestígio ou reconhecimento poderão surgir ou não, mas não são essas coisas que deveriam mover um artista. Eu vivo um pequeno dilema: se pudesse, não venderia nenhuma obra minha, ficaria com todas. Mas como iria guardá-las? Como pagaria minhas contas?

 

Que conselho que vc daria para alguém que está apenas começando no mundo das Artes?

Faça, faça e faça. Não deixe de fazer. Não pare. Não desista. Faça pra você e apenas você. Admire e critique seu próprio trabalho. Carregue paixão e honestidade na mesma medida.

 

Onde mais vc quer chegar? Me fale mais sobre seus projetos, seus planos ou mesmo sonhos

Quero pintar mais. Ter ainda muito tempo pela frente para pintar mais. Materializar toda minha imaginação em telas, tentar representar a memória de minha mãe das formas mais lindas que eu achar.

 

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Ricardo Baroni: "meu trabalho consiste em compartilhar a minha percepção, ressignificar, buscar beleza e valores intrínsecos em objetos e lugares, na paisagem comum."

Artesanato, dança, desenho de arquitetura, design de ambientes, artes gráficas, gastronomia, poesia e folclore são algumas de suas vivências.

Com este repertório variado, não é sem razão que o artista Ricardo Baroni Squárcio, ou apenas Ricardo Baroni, como é mais conhecido, consegue um resultado tão rico em cada uma de suas obras.

Natural de Belo Horizonte onde vive e trabalha, seu trabalho autoral mescla fotografia e arte digital. Seus registros fotográficos fornecem a imagem como matéria prima para seu processo artístico, suas pesquisas, experimentos e criações através da edição digital, resultando em obras únicas, carregadas de sensibilidade e harmonia visual.

Com caráter poético, e que denota a inquietude do artista diante da profusão de possibilidades de expressão das imagens, flui a sintonia e percepção quanto a beleza intrínseca na paisagem comum, acessível e singular.

Conseguimos conversar com o artista de tendência multiartística que nos deu diversos detalhes sobre sua personalidade, seu processo de criação, carreira e seus planos para o futuro. Confira abaixo..

 

Quem é Ricardo Baroni? Me fale um pouco sobre vc, sua personalidade, coisas que gosta..

Vivo hoje um contentamento e gratidão de vivenciar a arte mais efetivamente. Em um desalinho com os padrões, trâmites e sistemas deste mundo, onde vivo entre uma busca e superação intensa, sempre tive a arte como necessidade e forma de acalento. De forma bem sucinta, digo que sou um ser discreto, inquieto, observador, perseverante e reservado. Sempre fui atraído bela beleza, e a percepção desta, se torna cada vez mais mutante, subjetiva e abrangente. Gosto de música, de cozinhar, caminhar, colecionar e folhear livros, garimpar objetos de rua, visitar exposições, espaços culturais e independentes de artes, praças, espetáculos, de ambientes acolhedores, das coisas sutis, da sensibilidade, de apreciar...

 

No que exatamente consiste seu trabalho hoje e como ele amadureceu para chegar até aqui?

Para o momento, digo que o meu trabalho consiste em compartilhar a minha percepção, ressignificar, buscar beleza e valores intrínsecos em objetos e lugares, na paisagem comum. Ele evolui a partir de uma arte totalmente digital, onde em contato massivo com as imagens, começo a identificar ali o caminho mais preciso para minha arte, em um processo de trabalho com criação, apropriação e experimento. O amadurecimento, surge de maneira espontânea, gradativa e essencial, onde a busca e a necessidade cresce e passo a utilizar o meu olhar e os meus registros como matéria-prima, desta maneira denominando meu trabalho de linguagem fotográfica.

 

Quando foi exatamente que você encontrou a Arte ou a Arte te encontrou? Fale um pouco sobre suas influências, suas fontes de inspiração, seus mentores, suas musas,..

Desde sempre fui inclinado à arte. Ela sempre fez parte do meu trajeto, no entanto, a arte que faço hoje teve um início tardio, acredito que foi necessário esperar pela vivência de várias experiências e situações para alcançá-la, como que um processo de aprendizado, lapidação e amadurecimento. Ela também deriva de anos de trabalho e aquisições dentro das artes gráficas. Mas sempre criando, experimentando a diversidade com marcenaria, moldando, rabiscando, às vezes escrevendo, e por muitos anos atuei como bailarino em grupos de dança folclórica. Ainda passei por escolas de desenho de arquitetura, design de interiores, design gráfico e gastronomia. Acredito em uma mentoria espiritual, sinto meu trabalho fortemente autoral, onde não consigo criar uma relação exterior e também não percebo influências, mas sim, as inspirações, onde elas atuam de maneira sútil.

