Evamm (Buenos Aires, 1987) é uma artista visual argentina radicada no Brasil, cuja prática se desenvolve no campo expandido da pintura, articulando gesto, materialidade e processos relacionais. Iniciou sua formação ainda na infância, em ateliês de desenho e pintura em Buenos Aires, e posteriormente aprofundou seus estudos na Universidad Nacional de las Artes (UNA), onde consolidou sua base técnica e conceitual.
Sua trajetória é atravessada por um contínuo diálogo entre produção artística, investigação sensível e atuação pedagógica. No Brasil, deu continuidade à sua formação sob orientação de artistas como Jayro Schmidt e José Maria da Cruz, experiências que contribuíram para o refinamento de sua linguagem e para a construção de uma poética própria. Sua pesquisa incorpora elementos orgânicos e simbólicos, tensionando pintura, corpo e território, e desdobrando-se em práticas que ultrapassam o espaço expositivo. Nesse contexto, sua atuação se estende a projetos comunitários, ações colaborativas e dispositivos de mediação artística, onde a arte opera como ferramenta de escuta, reconexão e transformação coletiva.
Participou da 1a edição da Bienal Black Brazil Art, sendo contemplada com uma residência artística em Bolonha, Itália, e integrou o acervo do projeto Artistas Latinas. Em 2020, recebeu o Prêmio Lei Aldir Blanc pelo reconhecimento de sua contribuição cultural em Santa Catarina.
Atualmente, desenvolve sua produção entre a pintura e o muralismo, ao mesmo tempo em que atua como orientadora de processos criativos e cofundadora do ateliê LA CASA, espaço dedicado à experimentação artística, formação e práticas coletivas.
Declaração do Artista
Meu trabalho transita entre o figurativo e o abstrato, explorando o corpo feminino como símbolo de transformação, força vital e sabedoria ancestral. Através da pintura, canalizo não apenas formas, mas energias: invoco presenças, registros invisíveis, conexões espirituais que emergem no silêncio da meditação e na vibração dos sons. O processo é ritual. As paletas e as linhas surgem como visões, e a execução da obra começa muito antes do gesto pictórico. Durante um período, me dediquei intensamente à pesquisa da iconografia ancestral, que deu origem a uma série produzida em plena quarentena, com tinta nanquim sobre papel. Para essa série, criei minhas próprias ferramentas: penas feitas à mão em bambu, com galhos e outros elementos, pois acredito fielmente na energia que habita nas coisas. Na minha fase mais recente, entrego-me ao abstrato a partir de um lugar ainda mais intuitivo e corporal. Pinto com as telas dispostas no chão, dançando ao seu redor em um movimento que se assemelha a um ritual primitivo, como se traçasse com o corpo as memórias subjetivas que a alma guarda. Chamo essa fase de lúdico-primitiva, onde o gesto se transforma em invocação. Muitos desses trabalhos nascem do uso de elementos orgânicos coletados, plantas medicinais, projetados sobre a tela impregnados de tinta, integrando esses materiais ao gesto pictórico, reinscrevo a abstração em um território latino-americano, feminino e espiritual, deslocando tradições eurocêntricas e afirmando uma poética que nasce do corpo e da terra. O gesto de deixar cair esses elementos gera manchas que, longe de serem aleatórias, manifestam uma intenção inconsciente. Acredito que o acaso não existe; cada marca carrega um sentido, uma energia que vem nos lembrar do centro, da terra e o do ser.
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