 

Artistas de um modo geral não gostam muito de falar sobre seus processos criativos por que podem ser realmente muito subjetivos. Mas se vc pudesse contar alguma particularidade do seu processo criativo ou de como ele funciona, o que seria?

Sinto tudo um processo longo de construção, sintonia, intuição e força, uma “Força Estranha”. No mais é muito imagético e afetivo! É enxergar algo na paisagem, ao redor, é perceber possibilidades, é experimentar, é harmonizar.

 

Como foi seu caminho para chegar até aqui? Imagino que além das conquistas e satisfações ao longo da carreira, os desafios também lhe acompanharam. Quais foram seus grandes desafios e quais vc diria que são os grandes desafios dos artistas de um modo geral aqui no Brasil?

Uma vez determinado a seguir como artista, fazer um caminho profissional e consistente, encontro um processo árduo e moroso, uma luta solitária e incompreendida, onde as oportunidades vão existir, mas oscilam, as dúvidas e incertezas sobre o caminho surgem, e a perseverança é sustento para a continuidade.

Continuando de maneira sucinta, e não muito a vontade para falar sobre o assunto da arte no Brasil, também evitando redundância sobre o tema, penso que existe uma questão de aptidão do país, que a frente da arte estão muitas outras predileções. Algo que percebo como grande fator dificultante, principalmente para o artista iniciante é o fato de grande parte do público consumidor de arte, ainda optar pelo consumo de “nomes”. Mas vejo com otimismo, novos tempos para a arte, embora pareça contraditório em relação ao momento, tempos de um despertar, uma renovação, onde se encontrará sensibilidade e busca em consumir beleza, harmonia, questionamento, alegria, aconchego e o que mais possa se encontrar contido na arte.

 

Qual o conselho que vc daria para alguém que está em início de carreira? Se vc conseguisse resumir todo o seu aprendizado ao longo da sua carreira, em uma, duas ou três sugestões que vc gostaria de ter recebido quando era mais jovem, quais seriam essas sugestões?

Seria pretensioso da minha parte oferecer um conselho.  As situações vão variar de um artista para outro, vão existir particularidades, necessidades diferenciadas, percebi que não existe uma receita certa, mas acho essencial sentirmos que o trabalho possua sinceridade e honestidade, e em primeiro lugar seja bom, agradável e satisfatório para nós mesmos enquanto artistas. Que o trabalho sempre permita nos encontrarmos e nos compreendermos dentro do próprio processo. E, finalmente, perseverar sempre.

 

Onde mais vc quer chegar? Nos fale mais sobre seus projetos ou seus planos para o futuro.

Eu quero que a minha obra cada vez mais, chegue e faça bem aos olhos, aos corações e consequentemente a alma das pessoas, e seja de alguma forma uma contribuição no complexo cenário da vida. Como projetos, sempre busco por trabalhar ideias de propostas e temáticas que sejam interessantes para os ambientes culturais e expositivos diversos e também estou em processo de realizar um espaço físico para visibilidade e vazão para minha arte, espaço este na cidade de Belo Horizonte.

 

Conheça mais trabalhos do artista aqui.

 

 

 

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Claudia Seber e suas incríveis esculturas que ressignificam materiais

Esse mês a DOMI teve o imenso prazer de coversar um pouco com a multitalentosa Claudia Seber.

Arteterapeuta, designer de jóias e Terapeuta Ocupacional de formação, atuando há mais de 20 anos no ramo da joelheira autoral, tendo se dedicado simultaneamente à criação e produção de jóias, adornos e ao ensino técnico das mesmas.

Suas esculturas surgiram com a ideia de mesclar a técnica da joalheria e o refugo da produção de joias, a diversos e inusitados tipos de metais recolhidos aleatoriamente pelas ruas e caçambas da cidade de São Paulo, como o vidro, mármore, madeira, enfim todo e qualquer material...

Mesmo com diversas coisas acontecendo ao mesmo tempo, tirou um tempinho para conversar conosco!

 

Quem é Claudia Seber? me fale um pouco mais sobre vc, sua personalidade e seu encontro com a Arte?

Sou uma mulher madura e com alguns cabelos brancos que a cada manhã busca fazer da  vida a realização dos meus ideais pessoais e humanos. Filhas criadas, casa “arrumada” e trabalhando em meu atelier exerço minha personalidade inquieta, ávida por conhecimento e exigente em tudo que faço. Amante da natureza, de esportes, de viagens inusitadas, de biografias...encontro-me e recarrego-me em minha solitude mergulhando nesse mundo paralelo e complementar ao meu trabalho.

Quaisquer que sejam nossos Encontros, profissionais ou não, eles são os caminhos que nos alçam ao mundo e materializam nossa marca indelével. O Encontro com a Arte exigiu de mim amadurecimento, estudo, persistência e paciência após 20 anos atuando como designer de joia e outros tantos como Terapeuta Ocupacional.

Quando enfim vi-me projetada e realizada em meu trabalho como artista, minha vida  revelou-se bastante compreensível em meus caminhos e descaminhos...


Podemos perceber que vc é uma artista multi talentosa ou de várias faces, que trabalha em vários campos da arte ao mesmo tempo... O que exatamente vc faz ou no que consiste o seu trabalho hoje?

Minha pós-graduação em Arte-terapia com base na Psicologia Analítica foi algo que me acrescentou para minha compreensão acerca da Arte enquanto processo simbólico e subjetivo. Depois de anos atuando como designer de joias, trabalhando na bancada e ministrando aulas comecei a criar esculturas reciclando materiais da oficina e prioritariamente com toda sorte de metais encontrados pelas ruas.

Mantendo concomitantemente a produção de joias, embora de forma mais restrita, intensifiquei a criação das esculturas, únicas e conceituais, com bastante afinco. Participei de exposições, concursos e atualmente trabalho na elaboração de um Centro de Arte e Criatividade onde pretendo ministrar aulas e workshops. Sou amante de fotografias e arrisco-me na escrita com a elaboração de histórias infantis e textos em geral. Ambas as atividades exigem observação, introspecção e desprendimento. Um exercício diário no trabalho como artista.

 

Cada artista tem um processo criativo diferente ou bastante particular. Fale um pouco sobre seu processo de criação, suas fontes de inspiração e sua relação com cada obra.

Meu processo de criação e inspiração começa no questionamento e na observação dos mundos material e subjetivo. Dele fazem parte as pessoas, os sentimentos, a natureza e as relações humanas. Paralelo a isso me dedico a recolher pelas ruas e receber todo tipo de sucata prioritariamente metálica que normalmente se destinaria à reciclagem. Uso então a palavra “ressignificação” material ao destinar os metais para a produção das esculturas. Todo material da joalheria, tais como pedras, entremeios, correntes, etc, também são utilizados.

Traduzir a vida e nossa bagagem emocional, técnica e conceitual em Arte é imprimir nossa marca no mundo. Cada escultura advinda de um conceito ou mesmo de sua forma particular, encerram uma história e uma intensão. Emocionar e provocar a imaginação do observador é algo que sempre tenho em mente. Se não houver emoção e verdade naquilo que criamos, jamais atingiremos quem as contempla. Cada obra é a tradução desse meu pensamento.

 

Um artista é sempre um artista, independentemente de qualquer rótulo que possam vir a lhe colocar, correto? Mas gostaria de saber de vc sobre a mulher artista. Vc acha que a artista que vc é hj em dia e sua 
produção artística tem relação com o universo feminino ou, de alguma forma, é do jeito que é pelo fato de vc ser mulher ou isso não tem qualquer relação para vc?

Rótulos nos engessam em quaisquer circunstâncias mas ao mesmo tempo nos situam no mundo. O exercício constante de equaliza-los à nossa Alma, nossa individualidade e nosso trabalho é um desafio enorme. Isso se dá com a Arte, pois criar é lançar-se ao mundo. Diria uma auto expressão a serviço do outro.

Homens e mulheres, somos todos constituídos de energias masculina (ação/enfrentamento) e feminina (continência/acolhimento). Sou uma mulher bastante feminina na forma de expressar-me e criar, embora a execução das esculturas e o uso do próprio metal em si sejam mais da esfera masculina. Ser mulher, ter duas filhas, duas irmãs e uma mãe bastante assertiva, fizeram toda diferença na minha vida profissional. Compreendo a força do feminino porque a vivo a cada dia. E dela só posso dizer que traz em si um poder gerador e transformador inigualáveis.


Como foi seu caminho para chegar até este momento? Olhando para trás, além de suas conquistas e dos seus acertos, quais vc diria que foram ou ainda são seus grandes desafios enquanto artista? Quais vc diria que são as grandes dificuldades que um artista enfrenta nos dias de hoje?

Meu caminho foi sinuoso e cheio de atalhos.  Qualquer forma e qualquer um que eu tivesse escolhido teriam me conduzido exatamente para onde estou. Acertos e erros são apenas o quanto de tempo levamos para amadurecer e abraçar a vida com as próprias mãos e encontrar-se realmente no que fazemos e como fazemos. Demorei em chegar e minha intenção não é partir. É ficar e persistir.

Desafios? Ser cada vez melhor naquilo que faço e crio. Estudar, ler, conhecer, produzir e sentir o retorno do mundo ao meu redor.  Estruturar meu Centro de Arte e Criatividade. Colocar meu trabalho a serviço de um mundo melhor e mais humano.

A grande dificuldade de um artista, hoje e sempre, é antes de tudo reconhecer-se como tal e desvincular sua criação de um reconhecimento imediato e meramente financeiro. Como em qualquer profissão precisamos ter paciência, persistência e acima de tudo muita verdade e doação naquilo que fazemos. Decorrente disso talvez esteja o caminho do crescimento e do reconhecimento. Parcerias e bons encontros são fundamentais.

 

Qual conselho que vc daria para alguém que está em início de carreira? Se vc conseguisse resumir todo o aprendizado ao longo de sua carreira, em alguma(s) sugestão(ões) que vc gostaria de ter recebido 
quando era mais jovem, quais seria(m) essa(s) sugestão(ões)?

Li recentemente uma frase que resume minha resposta: ”Onde quer que você esteja, este é seu ponto de partida”.

Onde vc quer chegar ou qual seu grande sonho ou objetivo para sua carreira?

Não sei o que há depois da curva, mas descobrirei...

Quero ser reconhecida como uma escultora que traduz a vida em uma linguagem estética, mais digerível e apreciável. Que faz Arte de forma silenciosa, ecumênica, bela e apartidária.

Atualmente meu sonho é realmente estruturar um Centro de Arte e ensinar meu trabalho de criação das esculturas que alia metalurgia, joalheria, trabalho com vidro, fixações, etc. E propiciar que a Arte enquanto processo possa ser um meio de tornar-nos pessoas melhores, mais confiantes e com mais solitude.

Esse projeto exige tempo, dinheiro e parcerias. E hoje este é o meu ponto de partida.

 

Para conhecer mais o trabalho da artista entre aqui

 

 

 

 

 

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Vivi Villanova do canal no Youtube VIVIEUVI conversa com a DOMI

Toda essa popularidade e destaque não vieram da noite para o dia. Já faz um bom tempo que ela trabalha com cultura e está envolvida em projetos relacionados às Artes: música, teatro, exposições, etc. É formada em Comunicação Social e já passou por diversas agências de publicidade, revistas, TV, cinema publicitário.

Mas o que tem encantado os seguidores de seu canal no YouTube VIVIEUVI, com mais de 77 mil inscritos e com vídeos batendo records de visualizações, é o seu jeitinho todo especial e bem humorado de abordar, explicar e refletir, de forma tão gostosa e descontraída, esse assunto que amamos tanto: Arte.

A DOMI quis conhecer um pouco melhor essa mulher tão cativante que está fazendo sucesso no mundo dos apaixonados por Arte, que além de estudar muito, vem aumentando freneticamente seus números nas redes sociais, e fez essa deliciosa MINI ENTREVISTA. Confiram..

 

Quem é Vivi?

Pergunta filosófica, estou na jornada de descobrir esse “quem”. Mas na prática, sou uma mulher de 29 anos, meio cética, meio mística. Tenho um canal no youtube onde eu falo sobre arte chamado VIVIEUVI, aliás se inscreve que é divertido :)

O que você faz?

Há mais de dois anos eu posto vídeos no youtube sobre temas que rondam o universo da arte. Biografias de artistas, movimentos artísticos, exposições, pensamentos. No Facebook tenho um grupo que eu amo de paixão onde a galera compartilha notícias, vídeos, memes e muitos trabalhos pessoais. O Instagram é uma continuação disso tudo.

Por que?

Eu amo arte. Arte ressignifica minha vida. E eu fico muito feliz dedividir essa paixão com pessoas que vibram tanto quanto eu com esse tipo de expressão.

Como?

Eu parto da minha experiência com a arte que é de leiga-amante. Nessa jornada dos vídeos eu aprendi muito, mas o que me guia é o encanto. Acho que as pessoas se conectam comigo nesse lugar, no lugar da paixão. E quanto mais a gente vê arte, mais a gente quer arte.

Qual seu objetivo?

Acho que meu objetivo é reunir amigos que queiram dividir essa arte toda comigo e construir. Até agora o caminho tem sido muito rico.

Onde quer chegar?

Eu quero continuar fazendo os vídeos e trazer essa convivência da internet cada vez mais pra vida real também. Estou atenta aos sinais.. kkk

 

DOMI Galeria de Arte Online

 

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Conheça o escultor de uma das peças em destaque na exposição “Histórias afro-atlânticas”, no Masp

 

Autor de uma das obras mais comentadas na mostra “Histórias afro-atlânticas”, que estreou no fim de junho no Museu de Arte de São Paulo e no Instituto Tomie Ohtake, Flávio Cerqueira (1983) flerta com a escultura desde os 16 anos, mas foi ao ver uma exposição do francês Auguste Rodin, na Pinacoteca de São Paulo, que o artista paulistano se apaixonou pelo bronze. Desse material é feita “Amnésia”, obra que traz à exposição o tema do embranquecimento da população negra: “O personagem simboliza a última pessoa a sofrer esse processo, a lata de tinta que o garoto despeja em seu próprio corpo não tem material suficiente para cobri-lo por inteiro”.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, Lilia Schwarcz, Hélio Menezes, Ayrson Heráclito e Tomás Toledo, a mostra reúne representações das culturas afro-atlânticas, assim como trabalhos de importantes artistas negros de todo o mundo. São cerca de 450 obras de diferentes períodos, materiais e estilos em cartaz nas duas instituições de São Paulo, até 21 de outubro.

 

Confira a seguir uma entrevista com o escultor Flávio Cerqueira:

 

SP-Arte: Como você começou a trabalhar com escultura? Em especial, como foi a decisão de eleger o bronze como matéria-prima elementar?

FC: Eu comecei a modelar aos 16 anos. Eu trabalhava com massa epóxi, fazia bruxas, doendes, aqueles artesanatos hippies. Mas foi depois de ver uma exposição do Rodin, na Pinacoteca de São Paulo, que decidi que iria trabalhar com escultura e que o bronze seria minha matéria-prima.

SP-Arte: Como é o processo de desenvolvimento de uma peça? E a fundição, é algo que você acompanha?

FC: O processo de desenvolvimento de uma escultura em bronze é muito demorado e bastante trabalhoso. Consiste em modelar uma figura em argila, fazer um molde de silicone e gesso, tirar uma cópia em cera, cobrir essa peça com uma casca cerâmica, derreter a cera (por isso se chama fundição: pela cera perdida), derramar o bronze em estado líquido, soldar as partes fundidas e, por fim, fazer a pátina (processo de aceleração da oxidação do bronze que dá cor a ele, geralmente marrom, preto ou verde). No meu processo, eu não desenho ou faço esboço. Começo a modelar a figura e deixo que ela vá me mostrando o caminho. E acompanho o momento inteiro na fundição, isso é fundamental para o trabalho sair com o acabamento que eu desejo.

SP-Arte: Seu trabalho é composto a partir de cenas cotidianas e familiares, mas que muitas vezes passam despercebidas. Você se considera um observador atento? Como você escolhe as narrativas a serem trabalhadas?

FC: As cenas e narrativas compostas pelos meus trabalhos podem ser experiências pessoais, histórias ouvidas ou mesmo histórias inventadas. Eu me considero mais um contador de “causos” do que um observador atento.

SP-Arte: O que te chamou atenção na exposição “Histórias afro-atlânticas”? Teria alguma obra ou artista que você gostaria de destacar?

FC: Me chamou atenção o fato da mostra “Histórias afro-atlânticas” ser muito mais do que uma exposição de arte, dela ser um registro histórico em que os negros são os produtores e os protagonistas de suas próprias histórias. Gostaria de destacar o trabalho minucioso de pesquisa feito pelos curadores. Eu acho que cada obra tem sua importância na construção do todo – são peças fundamentais para que o conjunto seja harmonioso. Sem dúvida, essa exposição será uma daquelas que ficará para sempre em nossas memórias.

SP-Arte: A escultura “Amnésia” integra a mostra no Masp. Você poderia nos contar um pouco sobre a história da peça? Como ela foi concebida e como chegou a exposição?

FC: A escultura “Amnésia” fazia parte da minha exposição individual “Se precisar, conto outra vez” (2016). Essa mostra buscava narrar novas versões para a história oficial do Brasil e o trabalho “Amnésia” se relaciona com isso ao tratar do embranquecimento da população negra, um lado perverso da “mestiçagem”. O personagem da escultura simboliza a última pessoa a sofrer esse processo, a lata de tinta que o garoto despeja em seu próprio corpo não tem material suficiente para cobri-lo por inteiro. Como o bronze sempre serviu para registrar um momento histórico, não seria diferente com esse garoto.

O Hélio Menezes, um dos curadores da exposição “Histórias afro-atlânticas”, acompanhou de perto a minha individual. Além disso, escrevi para Lilia Schwarcz para apresentar minha recente produção e para convidá-la à mostra . Ela avisou o Adriano Pedrosa, que também foi conferir meu trabalho. Logo, o grupo curatorial estava bem familiarizado com essa série e o convite para participar da exposição no Masp surgiu no início deste ano, quando as coisas já estavam bem encaminhadas.

SP-Arte: Essa mesma escultura também esteve na exposição “Queermuseu”. Como você enxerga a liberdade de expressão na produção de artistas?

FC: Estamos vivendo um momento muito sombrio na sociedade brasileira em todas as áreas, não apenas nas artes. Como artista, acredito que posso continuar falando sobre os assuntos que me são urgentes sem perder a sutileza e a beleza. Há milhares de formas de se falar de amor, você só precisa encontrar a maneira adequada para cada situação.

SP-Arte: Seu trabalho tem um tom político e social bem forte. Você acredita na arte como vetor de mudança?

FC: Eu não vejo meu trabalho como político, social. Busco ter uma produção que se comunique com todos, sem criar um barreira hierárquica de conhecimento, esse é o barato pra mim! Eu vejo mudanças na minha própria vida. Arte é muito mais do que um objeto de contemplação!

SP-Arte: Quais projetos você tem pela frente?

FC: Participo de algumas exposições nas quais se destacam “Resignifications – Black Mediterranean”, em Palermo, na Itália, organizada pelo nigeriano Awam Amkpa. Em julho, reabre a exposição “Queermuseu”, no Parque Lage (RJ), e, em agosto, “Open Spaces”, no Kansas City, Missouri (EUA), com curadoria do Dan Cameron.

 

Fonte: SP-Arte

 

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Entrevista com o artista brasileiro Hal Wildson

por Eneo Lage

 

Não é novidade para ninguém que viver da arte no Brasil não é fácil. Nosso país está repleto de artistas talentosos que estão sempre correndo atrás de ganhar a vida por meio do seu trabalho. O artista brasileiro Hal Wildson, residente de Goiânia, é um bom exemplo disso. Vindo de uma família humilde e com uma história de vida simples, Hal procurou enxergar além, por meio da arte e já soma milhares de seguidores nas redes sociais, além de exposições pelo Brasil e pelo mundo.

Nessa entrevista exclusiva ao INSPI, Hal nos leva a conhecer um pouco mais sobre o seu trabalho, suas referências e sua inspiradora história de vida. Confira:

 

INSPI: Suas criações carregam uma identidade bastante marcante. Como você trabalhou seu estilo de arte ao longo de sua carreira?

Hal Wildson: Tudo começou de forma muito natural. Em 2007 perdi minha vó, pessoa muito importante em minha vida, foi ela quem me criou sozinha. O sonho dela era reformar a casinha que morávamos, mas, naquele tempo a situação financeira não era das melhores. No ano que ela faleceu eu decidi de alguma forma realizar o sonho dela . Pensei: ” vou reformar a nossa casa, mas como fazer isso sem dinheiro?”. Foi aí que iniciei a minha primeira grande colagem, utilizando grude (um tipo de cola caseira feita com polvilho e água) e todos os livros e apostilas que eu tinha em casa, colei pedaços de papel por grande parte da casa. No final, gostei muito do resultado e decidi desenhar por cima das tipografias. E assim nasceu esse estilo tão característico da minha estética. Nos últimos 10 anos muita coisa mudou no meu estilo, mas a essência do processo híbrido de colagem, poesia e desenho permanece.

INSPI: Quais são as técnicas que você utiliza em seu trabalho?

Hal Wildson: Nesses 10 anos de estudos já transitei por muitos materiais, acho importante que o artista tenha uma bagagem diversa de estudos e processos.

Atualmente o meu trabalho é o resultado da mistura de colagem manual, digital, desenho manual, literatura e fotografia, o que chamo de “Poesia Visual”.

Além desses estudos, também trabalho com colagens orgânicas (feitas com materiais orgânicos: galhos de arvore, folhas e etc.) e também intervenções urbanas interativas.

INSPI: Atualmente você vive da sua arte? Quais os desafios?

Hal Wildson: Sim. Há 3 anos vivo exclusivamente da minha arte. Os desafios são diários, por isso busco sempre me reinventar , a busca constante por novos experimentos é o combustível que me faz entender minha arte como trabalho, mas principalmente como missão. Gostou de criar, sem a criação minha vida não teria sentido, gosto de inspirar as pessoas e de trazer mensagens, esse é o meu papel como artista. Lidar com a auto crítica e com o mercado de arte são meus principais desafios.

Como vender minha arte sem perder minha essência? Me pergunto isso diariamente. Uma das formas de me adequar e sobreviver a isso é separando a minha agenda, em alguns dias faço as encomendas dos meus clientes, e em outros faço arte simplesmente pelo puro prazer e propósito de fazer arte.

INSPI: Qual é o requisito para escolher os personagens que você retrata em suas obras?

Hal Wildson: A cultura da América Latina é a minha grande inspiração. Gosto de investigar questões do cotidiano, a simplicidade das pessoas, suas histórias e motivações. Muitos desses personagens são fotografias que faço por onde ando, outros são resultados do trabalhos de outros fotógrafos e artistas.

INSPI: Que artistas te inspiraram a ser um artista também? Quais são as suas referências?

Hal Wildson: Atualmente me inspiro muito em Frida Kahlo e em Vik Muniz. Admiro a história de Frida e a forma como ela transformou toda dor em sentimento, em luta, em arte… vejo isso em minha trajetória. Já o Vik Muniz é o tipo de artista que me espelho, gosto das inovações e da sua forma de fazer arte.

INSPI: Das suas obras, qual você mais gosta?

Hal Wildson: Sou um artista muito auto crítico. Tem dias que não gosto de quase nada do que faço. Não tenho uma obra preferida, mas tenho um carinho especial pela série de intervenções urbanas : “DECIFRA_ME”. Esse foi um projeto que criei esse ano com o objetivo de gerar interação entre as pessoas e a arte. Crio colagens urbanas em relevo pelos muros da cidade, cada obra possui um enigma a ser decifrado, as pessoas que descobrem o segredo através das pistas são presenteados de alguma forma com a minha arte. Em 2018 pretendo dar mais força a esse projeto.

INSPI: Como você trabalha a divulgação da sua arte?

Hal Wildson:A internet é minha principal ferramenta. Atualmente o Instagram é a minha maior fonte de divulgação. Através das redes sociais consigo fazer amigos e clientes. Trocando ideias e conhecendo pessoas divulgo meu trabalho, conheço marchants influentes que acabam impulsionando minha arte. Dessa forma já consegui exposições fora do Brasil (Nova Iorque e Los Angeles, EUA) além de clientes em mais de sete países além do Brasil.

Movimentar as redes diariamente é primordial para que mais pessoas possam conhecer nosso trampo.

INSPI: Gostaria de trabalhar em colaboração com alguém?

Hal Wildson: Sim, com Vik Muniz.

INSPI: Que importância você dá para a arte na formação do individuo?

Hal Wildson: Total. A arte possui um papel transformador. Faz as pessoas olharem diferente para o próximo, faz a gente percorrer caminhos por onde nunca passamos. Posso dizer que a arte me salvou. Venho de uma família com histórico conturbado de violência, drogas e alcoolismo, não tive uma criação de “pai e mãe” e iniciei a minha vida adulta com 14 anos,. Nesse período eu já era independente: morava, trabalhava, pagava as contas de casa e corria atrás dos meus objetivos. Ser artista me ajudou a entender minha história com outros olhos, a continuar sonhando e criando a minha forma de vencer.

 

 

Fonte: INSPI  (por Eneo Lage)

 

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